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Nikolas Koeckert toca com Osesp sob regência de Victor Pablo Pérez (23/6/2009)

Vencedor do Concurso Internacional Tchaikovsky em 2002, o violinista alemão Nicolas Koeckert volta ao palco da Sala São Paulo e toca com a Osesp, desta vez sob a regência do maestro espanhol Victor Pablo Pérez. Koeckert interpretará o Concerto nº 2 de Bártok. O repertório dos três concertos ainda inclui La Vida breve, de Manuel de Falla, e a Sinfonia nº3 – Escocesa do compositor alemão Felix Mendelssohn-Bartholdy.

Nascido em Munique, na Alemanha, em 1979, Koeckert estudou nos conservatórios de Würzburg e Colônia, onde se formou e concluiu seu mestrado em violino. Foi o primeiro alemão a vencer um prêmio no Concurso Internacional Tchaikovsky, em Moscou, em 2002. Na mesma época, recebeu o Prêmio de Incentivo a Artistas do Governo da Baviera. Como solista, já se apresentou sob a batuta de Sir Colin Davis, Lawrence Foster e Jonathan Nott, ao lado das sinfônicas de Montreal, Bamberg, Nacional da Rússia e Filarmônica de Zagreb.

Já o maestro Víctor Pablo Pérez nasceu em Burgos e estudou no Real Conservatório Superior de Música de Madri, na Escola Superior de Música de Munique e nos centros da Itália e da Áustria. Quando voltou à Espanha, em 1977, foi nomeado regente de ópera e concerto da Escola Superior de Canto de Madri e, depois, regente titular da Orquestra Sinfônica de Astúrias (1980-1988). Na temporada 1987-1988, foi o principal regente convidado da Orquestra Nacional da Espanha. De 1986 até a temporada 2005-2006, foi regente titular e artístico da Sinfônica de Tenerife, hoje é regente honorário. Também é diretor musical da Sinfônica da Galícia. Na temporada 2005-2006, Pérez estreou no Teatro Real de Madri e recentemente no Grande Teatro do Liceu de Barcelona, onde obteve sucesso com Manon de Massenet.

Leia a seguir informações sobre o repertório fornecidas pela assessoria de imprensa da Fundação Osesp

Manuel DE FALLA
Cádiz (Espanha), 23 de novembro de 1876 / Alta Gracia (Argentina), 14 de novembro de 1946
La Vida breve: Interlúdio e Dança
Ano da composição: 1904-05

Manuel de Falla pertence ao universo de compositores que mesclaram, desde o Romantismo, suas obras às constituições das identidades nacionais. Converte-se à composição e ao nacionalismo musical ao ouvir, aos 17 anos, um concerto do norueguês Grieg, que buscava criar uma alma nacional em sua música. A Espanha possuía uma corrente nacionalista já antiga, graças a músicos como Albéniz e Pedrell. O jovem Falla vai para Madri aperfeiçoar-se e cria peças de sabor ‘espanhol’. Escreve zarzuelas, espécie de operetas, gênero até hoje muito popular naquele país. Em 1904, termina a ópera La Vida breve. Já há algum tempo que as óperas rápidas, centradas num episódio fulminante e brutal, faziam sucesso nos palcos. Manuel de Falla tenta esse modelo e o resultado é notável. Mesmo sem conhecer Granada, cidade em que a ação transcorre, ele recria o ambiente com grande convicção. La Vida breve apresenta paisagens sonoras magníficas, tanto visuais, quanto sociais, já que a história se passa em meio popular e incorpora cenas de trabalho duro, como a dos ferreiros de Albaicin. O Interlúdio evoca o pôr do sol em Granada. Na Dança, que ocorre durante uma festa de casamento, o compositor emprega seu sentido rítmico, que faria de outra composição, a Dança do Fogo, obra celebérrima.

Béla BARTÓK
Nagyszentmiklos (Hungria), 25 de março de 1881 / Nova York (EUA), 26 de setembro de 1945
Concerto nº 2 para violino e orquestra
Duração aproximada: 32 minutos
Ano da composição: 1938

Béla Bartók é outro compositor que se rendeu às questões nacionalistas e mergulhou nas fontes folclóricas para criar sua música. Muito crítico, costumava dizer que todo pesquisador de música folclórica devia esforçar-se para esquecer o sentimento nacional. Este Concerto nº 2 para violino e orquestra, de 1938, segue essa linha folclórica. Além disso, traz também meditações sobre os aportes de Debussy e do dodecafonismo vienense. O resultado é uma obra de rara beleza. Os momentos líricos, profundos e melancólicos, alternam-se com ritmos que se desencadeiam, ásperos. O concerto fora solicitado por Zoltán Székely, amigo e parceiro do compositor, grande violinista. Bartók cria, então, uma partitura de tremenda dificuldade para o solista, a qual coloca em evidência as qualidades do executante. Mas em nenhum momento essas exigências surgem apenas para o brilho do virtuose. Tudo em Bartók é rigor. Um homem que, na vida e na arte, recusou sempre todas as concessões.

Felix MENDELSSOHN-BARTHOLDY
Hamburgo (Alemanha), 3 de fevereiro de 1809 / Leipzig (Alemanha), 4 de novembro de 1847
Sinfonia nº 3 em lá menor, op.56 - Escocesa
Duração aproximada: 40 minutos
Ano da composição: 1829-31

Quando Mendelssohn viajou pela Escócia, em 1829, anotou alguns esboços para uma futura composição, inspirado nos panoramas agrestes que descobria. No entanto, demorou 13 anos para terminá-la. Escreveu outra obra muito célebre, também inspirada no mundo escocês, a abertura As Hébridas (A Gruta de Fingal). Sua sinfonia, porém, era muito mais ambiciosa. Mendelssohn queria, como afirmou, “traduzir o ambiente das brumas escocesas”, mas os resultados não o satisfaziam. Voltou várias vezes à partitura: “essa sinfonia foge de mim exatamente quando penso que a agarrei”, escreveu. O compositor alemão concebe uma Escócia romântica, em que a vertigem dos penhascos grandiosos e dos panoramas marinhos se mistura com o som de gaitas de fole. Não se trata, porém, de música descritiva: aflora nela uma nostalgia que sonha com esses locais poéticos. Mendelssohn tocava os movimentos sem interrupção, para que a magia sugestiva não fosse entrecortada. Dedicou sua sinfonia à jovem rainha Vitória, que, após o grande sucesso obtido pela obra em Londres, recebeu o compositor em sua corte. A sinfonia escocesa não aparenta o trabalho lento e laborioso que exigiu; ao contrário, parece surgir de uma inspiração exuberante, rica das mais belas e espontâneas invenções poéticas.

[Clique aqui para mais detalhes do Roteiro Musical.]



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