John Neschling e ministro da Cultura lançam Companhia Brasileira de Ópera

por Redação CONCERTO 13/11/2009

Em coletiva de imprensa, o maestro John Neschling e o ministro da Cultura Juca Ferreira apresentaram a nova Companhia Brasileira de Ópera. Entidade privada idealizada pelo maestro Neschling, a companhia fará uma produção itinerante de O Barbeiro de Sevilha, de Gioacchino Rossini, que será apresentada em 20 cidades em mais de 100 récitas, para um público estimado de 140 mil pessoas. “É uma ação importante. É um esforço de democratização para abrir o acesso para a cultura para milhões de brasileiros. Alguns pensam que esse esforço é contraditório com a excelência. Pelo contrário, um movimento tem a ver com o outro. No caso da Companhia Brasileira de Ópera será um esforço de democratização integrado com o acesso da excelência na área da ópera”, disse o ministro Juca Ferreira

A Companhia tem como meta paralela criar trabalho para técnicos e artistas, funcionando também como centro de formação para estes profissionais. No futuro, e dependendo do desenvolvimento do trabalho, a Companhia pretende estabelecer uma sede onde as novas montagens seriam produzidas e estreadas antes de começarem a viajar. Além disso, durante as turnês serão realizadas master classes para técnicos, atores e músicos locais. O Barbeiro de Sevilha está orçado em R$ 14 milhões, que serão captados entre empresas estatais e privadas com incentivo da Lei Roaunet. Conforme declaração do ministro Juca Ferreira, o Ministério apoia institucionalmente o projeto por entender que ele promove a democratização do acesso à cultura com excelência artística. “A idéia é disponibilizar para o maior número de pessoas as montagens de qualidade.”

Para essa primeira fase do projeto, um grupo de artistas e técnicos serão contratados como “corpos estáveis” da Companhia. A regência das récitas será dividida entre o próprio Neschling e maestros convidados, entre os quais já estão confirmados os nomes de Abel Rocha, Ira Levin, Victor Hugo Toro e Yoram David. Em todas as cidades haverá pelo menos cinco apresentações, com uma récita reservada para grupos sociais especiais e uma récita adaptada, com narrador, para crianças e jovens.

O Barbeiro de Sevilha deverá estrear em 21 de abril de 2010 em Brasília, como parte das comemorações dos 50 anos da cidade. A montagem terá uma proposta inovadora, e se utilizará de modernos recursos tecnológicos. Os cantores interagirão com um desenho animado projetado em uma tela no fundo do palco, o que, de acordo com os realizadores, “produzirá efeitos cênicos de grande comicidade e teatralidade inalcançáveis em encenações convencionais”. O criador da animação é Joshua Held, cartunista ítalo-americano que trabalha em publicidade, televisão e na web. A direção cênica é do italiano Pier Francesco Maestrini e a direção de produção de José Roberto Walker.

“Vamos fazer uma ópera de primeiríssima qualidade, mas ao invés de fazermos ela só dez vezes no Rio ou em São Paulo, vamos viajar o país com ela. 140 mil pessoas vão assistir ao Barbeiro de Sevilha na primeira fase, o que é uma coisa inédita. A Companhia é um projeto longevo, não vai acabar daqui a seis meses. Espero que a gente consiga transformar ela em uma instituição importante e paradigmática da ópera no Brasil”, declarou o maestro John Neschling.