Instituto de artes da Unesp e Sesc Consolação recebem a 10ª edição da Bienal Internacional de Música Eletroacústica de São Paulo

por Redação CONCERTO 17/10/2014

Criada em 1996, a Bienal Internacional de Música Eletroacústica de São Paulo – Bimesp – promove este mês sua décima edição, entre os dias 20 e 30 de outubro, firmando-se como um exemplo de sucesso da música nova em solo brasileiro. Realizada desde então de forma ininterrupta a cada dois anos, o festival traz em seu cerne a inclinação pela experimentação radical de compositores como Karlheinz Stockhausen, Luciano Berio, Henri Pousseur e Pierre Boulez.

 

Não por acaso seu criador e diretor artístico é o compositor paulistano Flo Menezes. Filho do poeta Florivaldo Menezes, Menezes foi aluno de Willy Corrêa de Oliveira na USP, e durante sua especialização na Europa manteve contato próximo com todos esses nomes da vanguarda do século XX. Quando retornou ao Brasil, em 1994, iniciou o Studio PANaroma e, dois anos mais tarde, a Bimesp.

“Através da Bimesp, imaginei constituir uma plataforma de divulgação de obras históricas do gênero eletroacústico, de obras não tão recentes e de obras muito recentes, constituindo um amplo panorama da produção de música eletroacústica desde seu surgimento até nossos dias”, afirma Menezes.

Em 2014, portanto, a Bimesp, não comemora apenas sua décima edição, mas também os 20 anos do PANaroma, que, em parceria com o Sesc, é quem realiza o festival.

“O balanço é dos mais positivos”, diz Menezes sobre a importância da bienal e do PANaroma na vida musical brasileira. “A Bimesp é tida como um dos mais significativos eventos do gênero no mundo. Seu impacto no Brasil é comparável ao impacto do próprio Studio PANaroma: a partir da qualidade de suas atividades e de seu arsenal tecnológico, a música eletroacústica no Brasil adquiriu um novo impulso, incomparável ao que se fez antes por aqui neste campo do fazer musical.”

Programação
A décima edição da bienal conta com 15 concertos de música eletroacústica acusmática (reproduzida por autofalantes) e dois de música eletroacústica mista (com eletrônica e instrumentos convencionais).

As apresentações acusmáticas acontecem entre os dias 20 e 26 de outubro, no Instituto de Artes da Unesp, e terão além de estreias de peças, a presença dos compositores convidados Francis Dhomont (França), Annette Vande Gorne (Bélgica), Gilles Gobeil (Canadá) e João Pedro de Oliveira (Portugal). Os recitais estão divididos em painéis temáticos. Entre eles, destaque para os painéis históricos 1 e 2 (dias 20 e 21), dedicados aos Hymnen, de Stockhausen; o painel Studio PANaroma 20 anos, com a estreia mundial de Água viva, de Alex Buck; e os painéis dos “recortes” e do “personagem” – no primeiro, os compositores convidados montam um repertório com peças de sua escolha, no segundo, têm um programa dedicado à sua própria obra.

Os recitais de música eletroacústica mista acontecem nos dias 29 e 30, no Sesc Consolação, e têm a participação de solistas da Camerata Aberta, grupo de câmara vinculado à Emesp e protagonista da cena contemporânea nacional. Em ambos os dias Flo Menezes é o responsável pela manipulação eletrônica ao vivo. Na primeira data, o concerto é precedido por uma introdução de Flo Menezes e João Pedro Oliveira, que comentam suas composições presentes no programa – O farfalhar das folhas e Timshel, respectivamente. O concerto ainda realiza a estreia nacional de Différences, de Berio. No dia 30 o repertório traz peças de Bruno Maderna, José Manuel López-López e Stockhausen.

[Veja mais no Roteiro Musical]

Clássicos Editorial Ltda. © 2014 - Todos os direitos reservados.
A reprodução de todo e qualquer conteúdo requer autorização, exceto trechos com link para a respectiva página.