Theatro Municipal do Rio de Janeiro comemora 100 anos

por Redação CONCERTO 13/07/2009

No próximo dia 14 de julho o Theatro Municipal do Rio de Janeiro completa 100 anos. Apesar de estar fechado para obras de restauração e modernização desde outubro de 2008, a data não passará em branco: em um palco armado na Cinelândia, em frente ao teatro, serão apresentados espetáculos de dança e de música e, no interior do prédio, em espaços não afetados pela obra, haverá uma grande exposição, que lembrará os principais momentos da casa.

A celebração do centenário do Theatro Municipal começará às 10 horas com a apresentação da Banda do Corpo de Fuzileiros Navais do Rio de Janeiro. Em seguida o público terá acesso ao interior do prédio para ver a exposição que reúne fotos de seus grandes momento, além de documentos, programas e gravações. A partir das 14 horas, o Ballet do Theatro Municipal inicia as apresentações no palco da Cinelândia, com a presença das principais estrelas do seu corpo de baile, incluindo a bailarina Ana Botafogo. A programação escolhida terá trechos de “Floresta Amazônica”, “O Corsário” e “Coppelia”.

Às 20 horas, com a presença de dois importantes nomes da música lírica internacional, o tenor argentino Marcelo Álvarez e a soprano coreana Sumi Jo, o Coro e a Orquestra Sinfônica do Theatro interpretarão um repertório franco-brasileiro, com regência do maestro Roberto Minczuk. O programa remete às origens do Theatro, nascido no florescer da república brasileira e inaugurado no dia da celebração da queda da Bastilha, e é, ainda, uma homenagem ao ano da França no Brasil, que se comemora este ano.

A previsão inicial era a de que o Municipal fosse reaberto na data de seu centenário. Agora a expectativa é de que a casa retome a sua programação até o fim do ano. Esta é a quarta grande reforma do Theatro Municipal desde a sua fundação. Em 1934, a primeira obra mudou a cara da sala de espetáculo, que foi ampliada. Na década de 70, ele sofreu sua primeira restauração, reabrindo em 79 com a proibição dos bailes de carnaval, que até então aconteciam no local. Na década de 80 aconteceu a terceira reforma.

Serviço:
Comemoração dos 100 anos do Theatro Municipal do Rio de Janeiro
A partir das 10 horas, em frente ao teatro
14 horas: Ballet do Theatro Municipal, com Ana Botafogo
20 horas: Coro e Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal
Solistas: Marcelo Álvarez e Sumi Jo
Regência: Roberto Minczuk

Leia a seguir, em material de divulgação da assessoria de imprensa, a história do Theatro Municipal do Rio de Janeiro:

No final do século XIX os dois maiores teatros do Rio de Janeiro, o São Pedro e o Lírico, eram criticados por suas instalações, pelo público que os frequentava, e pelas companhias que neles atuavam. Em 1894, o autor teatral Arthur Azevedo lançou uma campanha para que um teatro fosse construído para sediar uma companhia municipal, a ser criada nos moldes da Comédie Française. Mas a campanha resultou apenas em uma Lei Municipal, que determinou a construção do Theatro Municipal. A lei, no entanto, não foi cumprida, apesar da criação de uma taxa para financiar a obra. A arrecadação desse novo imposto nunca foi utilizada para a construção do Theatro Municipal.

Somente em 1903 o prefeito Pereira Passos, nomeado pelo presidente Rodrigues Alves, retomou a ideia e, a 15 de outubro de 1903, lançou um edital com um concurso para a apresentação de projetos para a construção do Theatro Municipal.

Encerrado o prazo do concurso, em março de 1904, foram recebidos sete projetos. Os dois primeiros colocados ficaram empatados: “Áquila”, pseudônimo do projeto do engenheiro Francisco de Oliveira Passos, e “Isadora”, pseudônimo do projeto do arquiteto francês Albert Guilbert, vice-presidente da Associação dos Arquitetos Franceses.

O resultado deste concurso foi motivo para uma longa polêmica na Câmara Municipal, acompanhada pelos principais jornais da época, em torno da verdadeira autoria do projeto de “Áquila” - que se dizia feito pela seção de arquitetura da Prefeitura – e do suposto favoritismo de Oliveira Passos, pelo fato de ser filho do prefeito, entre outros argumentos.

Como decisão final, optou-se pela fusão dos dois projetos. E, depois de feitas algumas alterações, a 2 de janeiro de 1905 o prédio começou a ser erguido, com a colocação da primeira das 1.180 estacas de madeira de lei sobre as quais se assenta o edifício. Para decorar o edifício foram chamados os mais importantes pintores e escultores da época, como Eliseu Visconti, Rodolfo Amoedo e os irmãos Bernardelli. Também foram recrutados artesãos europeus para fazer vitrais e mosaicos.

Finalmente, quatro anos e meio mais tarde, um tempo recorde para uma obra dessa envergadura – que requereu o revezamento de 280 operários em dois turnos de trabalho – no dia 14 de julho de 1909 foi inaugurado pelo presidente Nilo Peçanha o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com capacidade para 1.739 espectadores. Serzedelo Correa era o prefeito da cidade.

Em 1934, ao se constatar que o teatro estava pequeno para o tamanho da população da cidade, que havia crescido muito, a capacidade da sala foi aumentada para 2.205 lugares. A obra, apesar de sua complexidade, foi realizada em três meses, outro recorde para a época. Posteriormente, com algumas modificações, chegou-se ao número atual de 2.361 lugares.

A 19 de outubro de 1975, o Theatro Municipal foi fechado para obras de restauração e modernização de suas instalações e reaberto em 15 de março de 1978. No mesmo ano foi criada a Central Técnica de Produção, responsável por toda a execução dos espetáculos da casa.

Em 1996, iniciou-se a construção do Edifício Anexo, para desafogar o teatro dos ensaios para os espetáculos, que, com a atividade intensa da programação durante todo o ano, ficou pequeno para eles e, também, para abrigar condignamente os corpos artísticos. Com a inauguração do prédio, o Coro, a Orquestra e o Ballet ganharam novas salas de ensaio e bastante espaço para suas práticas artísticas.

Em 2008, com o patrocínio dos Grandes Patronos (Petrobras, BNDES, Eletrobrás e Rede Globo de Televisão); Patronos Ouro (Embratel e Vale); e dos Co-Patrocinadores (Bradesco Seguro e Previdência e MetrôRio) tornou-se possível iniciar a obra de restauração e modernização para o centenário do Theatro, contemplando o monumento com a restauração do telhado, da arquitetura externa e interna e da modernização das instalações prediais.