Retrospectiva 2016 – Paulo Zuben (depoimento de dezembro de 2016)

por Redação CONCERTO 02/02/2017

“2016 foi mais um ano de muitas dificuldades para o setor cultural brasileiro e, sobretudo, para a música. Vivemos um período em que excelentes iniciativas estão sendo enfraquecidas ou até mesmo extintas. A sensação é que estamos indo al niente... Alguns destaques na programação deram um pouco de luz à temporada. Afinal de contas, uma das caraterísticas marcantes dos artistas, principalmente os apaixonados pela contemporaneidade, é sua resiliência ao obscurantismo e às ondas de ignorância e conservadorismo que nos assolam; é sua obstinada paixão pela dissonância, pelo inaudito, pelo som que rompe o silêncio trazendo novo significado para nossas existências. Uma das mais interessantes ações do ano foi a Conferência MultiOrquestra, organizada pelo British Council e que trouxe importantíssimos gestores de orquestras da Europa e EUA para debater com os colegas brasileiros quais os caminhos que orquestras e programas musicais podem seguir para enfrentar os novos desafios do século XXI e, principalmente, livrar-se dos velhos vícios do século passado. Durante 2016, algumas apresentações musicais foram excelentes, mas inesquecível mesmo foi a Orquestra Filarmônica de Viena com Valery Gergiev. Para nós da Santa Marcelina Cultura, o ano teve momentos especiais, como a temporada de concertos da Orquestra Jovem do Estado, da Orquestra Tom Jobim e do Coral Jovem. O segundo CD da Orquestra Jovem, gravado com Cristian Budu, e o primeiro CD da Camerata de Violões do Guri Santa Marcelina foram grandes conquistas da nossa instituição, fruto de um trabalho intenso de educação musical e de resistência que Emesp e Guri realizam junto a crianças e jovens de todas as regiões da Grande São Paulo.”

Paulo Zuben, diretor artístico-pedagógico da Santa Marcelina Cultura