João Sayad apresenta detalhes do Complexo Cultural Luz

por Redação CONCERTO 27/04/2010

Em encontro com parte da comunidade cultural, especialmente setores ligados à dança, circo e teatro, o Secretário da Cultura do Estado de São Paulo, João Sayad, apresentou na noite de ontem o projeto do Complexo Cultural Luz. Trata-se de uma arrojada construção de 90 mil m² – com três teatros, a sede da São Paulo Companhia de Dança e da Escola de Música Tom Jobim, uma biblioteca dedicada às artes da interpretação e um estacionamento para 1.000 veículos –, que será erguida no local da antiga Estação Rodoviária, em frente ao prédio da Estação Julio Prestes onde funciona a Sala São Paulo.

O custo de empreendimento deve alcançar R$ 600 milhões, mas a Secretaria não quer adiantar valores antes de ter o detalhamento do projeto executivo. Este deve ter início proximamente, já que no prazo de um mês a Secretaria pretende fazer os contratos com o escritório de arquitetura. No cronograma atual, o edital para a construção deverá estar pronto até o início do ano que vem; o Complexo Cultural Luz – denominação ainda provisória – seria entregue até 2014.

 

Área interna do Complexo Cultural Luz.

Conforme a fala do Secretário Sayad, a dança tem sido um dos principais focos de atenção de sua gestão. Com a criação da São Paulo Companhia de Dança, percebeu-se a necessidade de um grande teatro para a dança, com todos os requisitos de qualidade. Segundo a secretaria, o novo teatro vai oferecer um espaço ideal para dança e ópera.

“O financiamento do complexo está garantido por meio de dois bancos, o BNDES e BID. Assim, o próximo secretário receberá a visita dos representantes dos bancos, que lhe entregarão o dinheiro. Aí, só resta fazer”, disse o Secretário Sayad, em alusão à transmissão de seu cargo para o novo governo que será eleito em outubro.

O Secretário da Cultura reforçou a sua convicção de que não se trata de um projeto para uma elite, conforme críticas que tem recebido. “O complexo está localizado em uma área central, um local de convergência e de fácil acesso. Tem metrô e os trens da CPTM, que fazem a ligação também com outras cidades das redondezas”, afirmou. Em relação ao enfrentamento da grave situação de degradação social da região da Luz, Sayad foi categórico, afirmando tratar-se de um complexo cultural, portanto, um equipamento de cultura. “A construção ajudará a recuperar um território que, todos sabemos, sofre graves problemas sociais. Mas o teatro, infelizmente, não é a solução para essa situação triste e desgraçada, que demanda ações muito mais especializadas de outras áreas. Se a cultura resolvesse, construiríamos 30 teatros em São Paulo e acabaríamos com o problema. Infelizmente não é assim.”

Visão da plateia do teatro principal do Complexo Cultural Luz.

Para a elaboração do projeto arquitetônico, a Secretaria fez consulta a quatro escritórios internacionais de notória e incontestável competência. Obedecendo a legislação em vigor, que dispensa a licitação pública para serviços dessa natureza (conforme esclarece a Secretaria), foi contratado o escritório suíço Herzog e De Meuron. Entre outros critérios, a escolha levou em conta a flexibilidade dos profissionais para aceitarem trabalhar em conjunto com a Secretaria, um escritório “que aceitasse o desafio de renovar a nossa paisagem urbana, mas que também conseguisse dialogar com fluência com nossos anseios, sonhos e, também, limitações”.

O teatro principal do Complexo Cultural Luz terá capacidade para 1.750 lugares, terá fosso de orquestra bem como ampla boca de cena e coxias. Além dele, haverá um teatro para recitais de câmara e peças teatrais (600 lugares) e também um teatro experimental, com palco móvel, para 400 espectadores. O complexo cultural, que para pedestres será acessível a partir de rampas, terá também um estacionamento para 1.000 veículos. “Hoje temos de pensar nisso. Tomara que daqui a 20 ou 30 anos possamos vir de metrô ou trem e caminhar alegremente pelas ruas da região”, falou o Secretário João Sayad.

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