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Arnaldo Cohen (1/4/2008)

Por Leonardo Martinelli

Se ter um grande pianista tocando em nossas salas de concerto já é motivo de sobra para comemoração, este mês de abril promete ser uma época de muitas alegrias para os fãs de Arnaldo Cohen. Tal alegria deve-se não apenas aos concertos com obras de Rachmaninov com os quais presenteará as audiências cariocas e paulistanas em suas apresentações com a OSB e a Osesp (com quem está preparando uma gravação da integral de seus concertos). Trata-se, também, do mês em que o pianista completará seus 60 anos de idade, no próximo dia 22. Natural do Rio Janeiro, Cohen encerra um perfil incomum em grandes concertistas, pois paralelamente a sua formação como pianista graduou-se também em violino pela UFRJ (ambos com nota máxima), além de deter uma graduação em engenharia que, para sorte nossa, não vingou em atividade profissional. Outra faceta sua é o trabalho de jornalismo e crítica musical que desenvolveu na grande imprensa brasileira e que podem ser agora lidos em seu site oficial (www.arnaldocohen.com). Apesar de sua essência brasileira, Cohen realizou toda sua trajetória no exterior, quando em 1981 radicou-se em Londres, tal como ocorrido com muitos outros músicos de sua geração. Atualmente, mesmo residindo nos EUA, Cohen está cada vez mais presente nos palcos brasileiros. Foi durante a rotina de ensaios e concertos junto à recém estruturada Osemg (Orquestra Sinfônica do Estado de Minas Gerais) que o pianista concedeu a seguinte entrevista à Revista CONCERTO.

 

 

 

Em 1972 você venceu, na Itália, o Concurso Busoni, a partir do qual sua carreira passou a ganhar projeção internacional. O que pensa dos concursos nos dias de hoje? Eles ainda cumprem sua função de revelar músicos de excelência?

Hoje, o número de concursos e concorrentes é muito maior que em 1972. No mundo, são mais de 3 mil jovens lutando por um lugar ao sol, disputando cerca de 400 concursos. Em um mercado em que a oferta é maior do que a procura, teoricamente, todos os concursos tentam cumprir essa função de revelar músicos de excelência. Mas são poucos os que propiciam isso, algo só encontrado nos eventos de maior prestígio e que conferem os melhores prêmios – não necessariamente em dinheiro, mas em contratos com importantes orquestras e sociedades de concertos.

 

Logo após o concurso você se radicou em Londres, de onde só sairia em 2004, transferindo-se para os EUA. Dada a freqüência com que o exílio mostra-se como alternativa aos nossos grandes músicos, em sua opinião, o que o Brasil não consegue proporcionar a um concertista?

Sou grato ao Brasil e, em especial, ao público que me segue há tantos anos. Acho que o Brasil proporciona muito aos seus músicos. Optei por morar fora pelo fato de 90% de minha atividade profissional se desenvolver no exterior. Isso não me impede de pensar em voltar um dia. Quem sabe, até lá, as pessoas poderão caminhar livres pelas ruas, sem medo de assalto, de uma bala perdida...

 

A partir de um certo ponto de sua carreira você passou a se dedicar de forma mais sistemática ao ensino de piano, estando atualmente na Universidade de Indiana. O que é ensinar música?

A dinâmica de uma aula depende sempre do grau de adiantamento do aluno. As aulas são individuais e nelas tudo é discutido: problemas técnicos, musicais, estilo, significado emocional da obra, etc. Na Universidade de Indiana, realizamos uma vez por semana master classes públicos, assistidos por outros alunos. Essas experiências são muito valiosas na preparação desses jovens para uma futura carreira profissional.

 

Paralelamente a sua carreira de concertista você realizou muita música câmara com renomados grupos, tais como seu trabalho com o Trio Amadeus. Quais são as principais diferenças entre a preparação camerística e a solista?

Ser parceiro dos “Amadeus”, talvez os cameristas mais importantes do século XX, foi, na realidade um aprendizado. Os ensaios, onde todos os detalhes são decididos, têm importância igual ou até maior que as performances. A “boa” música de câmara deve ser resultante de um sincronismo rítmico, musical e emocional entre seus integrantes, na qual a combinação de diferentes timbres gera um novo “som”, único e indivisível. Comparada à música de câmara, a atividade solística faz com que o pianista fatalmente se torne o satélite de seu próprio ego.

 

Neste mês você tocará com diferentes orquestras dois concertos de Rachmaninov, compositor que aparece com regularidade em suas apresentações. Como surgiu esta “relação” com Rachmaninov?

É importante dizer que apesar de estar me dedicando a Rachmaninov nestas apresentações, na realidade, toco Beethoven com muito mais freqüência. Mas sempre tive paixão por seus concertos, e fui certamente influenciado pelo pianista russo Vladimir Horowitz, o maior ídolo de minha juventude, ao lado da extraordinária cantora Elizabeth Schwarzkopf.

 

Existe alguma peça que queira tocar e ainda não tocou?

Há muitas. Como exemplos, gostaria de tocar a integral da obra para piano de Arnold Schoenberg, o Concerto nº 1 de Frédéric Chopin e algumas peças de Robert Schumann. Mas falta tempo. Hoje, exerço duas profissões, a de professor e a de pianista. Para fazer tudo que tenho vontade, precisaria que meu dia tivesse 72 horas.

 

Nos últimos anos a cena clássica mundial tem observado o surgimento de concertistas que, a partir de um certo estágio da carreira, passam a se dedicar à regência. Você já teve esse desejo?

Reger é mais que abanar as mãos, mesmo quando se trata de um ótimo músico. Por isso, que ninguém se preocupe: não tenho a menor intenção – nem a competência – de abraçar a regência. O que não impede de, dependendo do programa, eu tocar um concerto de W.A. Mozart sem regente, como já aconteceu várias vezes.

 

Coisa pouco comum entre os concertistas, você se dedica com uma freqüência relevante à elaboração de artigos e textos sobre música. Como você analisa suas inserções pelo jornalismo musical?

Minhas incursões “jornalísticas”, entre aspas, são somente uma tentativa, talvez atrevida, de decodificar umas poucas idéias.

 

Por outro lado, como encara a crítica e o jornalismo musical na cena musical contemporânea, no Brasil e no exterior?

Acho a crítica musical fundamental para o estabelecimento de parâmetros de qualidade. O grande problema da crítica é o fato de ela ser publicada depois do concerto. Deve ser incompreensível para um amante de música o fato de, depois de chorar de emoção durante um concerto, ler no dia seguinte que chorou errado. Ou vice-versa.

 

Em seus escritos e entrevistas fica bastante evidente seu interesse e cultura sobre os mais diversos assuntos, tais como a literatura. Estudar ou simplesmente entrar em contato com outras atividades e artes é algo que entende como relevante para a sua música?

Música é vida. Todos os assuntos estão, de alguma forma, ligados ao homem e conseqüentemente à música. O conhecimento tenta explicar o inexplicável, estimula a fantasia e nos ajuda a lidar com o impossível.

 

Décadas depois de uma carreira plenamente consolidada, o que ainda lhe soa como desafio artístico-profissional?

Tentar fazer o que gosto e não fazer o que não gosto. Ser livre. Meu conceito de liberdade continua o mesmo de 30 anos atrás, ou seja, poder dizer “não”. Ou, ao menos, tentar.

 

Obrigado pela entrevista.

 

 



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