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Roberto Minczuk volta a reger a Osesp [Prepare-se para o concerto] (20/4/2010)

Após sair da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo em 2005, o maestro Roberto Minczuk - hoje diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica Brasileira e da Filarmônica de Calgary, além de diretor artístico do Theatro Municipal do Rio de Janeiro – volta a reger a Osesp nesta semana, dias 22, 23 e 24 de abril, em três apresentações com a Abertura Zur Namensfeier de Beethoven, a Sinfonia nº 1, Titã, de Mahler e uma homenagem aos 20 anos do violinista Cláudio Cruz no posto de spalla da Orquestra, com a estréia mundial do Concerto para Violino de Ronaldo Miranda, obra encomendada pela Osesp e dedicada ao violinista.

Os concertos marcam ainda o lançamento do CD gravado por Cláudio Cruz com a Osesp, que inclui os concertos para violino de Bruch e Tchaikosky.

Prepare-se para o Concerto: veja os vídeos de Roberto Minczuk e Claudio Cruz e leia abaixo as notas de programa e biografias.

[Assista ao vídeo com com o maestro Roberto Minczuk]
[Assista à performance de Cláudio Cruz com a Osesp]
[Leia matéria sobre Roberto Minczuk na edição de abril da Revista CONCERTO]
[Veja detalhes no Roteiro Musical]


Ludwig van Beethoven
Abertura Zur Namensfeier, Op.115

Duração aproximada 8 minutos
Ano da composição 1814-15

Beethoven pertence ao grupo relativamente pequeno de compositores que obtiveram glória e pleno reconhecimento em vida. Não desprezou as influências de sua época: os ventos italianos sopravam em Viena e ele os absorveu com elegância e savoir-faire. (Basta citar o tempo lento da Sonata em lá sustenido maior, Op.110, que nos remete ao célebre Adagio de Albinoni.) A essência da linguagem beethoveniana está, contudo, calcada na tradição cultural alemã, dos ensinamentos absorvidos de Haydn ao contato com artistas e intelectuais de seu país, como o poeta Friedrich Schiller (1759-1805), cujos versos o compositor utilizou na “Ode à Alegria”, movimento final da Nona Sinfonia. Esboços dessa obra já começaram a aparecer uma década antes; Beethoven articulava suas ideias temáticas e as reutilizava e, assim, antecipou referências sonoras à Nona Sinfonia na Abertura Zur Namensfeier (Festa do Dia), peça raramente executada. A obra deveria estar pronta em outubro de 1814, mas só foi concluída meses mais tarde, estreando em Viena no Natal de 1815.


Ronaldo Miranda
Concerto para Violino e Orquestra

Duração aproximada 23 minutos
Ano da composição 2009

Composto em 2009, por encomenda da Osesp, o Concerto para Violino e Orquestra divide-se em quatro movimentos, apresentando um discurso sonoro em que convivem livremente atonalismo e neotonalidade. O primeiro movimento — “Prólogo” — coloca logo em destaque o violino solista, pontuado por intervenções orquestrais de caráter pontilhista. “Discurso” é um exemplar bem condensado da “forma sonata” [em linhas essenciais: exposição (com dois temas) / desenvolvimento / reexposição, com os respectivos contrastes de tonalidade]. O Tema A inicial é enérgico e incisivo, exibindo o violino solista num motivo discursivo e retórico, entre acordes rebatidos pela massa orquestral, enquanto o Tema B é lírico e melódico, com seus longos e sinuosos enunciados divididos entre orquestra e solista. “Reflexão” é o título do terceiro movimento, onde atmosferas contrastantes se sucedem sem maiores compromissos formais, tal como um intermezzo livre e repleto de especulações tímbricas.
O quarto e último tempo, “Epílogo”, estabelece variações contínuas, em forma de paráfrase, para o tema popular brasileiro Estrela Brilhante, um ponto de macumba também conhecido como Estrela do Mar. Timbre, melodia, ritmo e harmonia são trabalhados nas várias propostas de variação. Uma brilhante cadência para o violino precede a relembrança do tema principal, seguido de uma coda bastante virtuosística. O Concerto é dedicado ao violinista
Cláudio Cruz.


Gustav Mahler
Sinfonia nº 1 em ré maior — Titã

Duração aproximada 53 minutos
Ano da composição 1885-88

Em sua longa carreira como regente, Mahler teve significativa passagem pela Ópera Real de Budapeste, onde estreou, em 1889, sua Primeira Sinfonia, sob seu próprio comando. A obra provocou controvérsias, de público e de crítica. Dizem os cronistas da época que a plateia não gostou do caráter irônico da “Marcha Fúnebre” do terceiro movimento: para um público que mal começava a se acostumar com as obras de Brahms e Bruckner, a nova peça trazia mesmo um excesso de informações novas. Na verdade, o tempo provou que a Sinfonia nº 1 de Mahler é uma obra especial, justamente pelo seu contraste e pela sua fragmentação formal. O primeiro movimento tem caráter bucólico e pastoral, com citações dos Lieder eines fahrenden Gesellen, do próprio Mahler. O segundo tempo flui em estilo austríaco, com reminiscências de Schubert a Bruckner. Já no terceiro movimento, o compositor satiriza a tradicional marcha fúnebre a partir de citações distorcidas do cânone francês Frère Jacques. A intenção é inegável, e o próprio autor escreveu no programa da estreia a indicação: “A les Pompes Funèbres”. Mas o que seria uma melodia fúnebre aos poucos se transforma em sugestão de canto judaico, dança húngara ou até mesmo uma canção de cabaré em Berlim. Entra em cena então a seção central, em modo maior, que, em sua precisão germânica, mais parece um angelical acalanto ou um canto pastoral. Volta o insólito motivo fúnebre, com suas febris derivações, fechando em forma ternária o controvertido movimento. Finalmente, o último tempo desenvolve-se em estrutura rapsódica, com várias atmosferas contrastantes. A entrada do “Finale” explode em vigor e drama, como uma tempestade orquestral que desaba sobre o ouvinte. O primeiro tema, allegro energico, traz reminiscências do melhor Schumann sinfônico, enquanto o langoroso motivo que se expande a seguir nos remete ao melodismo wagneriano. As seções divergentes se sucedem até a conclusão apoteótica, com as cintilações dos metais.

Resumos baseados nos originais escritos pelo compositor e professor Ronaldo Miranda para o programa de concertos da Osesp.


Roberto Minczuk regente – Última vez com a Osesp em maio de 2005
Diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica Brasileira da Cidade do Rio de Janeiro e da Filarmônica de Calgary, além de ocupar o cargo de diretor artístico do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Atuou também como diretor artístico adjunto e regente associado da Osesp, da Sinfônica de Ribeirão Preto, regente titular da Sinfônica da Universidade de Brasília e diretor artístico do Festival de Campos do Jordão. Esteve à frente das filarmônicas de Nova York, Los Angeles, Israel, Londres, Royal Liverpool, Oslo, Hallé, Roterdã; das orquestras da Filadélfia, Cleveland e Minnesota; das sinfônicas de San Francisco, Saint Louis, Atlanta, Baltimore, Montreal, Toronto, Ottawa, BBC de Londres, Cardiff, Escocesa, Barcelona e da Rádio Holandesa e as nacionais da França, Lyon, Bélgica, Lille e Escócia. Apresentou-se com a Filarmônica de Londres em turnê pelos EUA e regeu as últimas produções de Os Sete Pecados Capitais e O Vôo de Lindbergh na Ópera de Lyon e no Festival Internacional de Edinburgh. Estreou nos EUA com a Filarmônica de Nova York em 1998, tendo sido convidado, em 2002, a assumir o posto de regente associado — cargo ocupado pela última vez por Leonard Bernstein. Entre os prêmios que recebeu estão o Martin Segall, Grammy Latino com o CD Jobim Sinfônico, Emmy, Prêmio Carlos Gomes, APCA como Melhor Regente, Prêmio TIM e Prêmio Bravo. Foi retratado no curta-metragem Introitus, veiculado no canal Bravo, Canadá. Em 2009, foi condecorado com a Medalha Pedro Ernesto, a mais alta comanda da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. Com a Filarmônica de Londres, gravou pela Naxos obras de Ravel, Piazzolla, Martin e Tomasi; com a Osesp, pelo selo BIS, sete CDs que incluem a integral das Bachianas Brasileiras, Danças Brasileiras e ainda quatro CDs com a Orquestra Acadêmica do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, com obras de Dvorák, Mussorgsky, Tchaikovsky, entre outros.

Cláudio Cruz violino
Iniciou-se na música com seu pai, o luthier João Cruz, e recebeu orientação de Erich Lehninger e Maria Vischnia, Joseph Gingold, Chaim Taub, Kenneth Goldsmith e Olivier Toni. Vencedor de diversos concursos no Brasil, foi premiado pela APCA em 1985 e 1997, ganhador do Prêmio Carlos Gomes em 2002 como camerista e 2006 como solista instrumental. Em 1991, estreou na Europa, tendo sido aclamado como “grande intérprete de Mozart” pelo jornal Berliner Morgenpost. Tem sido convidado a atuar na França, Itália, Alemanha, Áustria, Hungria, Japão, Croácia, Uruguai, Argentina, Chile e Estados Unidos. Spalla da Osesp desde 1990, foi primeiro violino do Quarteto Amazônia e ocupou por dez anos o cargo de diretor musical da Orquestra de Câmara Villa-Lobos. Foi professor nos festivais de Campos do Jordão, Londrina, Brasília, Itu, entre outros. Em intensa atividade como regente, apresentou-se com algumas das mais importantes orquestras brasileiras, destacando-se a Osesp, as sinfônicas Brasileira, Municipal de São Paulo, do Teatro Nacional de Brasília, Nacional do Rio de Janeiro, Bahia e Curitiba. Sua discografia inclui a gravação, na Itália, de obras de Oswald, Villa-Lobos, Krieger e Ronaldo Miranda; três CDs com a Orquestra de Câmara Villa-Lobos; com o Quarteto Amazônia, interpretando Villa-Lobos, Lorenzo Fernandez, Alexandre Levy, Carlos Gomes e Nepomuceno, além de obras da compositora croata Dora Pejačević e tangos de Piazzolla – este último ganhador do Grammy Awards em 2002. Lançou Campinas de Todos os Sons (2004); um CD de Sinfonias (Beethoven e Mozart), Coletâneas (2007) e 50 anos de Bossa Nova (2008) com a Sinfônica de Ribeirão Preto. Com a Osesp gravou os Concertos de Bruch e Tchaikovsky. Em 2009 gravou na Suíça a Sonata de Debussy e peças de Villa-Lobos com o pianista Michel Dalberto. Esteve à frente da Sinfônica das Américas (Flórida), a Metrópole Orkest (Holanda), Orquestra de Câmara de Osaka no Japão, Sinfônica de Avignon (França) entre outras. Foi regente titular da Sinfônica Municipal de Campinas (2003-05) e, desde 2005, é regente titular da Sinfônica de Ribeirão Preto.

 



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