Yan Pascal Tortelier é o novo regente principal da Osesp

por Redação CONCERTO 30/01/2009

Em entrevista concedida pelo presidente de seu Conselho de Administração, Fernando Henrique Cardoso, o pelos conselheiros Pedro Moreira Salles, Luiz Schwarcz e Darrin Coleman Milling, representante dos músicos, a Fundação Osesp anunciou nesta manhã a nomeação do maestro francês Yan Pascal Tortelier como novo regente principal da Orquestra Sinfônica de Estado de São Paulo. O maestro assume em substituição a John Neschling, demitido no último dia 20 de janeiro. Tortelier, de 61 anos, é regente emérito da Filarmônica da BBC, da qual foi regente titular de 1992 a 2003.

O maestro deverá reger oito programas à frente da Osesp em 2009, na Sala São Paulo, e doze programas em 2010. Segundo a Fundação, a programação anunciada será mantida, alterações serão apenas pontuais. Os projetos e contratos feitos com as gravadoras também serão mantidos, apenas a gravação agendada para fevereiro será adiada. Os maestros Isaac Karabtchevsky e Fabio Mechetti também assumirão concertos inicialmente programados para o maestro John Neschling.

"Estamos olhando o interesse de São Paulo, vamos manter ao máximo o funcionamento da orquestra e o nível de qualidade dela", disse Fernando Henrique Cardoso.

Novo diretor artístico

Os conselheiros também falaram sobre a comissão que será constituída para a busca de um novo diretor artístico, que assumirá em 2011. Essa comissão terá a participação de dois assessores internacionais, Timothy Walker (diretor executivo e artístico da Filarmônica de Londres) e Henry Fogel (ex-presidente da Liga Americana de Orquestras e ex-diretor executivo da Orquestra Nacional de Washington e da Sinfônica de Chicago), além da participação de músicos e de representantes da Fundação. Feita a seleção, os nomes serão apresentados ao Conselho da Fundação, que tomará a decisão final. "Nós estamos analisando não só um nome para diretor artístico, mas também o funcionamento da orquestra, a governança. Será melhor manter a situação atual, na qual o regente principal é também o diretor artístico? Ou vamos ter duas posições? Haverá a necessidade de um maestro associado? [...] O propósito é duplo: primeiro, garantir a qualidade da orquestra; segundo, institucionalizar a orquestra, não ficar na dependência de uma pessoa, ou de um tipo de conselho. [Queremos algo] que seja mais estável", disse o presidente Fernando Henrique.

Demissão de John Neschling

Em relação ao rompimento do contrato com o maestro John Neschling, os conselheiros negaram que houve qualquer tipo de pressão do governo. "A Fundação Osesp opera com total autonomia, não houve pressão. O Governador entendeu a situação e não houve pressão, o que se possa dizer não é verdadeiro. [Ele] pode ter lá as suas idiossincrasias com relação a uma ou outra pessoa, mas não interferiu nas decisões do Conselho", afirmou Fernando Henrique Cardoso.

Pedro Moreira Salles disse que "nosso desejo, nossa intenção, explicitada em cartas públicas entre e Fundação e o regente da Osesp, era continuar essa relação até 2010, num ambiente de harmonia e com total abertura e colaboração, tendo inclusive a participação do maestro Neschling em 2011 e 2012 de maneira relevante dentro das temporadas. Fomos levados à ruptura por uma questão de dificuldade de relacionamento." E Fernando Henrique Cardoso completou: "Chegamos à conclusão de que [com a presença do maestro Neschling] não seria possível tocar esse projeto de institucionalizar a orquestra, mexer na governança - todos esses são pontos que nos parecem fundamentais -, para garantir que depois de 2010, quando nós também não estaremos mais aqui, a Osesp continue. [...] Não é um problema pessoal, é institucional. [...] Nosso papel é fortalecer essa instituição. Esse é o mandato que nós temos."

A Fundação Osesp também adiantou que já conversou com o Governo do Estado e que já há uma decisão de que o contrato de gestão da Fundação com o Estado será prolongado por mais 5 anos.

* Clique aqui e veja filme do You Tube em que Yan Pascal Tortelier conta um pouco de sua trajetória musical à televisão finlandesa.

* Clique aqui e leia opinião do crítico francês Alain Lompech.