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Concertos comemoram os 30 anos de Arcádio Minczuk na Osesp (28/7/2011)

O músico Arcádio Minczuk, um dos principais oboístas brasileiros, completa neste mês 30 anos de atividades com a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Professor do instrumento na Unesp há 25 anos, Arcádio será homenageado pela Osesp dias 28, 29 e 30 de julho, com regência de seu irmão Roberto Minczuk.

Na vida de Arcádio Minczuk a música surgiu de forma tão natural quanto aprender a ler ou realizar outra atividade do desenvolvimento infantil. A prática musical começou já nos primeiros anos de idade. Arcádio e seus sete irmãos – cinco meninas e outros dois meninos – foram estimulados pela mãe, que cantava na igreja, e sobretudo pelo pai, seu José, que era trombonista e regente de um coral militar. “Tocávamos na igreja protestante russa que frequentávamos, e ainda criança aprendi vários instrumentos, como o bandolim e o bombardino”, conta. Além dele, outros quatro irmãos tornaram-se músicos profissionais, sendo o mais famoso o regente Roberto Minczuk.

A escolha pelo oboé foi uma decisão de seu José. “Meu pai achava o oboé um instrumento bonito e que poucos tocavam. Então, quando eu tinha 11 anos, ele me deu um para que começasse a estudar. De início odiei, minha primeira impressão foi muito ruim – o som era estridente, metálico. Só após dois ou três anos de prática é que comecei a gostar do instrumento.” Arcádio começou a estudar com José Davino Rosas, músico da Banda Militar. Em seguida entrou para a Escola Municipal de Música, onde foi aluno de Benito Sanchez e Walter Bianchi. Esses anos de aprendizado foram suficientes para que, em 1981, com apenas 16 anos, ingressasse na Osesp. “Entrei a uma semana de completar 17 anos”, esclarece. Antes, ele tocou como estagiário na Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal de São Paulo.

Paralelamente à vida profissional, Arcádio continuou se aperfeiçoando. “Já tocando na Osesp fui cursar mestrado nos Estados Unidos. O maestro Eleazar estimulava que estudássemos, que fôssemos nos aperfeiçoar no exterior”, relata. Ao mesmo tempo, o convívio com músicos experientes e com o grande regente foi outra escola. “Entrei numa fase muito boa da Osesp, em que ela contava com ótimos músicos e um nível artístico excelente – ainda que num patamar diferente do de hoje. Tocávamos duas vezes por semana no Teatro Cultura Artística, os concertos eram transmitidos pela TV Cultura; Eleazar costumava fazer ciclos de obras de compositores, como Beethoven e Mahler, o que foi um enorme aprendizado para mim.”

Infelizmente, os anos “dourados” duraram pouco e logo a Osesp entrou num longo processo de decadência, com salários atrasados, sem local fixo para ensaios, queda de qualidade artística e um público cada vez mais rarefeito. Nos últimos anos a doença do maestro Eleazar, que já não podia mais conduzir o grupo com o mesmo braço firme, veio acentuar a crise. A tão conhecida reformulação da Osesp, que se iniciou em 1997 após a morte de Eleazar, teve em Arcádio Minczuk um ativo colaborador. “Eu era presidente da Associação dos Músicos na época e coube a mim negociar e convencê-los sobre a importância desse projeto, que, no entanto, implicava em grandes mudanças. Claro que estávamos todos muito inseguros: será que ele iria para frente, será que a Sala São Paulo sairia mesmo do papel? Foi uma briga feia mas que deu certo e todos foram recompensados. O trabalho do maestro John Neschling foi um marco na vida musical brasileira e a realização de um sonho de toda a classe musical.”

Tocando com a nova Osesp, deu-se uma situação curiosa: o primogênito Arcádio era frequentemente dirigido por seu irmão mais novo, Roberto Minczuk, à época regente adjunto de Neschling na orquestra. “Isso nunca foi um problema para mim. O Roberto, apesar de três anos mais novo do que eu, sempre foi muito maduro musicalmente. Eu o tratava de senhor numa boa [risos].”

Esses 30 anos de Osesp e mais de 40 anos de música guardam inúmeras histórias na memória do músico e não tiraram dele o entusiasmo com o trabalho. “O que mais gosto de fazer é tocar em orquestra. O oboé é um dos solistas principais, um protagonista da música sinfônica desde o barroco. Assim, existe um repertório imenso e muito bonito pra se tocar. Há sempre um desafio, mesmo numa obra que já toquei dezenas de vezes.”

O programa que a Osesp promove em homenagem a Arcádio Minczuk acontece dias 28, 29 e 30 e terá a regência de seu irmão Roberto. No repertório, a Canzonetta para oboé e orquestra de cordas, de Samuel Barber, e o Concertino para oboé e orquestra de cordas do compositor brasileiro Brenno Blauth (1931-93). “É uma obra com traços românticos e nacionalistas, uma peça bonita e muito bem escrita para oboé”, explica Arcádio. A apresentação será gravada e lançada em disco até o final desta temporada, completando a homenagem a um dos grandes instrumentistas brasileiros na atualidade.

Texto de Camila Fresca na edição de julho da Revista CONCERTO



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