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“Alma Brasileira” promove parceria entre teatros brasileiros (25/8/2015)

Em uma coletiva de imprensa realizada esta manhã em Brasília, o ministro da Cultura Juca Ferreira e diretores do Theatro Municipal de São Paulo e do Theatro Municipal do Rio de Janeiro anunciaram um convênio para a realização de um espetáculo multimídia, Alma Brasileira, centrado em Heitor Villa-Lobos. Idealizado pelo maestro John Neschling, diretor artístico do Municipal de São Paulo, e pelo grupo teatral catalão Fura Dels Baus, Alma Brasileira será um concerto com algumas das mais conhecidas obras de Villa-Lobos – A floresta do Amazonas (trechos), as Bachianas 4 e 5 e os Choros 6 e 10 –, acompanhado da projeção de filmes criados pelo Fura Dels Baus em grandes telões que envolvem o palco. Conforme o material de divulgação, “um diálogo entre música e imagens é estabelecido em uma fusão de sentidos, como um reflexo da personalidade de Villa-Lobos”.

O projeto, que custará R$ 5 milhões e será bancado pelo Ministério da Cultura, estreará no Theatro Municipal de São Paulo com récitas nos dias 16, 17 e 18 de junho de 2016; em agosto, período das Olimpíadas, será levado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Há também a previsão de apresentações em Belo Horizonte, com a Filarmônica de Minas Gerais, e em Salvador, com a parceria do Neojiba. Além disso, estão programadas turnês pela América Latina e Europa em 2017.


John Neschling, João Guilherme Ripper, José Luiz Herencia e Juca Ferreira na coletiva de imprensa [foto: divulgação/Ascom]

“É a primeira vez que o governo faz um esforço coordenado para lançar um compositor brasileiro no mercado internacional, que o governo assume essa responsabilidade”, afirmou o maestro John Neschling. “Alma Brasileira é um espetáculo com o maior compositor brasileiro de todos os tempos, Villa-Lobos, um gênio da música do século XX, ainda muito pouco conhecido. É a nossa responsabilidade promover a música brasileira e este é um espetáculo para ser apresentado em todo o mundo”, disse o maestro. Neschling também destacou o fato de o espetáculo ser sempre interpretado pelas orquestras e coros dos respectivos teatros, de modo a incorporar as obras ao repertório dos grupos.

Já João Guilherme Ripper, recentemente empossado presidente de Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro, falou da importância de se trabalhar em parcerias como a do projeto Alma Brasileira, em que uma mesma produção possa ser apresentada em diferentes teatros do país. Ripper comentou, por exemplo, que as coproduções que viabilizaram a temporada do segundo semestre do Theatro Municipal do Rio de Janeiro [leia mais aqui] teriam proporcionado uma economia de cerca de 40% dos custos se comparados aos de produções originais dos mesmos títulos.

Seguindo essa ideia, a montagem de Fosca, de Carlos Gomes, programada pelo Municipal de São Paulo para 2016 será levada ao Rio em 2017; e, na outra mão, a montagem de Lo Schiavo, também de Carlos Gomes, que o Municipal carioca produzirá no ano que vem, ganhará o palco de São Paulo em 2017.

Também José Luiz Herencia, diretor geral da Fundação Theatro Municipal de São Paulo, ressaltou a importância de parcerias estratégicas entre os teatros para a construção de um projeto institucional. Para Herencia, essas ações significam uma “sinergia de complementaridade e não de sobreposição”, resultando sempre em ganho: “a cooperação é necessária e boa”, afirmou.

Em sua fala, o ministro Juca Ferreira afirmou estar honrado de participar do projeto Alma Brasileira e reforçou a sua intenção de implementar uma política de apoio para a música erudita no Brasil. Entre os exemplos, o ministro citou o problema da falta de materiais de orquestra (partituras), a criação de uma legislação mais sensível aos interesses dos artistas e parcerias com o ministério da Educação para a difusão da música sinfônica na rede pública de ensino.

Não é nova a ideia de coproduções líricas ou mesmo a de intercâmbio de produções. Pelos benefícios incontestáveis que traria – mais títulos seriam encenados em mais teatros por mais artistas e para um público exponencialmente maior –, é lamentável que até hoje não foi de fato possível transformar a ideia em uma conduta regular na programação das temporadas de nossos teatros. Oxalá o convênio proposto pelo Ministério da Cultura possa finalmente impulsionar a ideia e, como quer o ministro Juca Ferreira, fazer de Alma Brasileira um “embrião de uma política de cooperação entre os teatros brasileiros”. [Nelson Rubens Kunze]

[Nelson Rubens Kunze viajou a Brasília e assistiu à coletiva de imprensa a convite da Fundação Theatro Municipal de São Paulo.]


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