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Olivier Toni morre em São Paulo aos 90 anos (25/3/2017)

O professor e maestro Olivier Toni, uma das maiores personalidades musicais de nosso tempo, morreu esta manhã, em São Paulo. Apesar de problemas próprios da idade avançada, Toni acompanhou a atividade musical ativamente até as últimas semanas.

George Olivier Toni nasceu em São Paulo, em 1926. Estudou filosofia e música, tendo como mestres Martin Braunwieser, Camargo Guarnieri e H.-J. Koellreutter. Nos anos 1950 atuou como fagotista da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal de São Paulo.

Toni teve atuação determinante para a educação musical no Brasil, tendo sido criador da Orquestra Jovem Municipal, da Orquestra de Câmara da USP (Ocam), da Escola Municipal de Música e do Departamento de Música da ECA-USP, da qual foi professor titular. Toni também desenvolveu atividades de pesquisa da música colonial brasileira em Minas Gerais, o que levou à criação do Festival de Prados, que é realizado anualmente até hoje.

Além de sua atividade acadêmica, Olivier Toni foi também importante intérprete e compositor. Em fins da década de 1950, criou e dirigiu a Orquestra de Câmara de São Paulo, com a qual explorou repertórios antigos e contemporâneos, gravou discos e recebeu premiações. Como compositor, escreveu várias obras para as mais diversas formações, de instrumentos solistas à música orquestral e vocal.

De personalidade marcante, politicamente engajado e incansável batalhador de seus ideais, Toni marcou decisivamente a atividade musical brasileira de nosso tempo. Entre alunos e discípulos que teve figuram artistas como Régis Duprat, Gilberto Mendes, Willy Corrêa de Oliveira, Mário Ficarelli, Rodolfo Coelho de Souza, Flo Menezes, Rubens Ricciardi e Cláudio Cruz, entre muitos outros.

Olivier Toni também foi grande amigo e incentivador da Revista CONCERTO. Em sua última entrevista à publicação, em outubro de 2014, por ocasião do lançamento pelo Selo Sesc de um CD integralmente dedicado a suas obras, questionado sobre qual seria o fio condutor que unia as peças, respondeu, bem a seu modo: “O CD tem um problema existencial, que é o Toni compositor. Às vezes eu durmo, acordo e estou escrevendo música. Numa época em que eu dava aulas para Gilberto, Willy e outros, ensinava com um teor dodecafônico muito grande. E percebi, em determinado momento, que o exagero com o dodecafonismo estava ficando igual às terceiras paralelas de Bellini, de Donizetti. Então comecei a pensar: “O que eu escrevo?”. Com doze notas? Não. Vou começar a usar menos notas, mesmo que eu me aproxime do modalismo. O CD está quase todo com menos notas do que o comum. Eu continuo pensando em como escrever muito com pouco. Descobri há bastante tempo a pintura chinesa, na qual você vê uma pequena árvore numa paisagem e mais nada, não está cheio de coisa. Então eles têm o Yin e o Yang, que significa vivo e vazio. Que maravilha, vazio e vivo! O que é o contrário? Cheio e morto, como muitos jovens estão escrevendo”.

Olivier Toni será velado das 14 às 20 horas no Cemitério do Araçá (Av. Dr. Arnaldo, 666 – Cerqueira César). Em seguida, o corpo seguirá para o Crematório da Vila Alpina.



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