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Morre em Buenos Aires a violonista Dona Monina (26/8/2011)

Faleceu no dia 17 de agosto em Buenos Aires a violonista Adolfina Raitzin de Távora, conhecida no meio musical como Dona Monina, professora de músicos como os irmãos Abreu e os irmão Assad.

Adolfina nasceu na Argentina em 3 de maio de 1921. Seu pai era um psiquiatra revolucionário, que tratava os doentes mentais em liberdade (motivo pelo qual a localidade onde estabeleceu sua clínica passou a se chamar Open-Door). Ela foi criada junto com estes pacientes e teve sua formação escolar com eles, que foram seus professores.

Desde muito cedo estudou violão com Domingo Pratt (que a ela se referiu em termos superlativos em seu Diccionario de Guitarristas publicado em 1934) e piano com Ricardo Viñes (durante o período em que este morou na Argentina, de 1930 a 1936).

Adolfina decidiu-se definitivamente pelo violão quando foi apresentada a Andrés Segovia e este lhe convidou a estudar com ele, porém nunca abandou o piano. Em seu diário ela escreveu naquele dia “Hé tocado hoy para Andrés Segovia y le gustó. Yo prometo que voy a ser una gran artista”. Estudou regularmente com Segovia durante muitos anos, e sobre este tinha sempre as palavras mais elogiosas e carinhosas, foi das poucas pessoas que tiveram de fato aulas sequenciais e uma convivência prolongada com o grande violonista. Ela tinha sempre na parede uma antiga foto emoldurada de Segovia com a dedicatória “Para Adolfina Raitzin, musa y artista”.

Durante a juventude teve a oportunidade de fazer amizade com músicos de várias nacionalidades que se hospedavam na quinta de seus pais, quando tocavam em Buenos Aires, entre eles Yehudi Menuhin, William Kapell e Henryk Szering.

Teve um começo de carreira espetacular, mas decidiu largar tudo quando se casou com o geólogo brasileiro Elysiário Távora no início da década de 1940. Pouco depois de seu casamento recebeu uma carta de Segovia, então no meio de uma turnê, expressando sua surpresa com a notícia inesperada do matrimônio, prometendo um presente assim que retornasse a Montevidéu e desejando felicidade ao casal, mas sobretudo esperando que ela nunca fizesse justiça a um antigo ditado espanhol que dizia “la mujer bonita es el paraíso de los ojos, el purgatório del bolsillo, y el infierno del alma”.

Passou a viver no Rio de Janeiro, onde residiu por mais de 30 anos e teve dois filhos brasileiros, Ruy Alejandro Távora e Virgílio Raitzin Távora, ambos diplomatas de carreira. Embora visitasse o país natal regularmente, só voltou a morar na Argentina em 1977, quando o marido se aposentou. Embora tendo desistido muito jovem da carreira de concertista, continuou a se apresentar esporadicamente em público ou no radio. Em 1950, já tendo adotando o nome artístico Monina Távora, realizou um recital na Escola Nacional de Música do Rio de Janeiro, que causou assombro no meio musical carioca. A partir de então passou a ser muito solicitada por vários violonistas da cidade.

No início da década de 1950, passou dois anos com o marido e os filhos nos Estados Unidos, quando recebeu convites para reiniciar a carreira musical. Durante essa temporada americana, passou uma semana em Lakeville trabalhando com Wanda Landowska a interpretação de música renascentista e barroca. Seu último recital em público ocorreu no Town Hall em New York, em 1952, pouco antes do retorno ao Rio de Janeiro, com sucesso arrebatador tanto de público quanto de crítica, tendo a Guitar Review se referido ao evento como “Argentinean guitarist Monina Távora in a smashing Town Hall debut”.

Admirada e respeitada pelos violonistas cariocas, era porém igualmente temida por esses devido à sua reputação de perfeccionista, exigente, e intransigente. Como consequência suas maiores amizades no Rio de Janeiro se deram mais no meio musical não violonista. Entre seus grandes amigos e admiradores estavam o casal Francisco e Lidy Mignone, o casal Arnaldo Estrella e Mariuccia Jacovino e o crítico Antonio Hernandez. Também eram visitantes frequentes de seu espaçoso apartamento na Avenida Ruy Barbosa os pianistas Antônio Guedes Barbosa e Arnaldo Cohen, o violoncelista Iberê Gomes Grosso, o cravista Roberto de Regina, além de cantores, violinistas e compositores.

No ano 2000 retornou com o marido ao Rio de Janeiro onde permaneceu por 5 anos e, já viúva, voltou à Argentina para passar seus últimos anos na casa de seu filho mais velho em Open-Door, mesma região em que havia passado a infância e a adolescência. Seu estado de saúde sofreu um abalo devastador com a morte inesperada em outubro do ano passado de seu filho mais novo, Virgílio.

Fonte: depoimento de Sérgio Abreu no site http://www.violao.org/index.php?showtopic=11924&hl



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