Ópera “Orfeu e Eurídice” ganha montagem no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

por Redação CONCERTO 06/07/2016

Após adiamento causado pela paralisação de seus artistas, motivada pelo não pagamento dos servidores do Estado, estreia amanhã, dia 7, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro a ópera Orfeu e Eurídice, de Gluck. A regência é do maestro Abel Rocha e a direção cênica, de Caetano Vilela. No elenco, a mezzo soprano Denise de Freitas como Orfeu e a soprano Lina Mendes como Eurídice. As outras apresentações acontecem nos dias 9, 10 e 12 de julho.

 

Escrita na década de 1760, a ópera recupera o mito de Eurídice e é símbolo da reforma proposta pelo compositor, que buscava evitar os excessos da opera seria em favor de uma “nobre simplicidade” na união entre texto e música. “Não há como negar que, além de um grande compositor, Gluck foi o reformador da ópera moderna, na forma e no estilo, se comprometendo com uma dramaturgia mais focada nas relações entre os personagens”, diz Vilela.

Nesse sentido, o diretor explica que, em sua concepção, buscou “humanizar os personagens de Orfeu e Eurídice. “Não explico o ‘mito da arte’ que Orfeu representa, porque ele já é explícito e está representado em dezenas de montagens. Quero falar sobre a quebra e a perda das relações como se fosse uma fábula: é duro mas pode ser poético. Na minha concepção, com a morte de Eurídice o Sol é encoberto na Terra, formando um grande eclipse que toma conta dos dois atos da ópera enquanto dura a busca de Orfeu pelos caminhos do limbo do Inferno. Apresento um Orfeu guerreiro, que usa a sua lira como se fosse um arco, atirando ‘flechas de música’ para enfrentar as Fúrias. O eclipse só termina e a vida refloresce com a volta de Eurídice para a Terra. A partir daí eu tenho uma surpresa na encenação, que traz como referência o clássico Orfeu do Carnaval de Marcel Camus”, diz.