Morre o compositor baiano Jamary Oliveira

por Redação CONCERTO 31/03/2020

Morreu no domingo, dia 29, o compositor baiano Jamary Oliveira. Um dos criadores do célebre Grupo de Compositores da Bahia, ele era professor aposentado da Universidade Federal da Bahia e ocupava a cadeira nº 25 da Academia Brasileira de Música.

Nascido em 1944 na cidade de Saúde, na Bahia, Oliveira começou seus estudos musicais com a flauta, a viola e a tuba. Em 1966, graduou-se em Estruturação Musical e, três anos depois, em Composição, aluno de Ernst Widmer.

Com ele e outros artistas, como Carmen Mettig Rocha, Fernando Barbosa de Cerqueira, Lindembergue Cardoso e Rinaldo Rossi, integrou o Grupo de Compositores da Bahia, um dos movimentos mais expressivos da criação musical contemporânea do Brasil.

O movimento tinha como ponto de partida estar contra “todo e qualquer princípio declarado”, não defendendo escolas ou tendências musicais específicas. “O trabalho do grupo é lembrado especialmente pela quantidade de produção, pela originalidade do produto, pelo compromisso com a novidade e com a tradição, pelo envolvimento com a cultura baiana, pela abertura a toda e qualquer expressão cultural, e pela grande influência que exerceu nos programas de ensino, pesquisa e difusão musical da universidade. Esta influência refletiu no interesse pela contemporaneidade, no cultivo da criatividade, no respeito pelas tradições musicais das distintas etnias que convivem na Bahia, na conscientização do valor da música como bem cultural e no despertar para a reflexão sobre as funções sociais da música”, afirma Ilza Nogueira em artigo sobre o grupo.

A obra de Oliveira é multifacetada, mas tem no piano um de seus focos principais, desde os anos 1960, quando escreveu as Oito peças para piano e Burocracia. Nos anos 1980, Piano pièce se tornaria uma de suas obras mais gravadas. Assinou a série de Conjuntos, explorando diferentes combinações de instrumentos – o nº 4 foi escrito para coro e garrafas. Dos anos 1970, um destaque é Pseudópodes, representativo da presença importante da percussão em seu trabalho, assim como Pseudópodes II, dos anos 1980. Sua música de câmara é marcada por criações como Strinq quartet, Simetrias e Reminiscências. De 2002, Mutação I e Mutação II evocam sua relação com a música eletrônica. 

Jamary Oliveira [Divulgação]
Jamary Oliveira [Divulgação]

 

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