Músicos da OSB preparam contraproposta e acreditam em solução conjunta para a crise

por Redação CONCERTO 20/04/2011

Os músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB) se encontraram na manhã desta terça-feira, dia 19 de abril, para avaliar a proposta da Fundação OSB (Fosb), anunciada após reunião do conselho da entidade. O documento divulgado pela Fosb mantém Roberto Minczuk à frente da orquestra, contempla algumas das solicitações dos músicos e exige o retorno do grupo no dia 25 de abril, após o feriado de Páscoa, para o reinício dos ensaios.  [Leia proposta.]  

 

Segundo Déborah Cheyne, presidente do Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro, a proposta da OSB ‘distorce’ reinvindicações importantes e novamente exclui os músicos de uma gestão participativa. Segundo ela, que recebeu por correio sua demissão nesta terça-feira, “o conselho se reuniu sem a presença do representante dos músicos, prevista nos estatutos, e colocou como um dos itens da proposta a criação de um ‘comitê artístico’ que não prevê a participação de sequer um único músico da OSB”.

Os instrumentistas da orquestra pretendem enviar nesta quarta ou quinta-feira uma contraproposta à Fundação. “Apesar da Fosb ter colocado o documento recente como proposta final, estamos considerando a negociação aberta, e acreditamos poder estabelecer uma verdadeira negociação, com as duas partes juntas buscando um desfecho para a crise”, completou Déborah.

Para a presidente do Sindicato, a permanência de Roberto Minczuk deveria ser considerada pelos músicos da orquestra, mas a grande maioria dos instrumentistas afirma ser inviável voltar ao trabalho com o maestro após um desgaste tão grande.

Com relação ao processo iniciado pela Fosb, de melhoria artística e de salários da orquestra, os músicos dizem ser favoráveis às mudanças, inclusive considerando a saída de integrantes do grupo principal da orquestra, mas desde que estes músicos sejam entendidos caso a caso e de forma humana e respeitosa. “Há pessoas que dedicaram a vida à OSB e que poderiam se aposentar com dignidade e com reconhecimento dos serviços prestados; outros poderiam permanecer na Fundação e passar suas grandes experiências aos mais jovens”, argumenta Déborah. “Há maneiras e maneiras de se pensar em melhorias no grupo, e os músicos querem participar desde processo de forma colaborativa.”

Com um feriado pela frente, a nova perspectiva de confirmação da demissão daqueles que não se apresentarem no dia 25 e o impasse sobre a permanência do maestro, parece que o cada vez mais improvável desfecho pacífico para a crise só ocorrerá com a abertura da Fosb para uma real negociação dos termos da proposta e também com a reavaliação de posições extremas e ‘irredutíveis’ por parte dos músicos.