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Experimental de Repertório comemora centenário do Municipal com Lamosa e Portari (15/9/2011)

A soprano Rosana Lamosa e o tenor Fernando Portari se apresentam no próximo domingo, dia 18 de setembro, com a Orquestra Experimental de Repertório nas comemorações do centenário do Teatro Municipal de São Paulo. Os cantores, que no começo do mês participaram da remontagem de Don Pasquale no Teatro São Pedro, voltam a se apresentar em São Paulo, agora sob a direção de Jamil Maluf e em uma seleção de aberturas, árias e duos das óperas La Bohème, de Puccini, e Romeu e Julieta, de Gounod.

[Veja detalhes no Roteiro Musical]

Leia abaixo a entrevista de Fernando Portari para a Revista e Site CONCERTO

Com 20 anos de carreira, Fernando Portari tem muito o que comemorar. Principal tenor brasileiro da atualidade, iniciou os estudos musicais em casa, com o pai, também cantor, e a mãe, pianista. Aperfeiçoou-se na Alemanha com o tenor brasileiro Aldo Baldin e, na década de 1990, ao voltar para o Brasil, casou-se com a soprano Rosana Lamosa, outro dos principais nomes do canto lírico do país na atualidade. Há alguns anos, por conta das dificuldades em arrumar trabalho por aqui, voltou novamente os olhos para a Europa, investindo numa carreira no exterior. Portari começa a colher agora belos frutos: além de apresentações em cidades como Moscou, Helsinki, Munique e Bolonha, tem estado em importantes teatros como o La Fenice, em Veneza, a Staatsoper, em Berlim – quando teve a oportunidade de atuar ao lado da soprano Anna Netrebko e do maestro Daniel Barenboim – e o mítico La Scala, em Milão, no qual debutou em 2010 e onde voltou a se apresentar recentemente. Sobre esses triunfos e a situação lírica no Brasil, Fernando Portari conversou por telefone, de sua casa no Rio de Janeiro, com a Revista CONCERTO.

Em maio e junho você cantou, em Genebra, I vespri siciliani, ao mesmo tempo em que voltou ao Scala de Milão. Como foram as apresentações?
A Ópera de Genebra é o típico teatro europeu onde se faz a carreira. Há muitos teatros na Europa com uma programação regular e que oferecem oportunidades pra se trabalhar, o que é o muito mais importante do que ficar pensando em brilhar num grande teatro. Às vezes o cantor tem a ilusão ou sonho de cantar numa grande casa; claro que cantar no Scala de Milão é um sonho, mas eu não teria chegado lá se não houvesse teatros como o de Genebra. A oportunidade de trabalhar com regularidade e criar um padrão de canto, que é o que não temos no Brasil, é fundamental. Sem um padrão não há como ter noção das coisas que se faz e você acaba não conhecendo a própria voz. Genebra foi uma experiência ótima, foram oito récitas da versão francesa de I vespri siciliani. Foi um grande desafio, pois é uma ópera muito complexa tanto vocalmente quanto dramaticamente. O papel do Henry (Arrigo), que cantei pela primeira vez, foi um turning point para mim do ponto de vista técnico-artístico. Durante as ultimas récitas eu alternava Genebra com os ensaios em Milão, onde interpretei o Romeu de Romeu e Julieta, no La Scala, dia 11 de junho. Então, foi também um exercício de resistência física.

Seu próximo compromisso internacional, em outubro, é no papel-título de Fausto, de Gounod, em Barcelona. Foi com esse papel que no ano passado você debutou no La Scala, em Milão. Fale um pouco sobre essa experiência.
Nos grandes teatros europeus há a figura do casting director, que é responsável para montar elencos. Esse profissional do La Scala me viu cantando e me chamou para ser doppione [cantor que fica como substituto, para a eventualidade de um cancelamento no elenco principal]. Mas me deram um ensaio geral, e ensaio geral no Scala é como uma estreia. O teatro fica lotado e você já sente a pressão do público de Milão, que é duríssimo e vaia quando não gosta. Cantei no ensaio geral e foi tudo bem. No dia da última récita, quando eu já estava de malas prontas para voltar, me ligaram pela manhã avisando que seria eu quem cantaria naquela noite. Não deu tempo nem de ficar nervoso... Felizmente deu tudo certo e fui muito bem aceito. É um papel que conheço bem e que, além de ser muito romântico, é bastante cênico, com muitas oportunidades para criar.

Por que você decidiu reinvestir em uma carreira no exterior?
Na verdade eu fui para o exterior muito jovem – com 20 e poucos anos fui estudar na Alemanha e com 24 estava cantando em Berlim. Mas naquele momento, ainda sem internet e todas as facilidades de comunicação que temos hoje, eu tinha uma sensação de exílio. As distâncias eram muito maiores. Meu professor, Aldo Baldin, grande tenor brasileiro que estava há muitos anos radicado na Alemanha, também me dizia que não se sentia nem brasileiro nem alemão. Aquilo me afligia muito. Em 1994 Baldin morreu e resolvi voltar. Passei muitos anos no Brasil, conheci a Rosana (curiosamente, nos apaixonamos quando contracenamos juntos em O elixir do amor) e fiquei por um tempo em São Paulo. Foi um período muito bom, no qual tive muitas oportunidades, cantei por todo país. Mas de repente, entre 2005 e 2006, as coisas começaram a ficar estranhas. Meu cachê diminuiu drasticamente – coisas do Brasil, muda o governo e dizem que não há mais dinheiro. Também não havia mais oportunidades para cantar. Achei, então, que seria importante tentar novamente o exterior. Eu já tinha maturidade, não tinha tanto medo de ir pra fora; minha vida afetiva estava resolvida, a internet já encurtava as distâncias. Assim, refiz meus contatos e o primeiro trabalho, em 2006, foi um Don Giovanni em Catânia. Passei a ser representado por uma agência em Bolonha e aí as oportunidades apareceram, entre elas coisas maravilhosas como cantar com a Netrebko e o Barenboim na Staatsoper e fazer o doppione no Scala.

O mercado europeu e norte-americano é extremamente concorrido. O que faz a diferença, além claro da qualidade do artista, na hora de conseguir um papel?
Cada vez mais o artista precisa encontrar uma cor, uma mensagem que seja dele, e para isso precisa ter uma personalidade muito forte. Porque você tem seus ícones, o cara que fez a grande carreira, e a tendência é querer ser parecido. Como tudo na vida, há sempre uma contradição: ao mesmo tempo em que você se projeta num grande artista – e isso é bom –, você tem que recusá-lo e encontrar um caminho próprio. É esse caminho que vai lhe dar a diferença; não é se você é melhor ou pior, mais bonito etc. A única coisa que interessa é dizer uma coisa sua, que está dentro de você, e não de Goethe ou de Verdi. Eles te inspiram, claro, mas você diz alguma coisa que é só sua. A questão do marketing é lateral, se discute muito isso hoje, mas não acho que ela defina nada. As pessoas falam, por exemplo, da Anna Netrebko, que é uma moça bonita e que sabe lidar com as questões contemporâneas de como se vende um produto. Mas se ela não cantasse muito bem ela não estaria onde está. Não é que o marketing não exista, mas ele só vai fazer efeito no produto que tiver essência.

Você é um tenor lírico. Nesse momento, que tipos de papeis são mais adequados a ela?
Tive uma formação muito sólida e uma visão crítica das minhas escolhas, que foram sempre conscientes das minhas possibilidades. A voz é caprichosa. Alguns cantores permanecem ao longo da carreira com a mesma voz que começaram, enquanto outros sofrem grandes transformações, perdem algumas coisas e ganham outras. Minha voz mudou muito desde que comecei minha carreira, há 20 anos. Meu pai já me avisava que ela tinha essa tendência, e eu também fui percebendo, o que fez com que me adiantasse às mudanças. O canto é uma arte empírica, você tem que experimentar, mas com uma boa orientação. Fiz muitas coisas de lírico ligeiro no início que me permitiram manter e solidificar uma coisa importante no canto, que é a flexibilidade. Para cantar bem é necessário ter uma voz relativamente flexível, e se você tem essa percepção vai conduzir sua voz pra um caminho mais saudável e longevo. Felizmente sempre fiz as escolhas certas e sigo acrescentando coisas ao meu repertório. Vespri siciliani é uma ópera pesadíssima mas adequada às minhas possibilidades do momento, em que começo a encarar um repertório mais denso.

Em 2007 você estreou como diretor de cena em Rigoletto, em montagem em Ribeirão Preto. Como foi a experiência? Já teve oportunidade de repeti-la?
O convite partiu do Cláudio Cruz, que é regente da Sinfônica de Ribeirão Preto. Foi uma experiência maravilhosa e apaixonante, gostei muito e os colegas também ficaram contentes comigo, o que é muito importante. Porém é um trabalho gigantesco e que demanda disponibilidade física, mental e de tempo. Em 2007 eu ainda estava no início desse processo de cantar no exterior. Agora a agenda apertou demais e eu não posso fazer um trabalho pela metade. Com certeza farei novamente, mas nesse momento não seria inteligente da minha parte expor uma produção ao pouquíssimo tempo que tenho. O canto exige muito, é um sacerdócio, e no momento tenho compromissos muito complexos, que me deixam muito exposto.

O Municipal do Rio de Janeiro reabriu recentemente, o de São Paulo acaba de abrir e o Teatro São Pedro tem seguido com sua temporada de óperas. Você tem esperança que isso simbolize uma mudança em relação aos últimos anos?
Claro que o fato das reaberturas em si é bom, é melhor que os teatros estejam abertos do que fechados. Também a iniciativa do São Pedro é muito boa. O que eu vejo, de um lado, é uma geração de cantores a fim de estudar e aprender seriamente. Acredito que o musical trouxe coisas boas para o mundo da ópera, pois apresentou esse universo para muitos jovens e isso abriu novas perspectivas, pelo menos no universo dos cantores. Mas vejo também uma classe lírica muito órfã, ainda sem uma instituição que a represente. Tudo é vinculado a interesses políticos e as instituições têm uma grande dificuldade de dialogar com os representantes da classe. E a classe, não tendo um ponto de referência, não existe e não tem poder te interferir e reivindicar no processo político. Eu vivi os altos e baixos da ópera no Brasil, sempre à deriva da vontade dos governos, e vi a falta completa de autonomia da classe, que fica sempre à mercê do jogo político.

Quem quiser te ver cantar ainda este ano, no Brasil e no exterior, que oportunidades terá?
Ainda este ano cantarei O morcego no Municipal de São Paulo. Já no exterior tenho compromissos em Barcelona, onde canto o Fausto; em Colônia, onde estreio no papel de Foresto em Attila, de Verdi; em Helsinki, onde canto a Traviata; e em Tóquio, onde farei um concerto.

Entrevista concedida a Camila Frésca para a edição de agosto da Revista CONCERTO.



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