Conselho do Municipal de SP discute reposicionamento do Coral Paulistano e da OER; 2014 terá oito óperas

por Redação CONCERTO 14/11/2013

Em reunião que teve transmissão ao vivo pela internet, o Conselho Deliberativo da Fundação Theatro Municipal de São Paulo discutiu na manhã de hoje os rumos do Coral Paulistano e da Orquestra Experimental de Repertório (OER). O futuro dos grupos, ambos corpos estáveis do teatro, gerou acaloradas discussões nas últimas semanas, em virtude de declarações da direção do Municipal, que, em relação ao Coral Paulistano, aventou a possibilidade de fusão com o Coral Lírico, e, em relação à OER, avaliou a ideia de transferi-la para o Teatro Paulo Eiró, no bairro de Santo Amaro.

 

Abrindo a reunião, o secretário da cultura Juca Ferreira fez um longo pronunciamento em que apontou um “ataque especulativo” contra a nova gestão da Fundação Theatro Municipal. “Há uma tentativa de denegrir o trabalho. Mas é preciso que se compreenda que estamos buscando uma solução estrutural, uma qualificação da gestão pública. E estamos em perfeita sintonia com o maestro Neschling e o diretor Herencia”, afirmou.

A reunião não levou a decisões conclusivas, mas apontou soluções. No caso do Coral Paulistano, a proposta é de que ele seja cedido à Secretaria de Cultura (ou seja, não passaria mais a responder à Fundação do TMSP), para que desenvolva um novo projeto que revalorize sua missão – que é a difusão da música brasileira coral a cappella – tanto em apresentações na Sala do Conservatório da Praça das Artes como em outros teatros da cidade. O maestro John Neschling sugeriu que o valor histórico do conjunto fosse simbolizado também pela inclusão do nome de seu criador em sua denominação, que passaria a ser Coral Paulistano Mário de Andrade. A direção do Theatro Municipal esclareceu que essa solução não significaria que o Coral Paulistano não pudesse eventualmente participar de produções de óperas da casa.

Em relação à Orquestra Experimental de Repertório, a reunião reafirmou consensualmente a importância do trabalho desenvolvido pelo grupo dirigido pelo maestro Jamil Maluf. Neschling afirmou que, diferentemente do Coral Paulistano, a OER faz parte do setor “de formação” do Theatro Municipal, e que a ideia é a de reforçar essa sua vocação. O secretário da cultura Juca Ferreira expôs a intenção de criar um amplo projeto de educação musical, que pudesse ser encabeçado pela OER e o maestro Jamil Maluf. “Eu chamei o maestro Jamil Maluf para conversar e discutir formas de ampliar o trabalho. Então não é verdade que queiramos acabar com o trabalho da OER. É o contrário, queremos ampliá-lo”, afirmou. Independentemente do novo projeto, a OER seguiria apresentando concertos no Theatro Municipal, bem como eventualmente óperas, mas passaria a reforçar também uma agenda de apresentações nos teatros de bairro da Prefeitura.

Dada a complexidade do assunto e a pouca informação concretamente disponível, o conselheiro Vladimir Safatle pediu para que se postergasse as decisões para uma futura reunião, em que também deveria ser convidado o maestro Jamil Maluf para que ele expusesse pessoalmente as suas ideias e pontos de vista. A nova reunião deverá ser agendada nos próximos 15 dias.

Na reunião, o maestro John Neschling também apresentou a nova programação de 2014, que sofreu algumas alterações em relação àquela divulgada em julho. A temporada oficial terá seis espetáculos: Il Trovatore, Falstaff, Carmen, Salomé, Cavalleria Rusticana / Pagliacci e Tosca. Além disso, serão apresentados outros dois títulos: Satyagraha,de Philip Glass (pela OER) e Fome de bola, de Francis Hime. Como neste ano, o Theatro Municipal segue com os concertos sinfônicos da Orquestra Sinfônica Municipal (6 programas com duas apresentações cada) e da OER (4 programas), bem como 4 espetáculos do Balé Cidade de São Paulo. Também a Sala do Conservatório terá extensa programação, com o Quarteto da Cidade de São Paulo (14 concertos), música de câmara (7 concertos) e música instrumental brasileira (14 shows).

[Revisto em 15/11: Título anterior, “2014 terá seis óperas”, referia-se apenas a temporada oficial; no total, serão oito espetáculos no ano que vem.]

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