Morre em Belo Horizonte o compositor Eduardo Guimarães Álvares

por Redação CONCERTO 25/03/2013

Faleceu ontem em Belo Horizonte, aos 54 anos, o compositor Eduardo Guimarães Álvares, um dos mais importantes criadores de sua geração. Há cerca de dois anos ele descobriu um tumor na região do ombro e desde então lutava contra um câncer. Recentemente Eduardo retornou a Belo Horizonte e teve seu estado de saúde agravado.

 

Segundo o amigo Dante Pignatari, “Eduardo era um compositor brilhante, que tinha especial interesse pela voz humana e que gostava de incluir em suas peças efeitos performáticos”, como na encomenda feita a ele nas comemorações dos 30 anos do Centro Cultural  São Paulo, com a estreia mundial de Cortejos, com músicos e regente espalhados pelas rampas da biblioteca do CCSP.

Eduardo nasceu em Minas Gerais e foi aluno de Willy Corrêa de Oliveira e Gilberto Mendes na Universidade de São Paulo, onde se formou em composição. Além da carreira de compositor, ocupou cargos como o de superintendente de programação e depois de presidente da Fundação Clovis Salgado, em Belo Horizonte, diretor de programas na Rádio Cultura FM de São Paulo, diretor artístico e coordenador da orquestra Sinfonia Cultura, além de coordenador dos Ciclos de Música Contemporânea e Festival Articulações em Belo Horizonte, o Festival Intermídia e o XXXIII Festival Música Nova de São Paulo.

Ganhador de vários prêmios, teve a obra Três canções para barítono e clarinete sobre poemas de Guimarães Rosa premiada pela III Trimalca-Unesco. Em 1991 recebeu o prêmio de Melhor Trilha Sonora original para Álbum de Família de Nelson Rodrigues, com o Grupo Galpão de Belo Horizonte. Em 1991 recebeu o primeiro prêmio Gold Amadeus no concurso Musik Kreativ realizado na Alemanha, com o filme A Generalíssima do Piano, e em 2003 foi contemplado com a Bolsa Vitae de Artes para a ópera O Enigma de Caim.

Com encomendas de obras cada vez mais frequentes, nos últimos anos apresentou O Livro dos Seres Imaginários na abertura da XVII Bienal de Música Brasileira Contemporânea no Rio de Janeiro; Taleas para grande orquestra no XV Festival Latinoamericano de Música, em Caracas; estreou Tecendo a Manhã, sobre poema homônimo de João Cabral de Melo Neto, em Curitiba pelo Coro da Camerata Antiqua e pelo Percorso Ensemble; e o grupo Durum Percussão Brasil lançou em CD a peça Pratilheiros Catapimbásticos, comissionada para o Festival Música Nova.

Desde 2005 ele era professor na Emesp Tom Jobim, onde coordenava o atelier de Criação Musical/Composição.

O velório de Eduardo Guimarães Álvares acontece no Cemitério da Paz, em Belo Horizonte, a partir das 18h30 de hoje, dia 25 de março, e o enterro será realizado às 10h00 de amanhã desta terça-feira.