Nelson Freire lança CD duplo com Noturnos de Chopin

por Redação CONCERTO 10/03/2010

O pianista brasileiro Nelson Freire, que é considerado um dos mais importantes instrumentistas da atualidade, acaba de lançar um CD duplo com a integral dos Noturnos de Frédéric Chopin, como parte das comemorações pelos 200 anos de nascimento do compositor polonês.

 

Sobre os Noturnos e esta gravação, Nelson Freire falou com exclusividade ao jornalista Irineu Franco Perpétuo, em entrevista para a edição de março da Revistas CONCERTO.

Como foi gravar os Noturnos?
Foi difícil. É um mundo. Os Noturnos têm um pouco que ver com as sonatas de Beethoven, porque o Chopin está ali o tempo todo: desde o início até o fim na mesma forma musical, coisa que não acontece com os Prelúdios ou os Estudos, que são uma obra, são de uma época. Então temos os vários períodos dele. Tem aquele maravilhoso, que pouca gente toca, em sol maior [op. 37, nº 2], que é muito difícil, com suas terças, quartas, quintas, sextas e um movimento de barcarola na mão esquerda. Soube que ele escreveu isso indo para Mallorca, de barco. Os primeiros são aquelas maravilhas que você conhece, como o famosíssimo op. 9 nº 2. Tem os do meio, como o fantástico, dramático em dó menor [cantarola o Noturno op. 48 nº 1]. E, nos últimos, você vê uma grande diferença, com sua sofisticação, polifonia, contraponto. São mundos, são universos diferentes. Têm o mesmo tipo, o mesmo tamanho, a mesma soi-disant atmosfera, mas cada um é de um jeito.

Qual a dificuldade de tocá-los?
É entrar em cada um. Fazer um atrás do outro é difícil. Exige muito emocionalmente. Embora não pareça, é exaustivo. Eu acho que fiquei mais cansado gravando esses Noturnos do que com os Estudos, por incrível que pareça. Um cansaço emocional mesmo.

Você tinha ensaiado começar uma integral dos Noturnos na década de 1970. Como foi?
Eu não estava pronto. Chegou um ponto em que disse a mim mesmo: Mas o que é isso? É impossível! Não é um supermercado, em que você chega e faz um estoque. Você tem que incorporar aquela música. Chopin fez aquilo durante a vida inteira, imagine eu querer tocar tudo com 30 e poucos anos. Sabiamente, desisti.

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