Retrospectiva 2012 – Sidney Molina (depoimento de dezembro de 2012)

por Redação CONCERTO 14/01/2013

“Irmãs Labèque em Trancoso; Lulu, de Alban Berg, em Manaus; Krzysztof Penderecki em Belo Horizonte; Lang Lang, Renée Fleming, Vladimir Ashkenazy, Christoph Eschenbach e Keith Jarrett em São Paulo. Mesmo que haja tanto a ser feito – em música e na organização da vida musical –, é um privilégio para um crítico acompanhar temporadas vibrantes como as de 2012. Foram mais de 30 resenhas publicadas no ano, o que implica pelo menos 90 concertos assistidos, todos com a atenção de quem tem de transformar sons em palavras. O Teatro Municipal de São Paulo renasceu. Mostrou capacidade de planejamento e realização. Trouxe títulos ambiciosos: O crepúsculo dos deuses (Wagner), Orfeo ed Euridice (Gluck), Pelléas et Mélisande (Debussy) e Macbeth (Verdi) dirigido por Robert Wilson. Mas nada pode ofuscar o brilho da temporada da Osesp, marcada pela chegada de Marin Alsop, a nova regente titular. Não é fácil eleger destaques da orquestra paulista em 2012: além da turnê internacional, talvez seja melhor apenas listar os concertos não vão mais sair da memória, como Eiji Oue regendo Takemitsu, Bernstein e Brahms; Marin Alsop em Sibelius e Bartók; a Sinfonia nº 8 de Shostakovich por Lawrence Renes; e, na série de câmara, o recital de András Schiff. Como violonista celebrei neste ano (ao lado de Fabio Ramazzina, Thiago Abdalla e Chrystian Dozza) os 20 anos do Quaternaglia. O quarteto lançou um novo CD e foi solista de importantes orquestras, como Petrobras Sinfônica, Sinfônica de Heliópolis (regida por Isaac Karabtchevsky na Sala São Paulo) e Solistas de Londrina, sob a direção de Leo Brouwer, no Festival de Música do Pará.”

Sidney Molina, violonista do Quaternaglia e crítico musical da Folha de S. Paulo
 

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