Gilberto Mendes morre aos 93 anos

por Redação CONCERTO 02/01/2016

O compositor Gilberto Mendes, figura-chave da música clássica brasileira do século XX, morreu ontem, dia 1º de janeiro de 2016, em Santos. O músico estava internado na Santa Casa de Santos desde a véspera do Natal, por conta de uma crise respiratória – Mendes sofria de asma –, e acabou morrendo por falência múltipla dos órgãos. O corpo está sendo velado no Salão Nobre do Memorial Necrópole Ecumênica, em Santos, até às 16 horas de hoje; em seguida será cremado.

Gilberto Mendes ocupa um lugar de destaque na história da música clássica brasileira de nosso tempo. Autor de vasta obra – eclética, não dogmática e aberta –, o compositor também foi o criador do Festival Música Nova, em 1962, evento que exerceu grande influência sobre as gerações que se seguiram. De trato fácil, amável e simpático, Gilberto tinha convicções claras e era um tenaz batalhador pela música e cultura de qualidade.

Gilberto Mendes nasceu em Santos, em 1922. Seus primeiros aprendizados musicais foram no Conservatório daquela cidade, com Savino de Benedictis e Antonieta Rudge. Mais tarde, estudou com Claudio Santoro e Oliver Toni, grande incentivador de sua carreira. Na década de 1960 frequentou os históricos festivais de Darmstadt, na Alemanha, onde teve contato com as obras de Pousseur, Boulez e Stockhausen. Gilberto Mendes foi signatário, ao lado de Rogério Duprat, Damiano Cozzela, Willy Correa de Oliveira e Júlio Medaglia, do Manifesto Música Nova, lançado em 1963, que fazia uma engajada defesa da música de vanguarda. Em 1967 escreveu aquela que talvez seja sua mais conhecida criação, Beba Coca-Cola (Moteto em ré menor), peça coral sobre poema de Décio Pignatari, que se tornou uma das obras contemporâneas brasileiras mais apresentadas no mundo.

Após lecionar em diversas escolas e faculdades – inclusive na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos –, Gilberto Mendes ingressou como professor de composição no departamento de música da USP, em 1980, onde realizou seu doutorado e se aposentou.

Gilberto Mendes também foi apreciador da música das big bands norte-americanas e da música de cinema, e tinha uma predileção pela literatura, o que se manifesta em sua criação. Foi autor de obras fundamentais da música brasileira de nossos dias, como Nascemorre (música aleatória para vozes, percussão e fita magnética – 1963), Santos Footbal Music (orquestra, fita magnética e performance – 1969), Blirium ABC-9 (em diversas versões – 1965), Concerto para piano (1981) e música de câmara como Saudades do Parque Balneário Hotel (1980) e Ulysses em Copacabana surfando com James Joyce e Dorothy Lamour (1988).

O compositor Gilberto Mendes foi entrevistado na Revista CONCERTO em junho de 1997 (por Nelson Rubens Kunze), em agosto de 2002 (por Irineu Franco Perpetuo) e em outubro de 2012 (por Camila Frésca). Em outubro de 2010 foi capa da Revista CONCERTO em reportagem de Leonardo Martinelli.

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