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Violinista israelense toca com a Osesp [prepare-se para o concerto] (24/3/2010)

O violinista Hagai Shaham faz sua estreia sulamericana nesta semana, dentro da programação de março da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Além dele, a mezzo soprano Adriana Clis também é solista nas apresentações dos dias 25, 26 e 27 na Sala São Paulo, que conta ainda com a direção do colombiano Alejandro Posada, atual regente principal da Sinfônica de Castilla y León.

No repertório, o Bolero de Maurice Ravel, El Sombrero de Tres Picos do espanhol Manuel de Falla, Baal Shem, do suíço-americano Ernest Bloch e Cenas da Csarda nº 4 e 5, do húngaro Jeno Hubay.

PREPARE-SE PARA O CONCERTO
Assista ao vídeo do violinista Hagai Shaham, selecionado pela CONCERTO, e leia abaixo os textos e biografias das peças e solistas, em informações gentilmente cedidas pela Osesp.

[Hagai Shaham interpreta Tambourin Chinois, Op. 3 de Fritz Kreisler]


Manuel De Falla
El Sombrero de Tres Picos
Duração aproximada 37 minutos / Ano da composição 1917-19

Considerado o maior compositor espanhol do século XX, Manuel de Falla iniciou a carreira escrevendo zarzuelas (operetas espanholas) e consolidou sua formação em Paris, entre 1900 e 1920. O musicólogo alemão Egon Voss diz que De Falla, mesmo não tendo criado composições revolucionárias, soube aproveitar valores que despontavam na época. Ideologicamente compartilhava das ideias do racionalismo musical; esteticamente, pendia ao neoclassicismo; tecnicamente, à harmonia impressionista e, por fim, a uma escrita inspirada no Renascimento espanhol. O legado do compositor não é extenso — fruto de uma autocrítica que só lhe permitia entregar ao público resultados que considerasse perfeitos. Entre suas partituras mais conhecidas destacam-se Noites no Jardim de Espanha e os balés El Amor Brujo e El Sombrero de Tres Picos (O Chapéu de Três Bicos), considerado sua última partitura de caráter nitidamente nacionalista. A versão completa estreou em 1919 no Alhambra Theatre de Londres, com cenários de Picasso. O libreto trata de uma singela história, na qual um moleiro e sua mulher ludibriam um devasso corregedor do governo —cujo símbolo de autoridade era o chapéu de três bicos. Marcada por intensidade e otimismo, é uma obra divertida e bem humorada. De Falla não teme, por exemplo, ironizar o severo Beethoven, fazendo referência às quatro famosas notas da Quinta Sinfonia — “o tema do destino” — que anunciam que os aguazis chegaram à casa do moleiro para levá-lo preso. Uma fina dose de ironia a Stravinsky também perpassa toda a obra.

Ernest Block
Baal Shem
Duração aproximada 14 minutos / Ano da composição 1939

Nascido na Suíça, Bloch estudou na Bélgica e na Alemanha; morou em Genebra, Paris, Roma e EUA. Estudou violino em Genebra, com Émile Jacques-Dalcroze; em Frankfurt, com Iwan Knorr; em Bruxelas, com o violinista, regente e compositor Eugène Ysaÿe. Aos 20 anos, alguns de seus trabalhos já haviam sido apresentados. Em 1910, sua ópera Macbeth foi montada na Opéra Comique, em Paris. Nessa época aproximou-se da companhia de dança de Maud Allan, que o contratou como regente de sua orquestra e o levou a uma turnê pelos EUA. A companhia faliu logo e Bloch começou a dar aulas de música para sobreviver. Naturalizado americano, trabalhou na Mannes School, de Nova York; no Instituto de Música de Cleveland e no Conservatório de São Francisco, até fixar-se em Portland, onde conseguiu dedicar-se à composição. Foi um artista fascinado pelo comportamento da religião judaica e usou diversos cânticos e melodias em suas criações. Este Baal Shem – Três Cenas da Vida Hassídica (“À memória de minha mãe”), foi escrito para violino e piano em 1923 e orquestrado em 1939. O título se refere ao fundador do moderno movimento hassídico, o rabino Israel ben Eliezer, conhecido como Baal Shem Tov —literalmente o “Mestre do (Divino) Nome de Deus” — que acreditava num elo direto com Deus por meio do canto e da dança. O primeiro movimento refere-se à confissão de quem ora no leito da morte. O segundo é, provavelmente, a mais famosa peça de Bloch para violino. Já o terceiro evoca a festa que marca o fim do ciclo anual de leituras do Pentateuco, quando o livro sagrado é carregado pela sinagoga em uma alegre procissão com danças e cânticos.

Jeno Hubay
Cenas da Csarda: nº4 e 5
Duração aproximada 10 minutos / Ano da composição: 1882-87

Eugen Huber nasceu numa família alemã de músicos radicados na Hungria. O modo húngaro de ser conduziu sua longa vida e o incentivou a traduzir seu nome original para o idioma pátrio: Jeno (Eugen) Hubay (Huber). Violinista, compositor e professor de renome, recebeu os primeiros ensinamentos do pai, Karl, diretor da Ópera Nacional Húngara e mestre da Academia de Música de Budapeste. Habilidoso e intuitivo, já aos 11 anos Hubay deu o primeiro concerto público como violinista. Aos 13, mudou-se para Berlim e lá ficou durante cinco anos. Incentivado por Liszt, Hubay debutou em Paris. No dia desse evento, Vieuxtemps (violinista virtuose e compositor de sucesso) estava na plateia: tão impressionado ficou com a apresentação, que se transformou logo em conselheiro, amigo e responsável pela admissão de Hubay como chefe do departamento de estudos de violino no Instituto de Música de Bruxelas. O retorno de Hubay à Hungria foi glorioso: em 1886, assumiu o lugar do pai na direção da Academia de Música de Budapeste. A essa altura já era compositor consagrado. Em sua trajetória, deixou óperas, duas sinfonias, concertos para viola e para violino, peças de câmara e obras curtas para violino, além das czardas. As Cenas da Csarda nº 4 e 5 seguem a concepção clássica do gênero: uma dança húngara do final do século XIX, construída sobre ritmos simples e com temas recorrentes.

Maurice Ravel
Bolero
Duração aproximada: 16 minutos / Ano da composição: 1928

Muitas vezes apontado pela crítica como o “último grande clássico” da história da música, Ravel foi a princípio considerado revolucionário nos círculos tradicionalistas. Sua obra sofreu influências diversas, incluindo Liszt, Chabrier, Debussy, Satie, o folclore espanhol, compositores clássicos e barrocos, jazz, Stravinsky, Borodin, Mussorgsky e Rimsky-Korsakov, representantes da música do passado como Mozart e Couperin etc. De origem basca, Ravel reporta-se constantemente a motivos ligados à região. São marcantes a ópera L’Heure Espagnole e a Rapsodie Espagnole, lado a lado com La Valse, os balés Daphnis et Choé e o Bolero. Música de balé frequentemente ouvida nas salas de concerto, Bolero foi encomendado pela coreógrafa Ida Rubinstein. Segundo Ravel, “é uma dança de andamento bem moderado e constantemente uniforme, tanto pela harmonia quanto pelo ritmo, marcado sem cessar pelo tambor”. A estrutura formal é clara e simples: sobre uma fórmula muito simples do baixo e um ritmo de bolero de dois compassos, repetidos do início ao fim, desenvolvem-se dois trechos de melodia. A harmonia oscila por semitons em torno do Lá central. Durante 328 compassos, até o clímax, é mantido tal princípio — que só se altera, surpreendentemente, bem no fim. O Bolero permanece até hoje como a obra mais popular de Ravel.
Resumos baseados nos originais escritos pelo professor Marino Maradei Jr. para o programa de concertos da Osesp.

Alejandro Posada regente - primeira vez com a Osesp

Regente principal da Sinfônica de Castilla y León, o maestro colombiano tem se apresentado por toda Europa e América Latina. Foi o regente principal da Filarmônica e da Orquestra de Câmara de Sarajevo, da Filarmônica de Belgrado e de outras orquestras e grupos de câmara na Áustria, Alemanha e Hungria. Regeu também em Washington, Taiwan, Espanha, Costa Rica, Venezuela, El Salvador, Chile, República Dominicana, México e, desde 1996, é regente associado da Sinfônica da Colômbia. Estudou regência orquestral e coral em Viena e ganhou o prêmio de excelência do Ministério Austríaco da Ciência e Pesquisa. Entre outras premiações, destacam-se o primeiro lugar no Concurso para Jovens Regentes da Orquestra de Câmara de Viena e o segundo prêmio no Concurso Internacional em Cadaqués. Também recebeu um prêmio especial no Concurso Internacional de Regência Nicolai Malko, em Copenhagen.

Adriana Clis mezzo soprano - Última vez com a Osesp em abr/2008 na Cantata nº 147 de Johann Sebastian Bach

Presença constante nas temporadas das maiores orquestras do Brasil, tais como a Osesp, as sinfônicas Municipal de São Paulo, da USP, Brasileira, do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, de Brasília, Orquestra da Petrobras Sinfônica, Orquestra Experimental de Repertório, Amazonas Filarmônica e Banda Sinfônica de SP. Na Europa, cantou em Bellegarde, Sévres e Paris (França) e em Berlim (Alemanha). Conquistou o primeiro lugar nos concursos de Canto de Araçatuba (1996), Internacional Honorina Barra (Curitiba, 1998), Nacional de Música de Câmara Henrique Nirenberg (RJ, 1999), Jovens Solistas Eleazar de Carvalho (2002) e o Internacional de Canto Bidu Sayão (Belém, 2003). Além disso, recebeu o Prêmio Carlos Gomes 2002, na categoria Revelação e, em 2004, foi uma das finalistas das audições para Novas Vozes Líricas do Teatro Colón de Buenos Aires, onde integrou a temporada de 2005 na ópera As Valquírias de Wagner. Estudou canto na Faculdade Carlos Gomes e com Regina de Boer, Carmo Barbosa, Leilah Farah e Eiko Senda. Aperfeiçoou-se com Klara Kadinskaia, no Conservatório Tchaikovsky, em Moscou. Pela Fundação Vitae, estudou em Milão, com o maestro Pier Miranda Ferraro, da Academia Lírica Italiana. Atualmente tem como preparador o pianista Ricardo Ballestero.

Hagai Shaham violino - Primeira vez com a Osesp

Começou a estudar violino com seis anos de idade e foi o último aluno de Ilona Feher. Estudou ainda com Elisha Kagan, Emanuel Borok, Arnold Steinhardt e o Quarteto Guarneri. Em 1990, ao lado de Arnon Erez, ganhou o primeiro prêmio no Concurso Internacional de Música ARD, em Munique, na categoria Duo Violino-Piano. Além desse, ganharam os primeiros prêmios dos concursos Ilona Kornhouser, da Academia Rubin de Tel-Aviv, quatro Clairmont Awards e uma bolsa de estudos da Fundação Cultural Americana-Israelita. Apresentou-se com as principais orquestras do mundo, incluindo as filarmônicas da BBC, Real de Liverpool, Eslovaca e de Israel (com Zubin Mehta), as sinfônicas Nacional da Irlanda, Francesa, de Taipei, Singapura e Xangai, a Orquestra de Câmara Inglesa e a Nacional da Bélgica. Em 1985, tocou ao lado de Isaac Stern e Pinchas Zukerman em um concerto no Carnegie Hall, depois sendo convidado por Mehta para tocar na mesma sala. Em 2006, apresentou este mesmo trabalho com Mehta e o violoncelista Mischa Maisky no 70º aniversário da Filarmônica de Israel. Viaja regularmente por toda Europa, Américas Central e do Norte e se apresenta em festivais e recitais internacionais. Gravou para os selos Decca International, Chandos, Biddulph, Naxos, Classic Talent, AVIE e Hyperion. É membro da Escola de Música de Thornton da Universidade da Califórnia do Sul. É cofundador da Fundação Ilona Feher.

Osesp
Quinta, 25/3 (21h); Sexta, 26/3 (21h); Sábado, 27/3 (16h30).
Preços: de R$ 36 a R$ 122
Aposentados, pessoas acima de 60 anos, estudantes e professores da rede pública têm 50% de desconto, mediante comprovação
Recomendação etária: 7 anos
Cartões de crédito: Visa, Mastercard, American Express e Diners.
Ingressos também pela Ingresso Rápido 4003-1212 - http://www.ingressorapido.com.br/
Estacionamento: 610 vagas (592 comuns e 18 para Portadores de Necessidades Especiais) - R$ 10.
Sala São Paulo (1484 lugares) – Pça. Júlio Prestes 16 – T 11 3223-3966.



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