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Arnaldo Cohen toca Brahms com a Osesp (21/5/2009)

O pianista brasileiro Arnaldo Cohen é a grande atração dos concertos da Osesp desta semana. Sob regência do maestro alemão Claus Peter Flor – que faz o seu terceiro e último programa com a orquestra – a Osesp e Cohen apresentarão o Concerto nº 1 de Johannes Brahms. Na primeira parte do programa, a orquestra interpreta a dramática e fúnebre Sinfonia nº2 do compositor tcheco Josef Suk, também conhecida como Sinfonia Asrael, escrita após o falecimento de sua esposa e de seu mestre e sogro, Antonín Dvórak, como uma homenagem póstuma a ambos.

Leia a seguir informações do material de imprensa fornecido pela Osesp

Josef SUK
Krecovice (República Tcheca), 4 de janeiro de 1874 / Benešov (República Tcheca), 29 de maio de 1935
Sinfonia nº 2 em dó menor, Op.27 - Asrael
Duração aproximada: 58 minutos
Ano da composição: 1905-06

Josef Suk foi herdeiro de uma grande escola de compositores tchecos que incluiu, entre outros, Smetana, Janácek e Dvorák. Este último foi seu professor no Conservatório de Praga de 1885 a 1892. A relação dos dois ultrapassou o plano profissional quando, em 1898, Suk casou-se com a filha do mestre, Otilie. Tornou-se conhecido ainda jovem em seu país, quando sua Serenata para Cordas, escrita aos 18 anos, obteve significativo sucesso de público. Sua primeira grande obra foi sua Primeira Sinfonia, escrita em 1899, que seguiu o modelo das sinfonias de Dvorák. Ela revelava um compositor com amplo domínio técnico da escrita orquestral, porém ainda à procura de uma voz própria. A tristeza pela morte de Dvórak motivou a concepção de uma segunda sinfonia que seria sua homenagem póstuma ao mestre. Iniciou a composição em Hamburgo em janeiro de 1905. A sinfonia rapidamente tomou forma e, seis meses depois, Suk já completara os três primeiros movimentos. Iniciava o quarto movimento quando outra notícia trágica, ainda menos previsível, abalou-o profundamente. Sua mulher, filha do mestre querido, falecera com apenas 27 anos de idade. Reunindo todas as energias que lhe restaram durante essa fase de luto, descartou a música que esboçara para o quarto movimento e reiniciou os dois últimos movimentos, desta vez como uma homenagem fúnebre à própria mulher. Por se tratar de uma obra de complexo significado catártico, os temas desta sinfonia estão todos ligados ao luto e às lembranças de momentos felizes. Isso justifica que a obra tenha recebido do compositor o subtítulo de Sinfonia Asrael, emprestando o nome do anjo da mitologia islâmica que transporta a alma dos mortos para o além. O desafio de escrever uma obra com referências autobiográficas induziu o compositor a encontrar neste trabalho uma linguagem mais pessoal, distanciando-se da esfera de influência da música de Dvorák, ainda que a obra faça citações a diversas passagens da obra do mestre. A complexidade da harmonia aproxima-se em certos momentos das correntes do romantismo expressionista e do modernismo simbolista, ainda que no geral o compositor permaneça sintonizado com o prolongamento do sinfonismo romântico de Tchaikovsky. O principal material da obra, chamado pelo autor de ‘tema do destino’, é exposto dramaticamente nas cordas em uníssono após uma longa e sombria introdução. Este tema do destino ecoará ciclicamente em todos os outros movimentos. O primeiro dos dois movimentos finais que homenageiam Otilka, apesar das referências recorrentes ao tema do destino, faz prevalecer inicialmente um tom introspectivo de lamento saudoso que evoca a personalidade gentil da esposa. Em súbito contraste, o último movimento irrompe dramaticamente com o referido tema, o que sugeriria uma redenção triunfante sobre o destino. Entretanto, essa transformação é interrompida por uma versão sombria do mesmo tema do destino, conduzindo a sinfonia para sua dissolução final.

Johannes BRAHMS
Hamburgo (Alemanha), 7 de maio de 1833 / Viena (Áustria), 3 de abril de 1897
Concerto nº 1 para Piano em ré menor, Op.15
Duração aproximada: 42 minutos
Ano da composição: 1854-57

Em carta a um amigo Joseph, Brahms relatou no seguinte tom a recepção do Concerto nº 1, após a segunda apresentação em Leipzig, na qual atuara como solista: “O concerto foi um brilhante e definitivo... fracasso. O primeiro e o segundo movimento foram ouvidos sem a menor demonstração de apreço. No final, três pares de mãos aplaudiram timidamente enquanto assobios partiram de todos os cantos do teatro, sufocando os aplausos. Mas o fracasso não me impressionou de modo algum. Afinal de contas, estou apenas experimentando e tentando encontrar o meu caminho. Mesmo assim, a vaia foi além da conta”. Brahms estava com 25 anos de idade e trabalhara quatro anos naquela partitura. Seis anos antes, Schumann tinha escrito um artigo no Novo Jornal da Música saudando Brahms como o sucessor de Beethoven pela qualidade de sua música de câmara. A profecia soou como um desafio para o jovem compositor. Em 1854, ele escreveu ao casal Schumann para anunciar que estava compondo uma sinfonia. Pouco depois, Schumann foi internado em um asilo, onde viveu por apenas mais dois anos, até sua morte. Nesse período, Brahms, que manteve a vida toda uma paixão secreta por Clara Schumann, mas nunca se declarou em respeito à grande amizade que tinha por Robert, resolveu mudar-se para a residência de Clara para ajudá-la a tomar conta dos filhos do casal. Continuou ali a composição da sinfonia, nutrindo-se da inspiração que Clara lhe proporcionava. Em pouco tempo notou que ainda não possuía o mesmo domínio que Beethoven e decidiu transformar a sinfonia numa sonata para dois pianos, mas Brahms continuava insatisfeito com a obra e decidiu não publicá-la. Um amigo sugeriu então que ele fizesse uma combinação das duas versões e transformasse a obra num concerto para piano e orquestra. Brahms aceitou de imediato a ideia, porque percebeu que a grandiosidade do discurso exigia a sonoridade da orquestra. O trabalho ainda estendeu-se por mais de um ano, pois seu perfeccionismo o levou a refazer os dois últimos movimentos. Após o fracasso da estreia, Brahms passou outros dois anos revisando a partitura, especialmente o terceiro movimento, até publicá-la em 1861. Os vestígios desse tortuoso processo criativo, inevitavelmente, aparecem na versão final do concerto. Às vezes, a orquestra parece ter um destaque excessivo, principalmente no primeiro movimento. O piano, por sua vez, frequentemente aparenta estar numa obra de câmara, em vez de desempenhar um papel virtuosístico, apesar das dificuldades técnicas da parte solista. O público da época não estava acostumado, e isso certamente explica a recepção fria na estreia para uma obra que hoje nos soa tão fascinante. Mas há que se considerar também que a extrema concisão da obra, com temas derivados de variantes de uma única ideia, deve ter sido outro obstáculo difícil para o público. É possível que isso tenha ajudado a convencer Brahms de que era necessário promover tais revisões, especialmente no último movimento, que ganhou três temas claramente contrastantes, dando à parte do piano uma expressão mais intensa de virtuosidade.

Serviço:
Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo
Dias 21 e 22 às 21h, e 23 às 16h30 - Sala São Paulo
Regência: Claus Peter Flor
Solista: Arnaldo Cohen, piano

[Clique aqui para mais detalhes do Roteiro Musical.]



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