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Com mudança de rota, Theatro São Pedro reforça viés “de formação”; Jazz Sinfônica vai para o Memorial da América Latina (8/5/2017)

Em coletiva de imprensa realizada no início desta noite na Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, o secretário adjunto Romildo Campello esclareceu as recentes mudanças ocorridas com a gestão do Theatro São Pedro e da Jazz Sinfônica. Como noticiado [leia aqui], após duas convocações públicas frustradas, a Secretaria não prorrogou o contrato do Instituto Pensarte, passando a gestão do teatro para a OS Santa Marcelina Cultura, entidade que cuida da Emesp (Escola de Música do Estado de São Paulo) e do Projeto Guri Capital e Grande São Paulo. Segundo Campello, a Procuradoria do Estado não aprovou uma nova prorrogação do contrato com o Instituto Pensarte, que gerenciava o teatro havia 5 anos e cujo contrato já havia sido prorrogado emergencialmente uma vez. “Uma nova prorrogação poderia caracterizar improbidade administrativa”, explicou o secretário adjunto.

Acompanhado do diretor artístico-pedagógico da Santa Marcelina Cultura, Paulo Zuben, Campello afirmou que a solução encontrada reforçará o papel educacional do Theatro São Pedro, que atuará na esfera da formação de profissionais, na de formação de público e na produção de óperas. Segundo a secretaria, a fusão dos contratos contribuirá para uma racionalização de despesas e evitará a sobreposição de ações – o exemplo citado foi a Academia de Ópera do Theatro São Pedro, cujo projeto perseguiria os mesmos objetivos do Ópera Estúdio da Emesp. “Vimos que há absoluta aderência da vocação educacional da Santa Marcelina com o que era feito no Theatro São Pedro”, afirmou o secretário. Questionado se a solução não significaria o fim do projeto original do Theatro São Pedro – que é o de ser o teatro de ópera do estado de São Paulo –, Campello afirmou ver na decisão adotada um reforço para a atividade lírica do teatro, acrescida de uma dimensão educacional importante para a política cultural do estado.

Campello garantiu que será mantido exatamente o mesmo plano de metas para o teatro, com o mesmo número de óperas, récitas, apresentações de música de câmara e demais atividades previstas no contrato original do Instituto Pensarte. O orçamento para o ano de 2017 será de R$ 7, 4 milhões, e a incorporação pela Santa Marcelina Cultura significará uma economia de cerca de R$ 3 milhões.

A Orquestra do Theatro São Pedro será reduzida a 33 músicos profissionais, o que significará a demissão de 19 integrantes do conjunto atual. Os postos serão ocupados por alunos bolsistas da Emesp. “Não creio que haverá perda de qualidade”, afirmou Zuben, lembrando que o orçamento disponível impõe a readequação do conjunto. Já os músicos da Orquestra do Theatro São Pedro reagiram às demissões, afirmando que o governo promove um desmonte do grupo, a “única orquestra especializada em ópera em atividade no Brasil”. Na opinião do músicos, o fato de os cargos serem preenchidos por bolsistas “consiste em uma descaracterização da profissão, privilegiando os subempregos, lamentavelmente uma tendência no cenário musical nacional atual”.

Serão realizadas 5 óperas por ano (portanto até o fim do ano mais quatro, já que Gianni Schicchi foi apresentada em abril). Mas o teatro não manterá o diretor artístico, o diretor de cena e os demais profissionais técnicos contratados para a temporada lírica. “As produções serão realizadas por empreitada, como projetos, e os profissionais serão contratados para cada uma das produções. Não faz sentido manter toda uma equipe contratada para a produção de apenas 5 óperas durante o ano”, disse o diretor da Santa Marcelina Cultura.

Questionado sobre os severos cortes que a Cultura e o Theatro São Pedro enfrentaram nos últimos anos, Romildo Campello afirmou que não pode responder pelo que já passou, que acredita que a fusão dos contratos beneficiará a música e os músicos (“vamos economizar sobretudo na parte administrativa”) e que a busca por novos recursos, sejam governamentais ou de outras fontes, é preocupação constante da secretaria.

Em 2017, o São Pedro, um dos teatros mais preciosos do estado de São Paulo, completa 100 anos de existência. E a decisão da secretaria da Cultura, de incorporar o teatro ao contrato da Santa Marcelina Cultura, significa uma mudança de rota. Há pelo menos 10 anos a casa vinha afirmando, com cada vez mais competência, sua vocação como teatro de ópera profissional voltado para a divulgação e difusão do repertório lírico.

Jazz Sinfônica vai para o Memorial da América Latina

A Jazz Sinfônica, grupo que havia restado no contrato do Instituto Pensarte após a Secretaria ter liquidado as atividades da Banda Sinfônica no início do ano, será realocada para o Memorial da América Latina (e não mais para a Fundação Padre Anchieta, como incialmente previsto). “A Jazz Sinfônica tem um perfil diferente que o perfil de formação do Theatro São Pedro e de sua orquestra. Ela tem um perfil de execução, que cabe muito melhor no Memorial da América Latina”, afirmou Romildo Campello.

O secretário adjunto garantiu que o orçamento integral da Jazz será mantido e que não haverá demissão de músicos. A Jazz Sinfônica deverá seguir ensaiando no Teatro Caetano de Campos até dezembro, quando o Auditório Simón Bolívar, do Memorial da América Latina, estiver reformado e pronto para uso.



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