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Em delação premiada, Herencia envolve diretores do Theatro Municipal de São Paulo (20/3/2016)

José Luiz Herencia, ex-diretor geral da Fundação Theatro Municipal de São Paulo, que está sendo investigado por desvios que podem ter causado prejuízos de mais de R$ 18 milhões aos cofres públicos municipais, confessou os crimes e fechou um acordo de delação premiada com o Ministério Público Estadual (o acordo ainda não foi homologado pela justiça). A informação foi divulgada na última quinta-feira, dia 17 de março, pelo jornal O Estado de S. Paulo. Conforme a reportagem, em sua delação Herencia envolveu no esquema fraudulento o diretor executivo do IBGC (organização social que dá suporte à gestão da casa) William Nacked e o diretor artístico John Neschling. O Secretário de Comunicação da Prefeitura Nunzio Briguglio Filho também foi citado. Herencia teria confessado ter recebido R$ 6 milhões, William Nacked teria recebido outros R$ 6 milhões, e o maestro Neschling depositaria a parte dele em contas no exterior por meio do produtor Valentin Proczynski, diretor da agência Old and New Montecarlo. Já o secretário Nunzio Briguglio Filho teria se empenhado pessoalmente para que fosse firmado o contrato do projeto Alma Brasileira. O acordo de delação prevê que Herenica devolva os seus R$ 6 milhões desviados. (Leia a reportagem completa de O Estado de São Paulo aqui.)

O projeto Alma Brasileira foi lançado, em Brasília, em agosto do ano passado, pelo ministro Juca Ferreira e pelos diretores Herência e Neschling, e previa também a participação do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e de teatros da Bahia e de Minas Gerais. Alma Brasileira seria um grande projeto multimídia realizado pelo grupo catalão La Fura dels Baus em torno do compositor Heitor Villa-Lobos. A realização, que teria um custo de R$ 5 milhões, seria integralmente bancada pelo Ministério da Cultura (leia mais sobre o Alma Brasileira aqui). Já em dezembro passado, na coletiva de imprensa para apresentação da temporada 2016 do Theatro Municipal, John Neschling, questionado, havia comunicado o cancelamento do projeto.

Na sexta-feira passada, dia 18 de março, o ministro Juca Ferreira divulgou nota sobre os superfaturamentos do Theatro Municipal e sobre o projeto Alma Brasileira, em que sustenta que não foi feito nenhum aporte ao projeto uma vez que “os realizadores se negaram a detalhar gastos no valor de R$ 3.299.980,00 que estavam alocados para pagamento da empresa Old and New Montecarlo” (leia a íntegra da nota abaixo). Por sua vez, o Secretário Nunzio Briguglio Filho afirmou ao jornal Folha de S. Paulo que não teve nenhuma participação na decisão de contratar ou realizar o espetáculo.

Ontem, dia 19 de março, o maestro John Neschling publicou um post em sua página do Facebook, refutando as acusações. “É curioso que se dê ouvidos a um ladrão confesso que tenta, para seu próprio benefício acusar maldosamente quem nunca participou de suas falcatruas. Certamente é sua forma de se vingar, uma vez que fui eu quem procurou o prefeito da cidade para alertá-lo da necessidade de uma investigação, quando suspeitei de que as coisas não estavam corretas na administração da Fundação e do IBGC, entidade privada que a administra”, escreve o diretor artístico (leia a íntegra do post abaixo).

Por conta das investigações, em 26 de fevereiro passado o prefeito Fernando Haddad determinou uma intervenção no IBGC, que desde então está sendo conduzido por Paulo Dallari, atual diretor geral da Fundação Theatro Municipal de São Paulo.



Nota do ministro Juca Ferreira sobre superfaturamento no Theatro Municipal de São Paulo e o projeto Alma Brasileira

A confirmação de ações de superfaturamento nas contratações artísticas do Instituto Brasileiro de Gestão Cultural (IBGC) para a realização de espetáculos do Theatro Municipal de São Paulo deixou a todos nós, do Ministério da Cultura (MinC) e da comunidade artística e cultural, estupefatos e indignados.

Em primeiro lugar, é preciso parabenizar a Controladoria Geral do Município de São Paulo (CGM) pela investigação realizada dentro da lei e dos referenciais do Estado democrático de direito, que permitiu identificar, com eficiência e eficácia, as ações do ex-diretor José Luiz Herência. A investigação deverá levar à punição de todos os responsáveis pelos desvios. São pessoas que traíram um importante projeto de valorização da música sinfônica, construído dentro de uma gestão cultural vitoriosa e de alto nível, com grande repercussão no país e em várias partes do mundo. Um projeto que não pode e nem deve ser interrompido em função destes malfeitos.

Sobre o projeto Alma Brasileira

O Ministério da Cultura via o projeto Alma Brasileira, proposto pela Fundação Theatro Municipal, como importante para a divulgação da obra de Villa Lobos e havia decidido apoiá-lo por meio de convênio com a Fundação.
Porém, na tramitação do convênio, os realizadores se negaram a detalhar gastos no valor de R$ 3.299.980,00 que estavam alocados para pagamento da empresa Old and New Montecarlo. Nós, do MinC, nos recusamos a firmar o convênio sem que houvesse o detalhamento de tais gastos.
A negativa de detalhamento gerou um impasse, que só foi resolvido quando a própria Fundação Theatro Municipal, já sob a gestão de Paulo Dallari, atual diretor-geral do Municipal e que está no comando da sua intervenção, desistiu oficialmente do convênio.

Juca Ferreira
Ministro da Cultura


Post de John Neschling em sua página do Facebook

Esta semana foram publicadas algumas matérias sobre as investigações em curso pelo Ministério Público, referentes ao Theatro Municipal. Fiquei sabendo que meu nome apareceu na delação premiada do Sr. José Luiz Herência. O Sr. Herência é réu confesso e provocou um prejuízo incalculável, seja financeiro seja de imagem ao Theatro. Agora, para obter vantagens pessoais, tenta envolver meu nome no seu esquema criminoso. É curioso que se dê ouvidos a um ladrão confesso que tenta, para seu próprio benefício acusar maldosamente quem nunca participou de suas falcatruas. Certamente é sua forma de se vingar, uma vez que fui eu quem procurou o Prefeito da cidade para alertá-lo da necessidade de uma investigação, quando suspeitei de que as coisas não estavam corretas na administração da Fundação e do IBGC, entidade privada que a administra.

Antes mesmo de ler na imprensa que eu seria chamado a depor no caso em questão, coloquei-me à disposição do Ministério Público para esclarecer o que fosse necessário no que diz respeito à minha atuação nos últimos três anos como Diretor Artístico.

Tenho 50 anos de carreira como regente e administrador de instituições musicais no Brasil e no exterior e jamais pairou sobre mim qualquer suspeita de malfeito. Os fatos serão sem dúvida esclarecidos e a verdade virá à tona com toda a sua transparência. Enquanto isso, continuarei a buscar a excelência para o Palco de São Paulo, com a consciência tranquila, e mesmo enfrentando todas as dificuldades que nos estão sendo impostas pela ação criminosa dos que buscaram vantagens pessoais e que tentam, certamente sem sucesso, envolver quem trabalha séria e honestamente.

[Notícia editada às 17h40 de 20/03/2016.]



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