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Karabtchevsky volta a reger a Osesp [prepare-se para o concerto] (8/4/2010)

Um dos maestros de maior destaque da cena musical brasileira, Isaac Karabtchevsky volta a reger a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo esta semana, em um concerto que inclui a Abertura Grande Páscoa russa de Rimsky-Korsakov, a Rapsódia sobre um tema de Paganini de Rachmaninov, com o pianista Jean-Louis Steuerman, e duas obras de Villa-Lobos: a Bachianas brasileiras nº 4 e, pela primeira vez, Mandú-Çarará – cantata profana baseada em lendas de índios do Amazonas, com os coros sinfônico e infantil da Osesp.

Além dos concertos dos dias  8, 9 e 10 de abril, o maestro – que é diretor artístico da Petrobras Sinfônica, da Sinfônica de Porto Alegre e da Orchestre National des Pays de La Loire – realiza com a Osesp, no dia 11, domingo, às 11h, uma apresentação gratuita na série Concertos Matinais, também na Sala São Paulo.

Prepare-se para o concerto: assista ao vídeo com o maestro e leia abaixo as notas de programa e biografias.

[Assista ao maestro Karabtchevsky.]


Nikolai Rimsky-Korsakov
Abertura Grande Páscoa russa, Op.36

Duração aproximada: 14 minutos
Ano da composição: 1888

Nesta abertura, Rimsky-Korsakov tentou reproduzir “a impressão da missa na manhã de Páscoa, numa grande catedral apinhada de gente de todas as classes, [...] o aspecto legendário e pagão desta festividade, e a transição da solenidade e mistério da noite do Sábado de Aleluia para as irrefreáveis celebrações pagãs-religiosas da manhã de Páscoa”. De fato, a Páscoa ortodoxa reveste-se de um ânimo visceral bem distante da Páscoa católica, e cria um contraste marcante com o mistério da Semana Santa.
Para tornar mais vívida sua evocação, o autor baseou-se majoritariamente em temas extraídos de uma antiga coleção de cantos ortodoxos chamada Obikhod. A introdução da obra é dominada por dois hinos, um entoado pelos sopros e o outro pelo violoncelo. As cadências do violino e da flauta representam a luz emanando do Sepulcro no momento da Ressurreição. O allegro que se segue representa os festejos matinais, com o bimbalhar de sinos, ao final combinado com mais temas litúrgicos e com os temas da introdução num clímax epifânico.


Sergei Rachmaninov
Rapsódia sobre um tema de Paganini, Op.43

Duração aproximada: 22 minutos
Ano da composição: 1934

A Rapsódia sobre um tema de Paganini tem um forte componente de burla. Primeiro, por não ser uma rapsódia, mas sim um tema com variações, bem fundamentado nos exemplos de Beethoven e Tchaikovsky. Essas variações agrupam-se em unidades maiores, que dão a impressão de constituir os três movimentos de um concerto convencional. O tema, um favorito para a função, pelo seu contorno esbelto e neutralidade expressiva, só é apresentado depois da primeira variação.
Escrita rapidamente entre julho e agosto de 1934, a Rapsódia foi estreada em novembro do mesmo ano com o Rachmaninov ao piano, à frente da Orquestra de Filadélfia sob regência de Leopold Stokowski.


Heitor Villa-Lobos
Bachianas brasileiras nº 4

Duração aproximada: 22 minutos
Ano da composição: 1941

A série de nove Bachianas brasileiras concentra num gesto unificado uma série de elementos que Villa-Lobos já havia abordado em outras obras, mas não tinha conseguido ainda esmiuçar e concatenar em uma fisionomia reconhecível. A Bachianas nº 4, originalmente escritas para piano e orquestradas em 1941, trazem alguns dos maiores achados do compositor. Em todos os quatro movimentos, Villa-Lobos sugere espaço, vastidão, vida borbulhante, com a orquestração que soa cheia numa partitura magra, sem enchimentos e dobramentos desnecessários.

Mandú-Çarará

Duração aproximada: 20 minutos
Ano da composição: 1940

É um mistério o porquê de uma obra tão espetacular ser praticamente desconhecida. Mandú-Çarará pertence a um grupo de peças como A floresta do Amazonas ou Descobrimento do Brasil, em que Villa-Lobos conjuga o tratamento coral com outros gêneros, sem abdicar da opulência orquestral. Evidentemente, Mandu-Çarará é uma cantata profana, mas a partitura de piano traz o subtítulo “Bailado”, apesar de não haver registro de que ela tenha sido apresentada sob essa forma.
Mandu-Çarará é o deus da dança. Um índio abandona seus filhos no meio da floresta para que a menina se case com Mandu-Çarará, mas eles se perdem e acabam por se encontrar com o Curupira, que quer atraí-los para sua cabana e devorá-los. Eles enganam o Curupira, entram em sua cabana, matam sua mulher, jogam-na num tacho de guisado e fogem. O Curupira come o guisado e sai à caça das crianças, mas quando sua própria barriga responde a seus gritos ele percebe que devorou sua mulher. Os espíritos da floresta se entristecem com ele e as crianças conseguem encontrar o caminho de volta à aldeia, onde Mandu-Çarará espera para festejarem juntos, numa apoteose de dança e brincadeira.
Na obra, Villa-Lobos estabelece o contraste entre o estilo soturno do coro adulto, representando o Curupira, e a leveza serelepe do coro infantil, num texto em nheengatu de forte caráter onomatopéico. A exuberância da floresta é retratada pela polifonia e pelas várias camadas de atividade sonora simultâneas.

Resumos baseados nos originais escritos pelo violonista, regente e professor Fabio Zanon para o programa de concertos da Osesp.


Isaac Karabtchevsky regente
Última vez com a Osesp em abril de 2009
Desde 2004, Isaac Karabtchevsky é o diretor musical da Orchestre National des Pays de La Loire, na França, e, no Brasil, diretor artístico das orquestras Petrobras Sinfônica do Rio de Janeiro e da Sinfônica de Porto Alegre. Em 2007, recebeu do Ministro da Cultura da França o título de Cavaleiro das Artes e das Letras. Na Áustria, em virtude de sua importante atividade em Viena, recebeu a comenda Grande Mérito à Cultura, reconhecimento concedido pela primeira vez a um artista brasileiro.
De 1969 a 1996, participou ativamente da vida musical brasileira, dirigindo a Orquestra Sinfônica Brasileira, com a qual realizou duas importantes turnês internacionais, pela Europa e pelos Estados Unidos. Foi também diretor artístico da Tonkünstler de Viena, realizando várias turnês internacionais.
Sua carreira internacional levou-o a dirigir concertos e óperas em teatros e orquestras de grande prestígio, tais como Staatsoper e Musikverein (Viena), Concertgebouw de Amsterdã, Royal Festival Hall de Londres e Sala Pleyel de Paris. Regeu ainda no Kennedy Center de Washington e no Carnegie Hall de Nova York. Na Itália, apresentou-se nos teatros de Palermo e Communale de Bolonha, na Accademia Nazionale di Santa Cecilia (Roma) e na Orquestra Sinfônica da RAI de Turim.
De 1995 a 2001, Isaac Karabtchevsky foi diretor musical do Teatro La Fenice de Veneza, onde dirigiu importantes produções operísticas.

Jean-Louis Steuerman piano
Última vez com a Osesp em outubro de 2003, no Concerto nº 2 Para Piano de Villa-Lobos
Nascido em uma família de músicos, o carioca Jean-Louis Steuerman começou os estudos de piano com quatro anos de idade e, aos 14, estreou com a Orquestra Sinfônica Brasileira. Em 1967 ganhou uma bolsa de estudos do Conservatório de Nápoles e transferiu-se para Europa.
Conquistou o segundo prêmio na Competição J.S. Bach em 1972, em Leipzig; estreou nos BBC Proms em 1985 com o Concerto em ré menor de Bach. Desde então, esteve à frente das sinfônicas de Londres, Basel, Berlim, Milão, City of Birmingham, Baltimore, Indianápolis, Bournemouth Sinfonietta; filarmônicas Real de Londres, Real de Liverpool, da Flórida, Helsinque, Nouvel Orchestre, além da Orquestra de Câmara Inglesa, Hallé, Tonhalle de Zurique, Orquestra de Câmara da Polônia e Gewandhaus de Leipzig.
Apresentou-se por toda a Europa, América do Norte e Japão, tendo participado de importantes séries de recitais nos três continentes, com regentes como Claudio Abbado, Kurt Masur, Heinz Holliger, entre outros.
Sua discografia inclui as Variações Goldberg de Bach (Act Sud), The Age of Anxiety de Bernstein (Naxos) e as Bachianas brasileiras nº 3 de Villa-Lobos (BIS). Para o selo Philips, gravou as sonatas para piano de Scriabin, a obra completa para piano e orquestra de Mendelssohn com a Orquestra de Câmara de Moscou, concertos para piano de Bach, com a Orquestra de Câmara da Europa e as seis partitas de Bach – por esse CD, recebeu o Diapason d’Or. Gravou ainda as três suítes para piano de Girolamo Arrigo, bem como as obras completas para piano de Othmar Schoeck.


 



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