Secretário volta a defender mudanças no Theatro Municipal

por Redação CONCERTO 28/07/2017

Conforme reportagem publicada hoje no jornal “O Estado de S. Paulo” [leia aqui], a Prefeitura deseja extinguir a Fundação Theatro Municipal de São Paulo. Com isso, o contrato de gestão da Organização Social passaria a ser feito diretamente com a Secretaria, sem a intermediação da Fundação. “Não faz sentido manter a fundação apenas para administrar um contrato”, diz o Secretário André Sturm na matéria, e complementa: “Há um trâmite legal a ser seguido, o que leva um tempo, mas não vemos motivos para objeções e nosso objetivo é que isso ocorra rapidamente”.

Em fevereiro passado, logo após a posse, o Secretário André Sturm já havia defendido mudanças no modelo de gestão do teatro. Na época, Sturm afirmou que a mudança seria feita por meio de decreto até o meio do ano, quando terminaria o contrato do IBGC. A ideia, contudo, foi abandonada e o edital para a contratação da nova OS manteve o modelo anterior. Questionado então pela Revista CONCERTO [leia aqui], Sturm afirmou: “Há uma lei que transferiu o Theatro Municipal para a Fundação Theatro Municipal (FTM). Por esta razão, não é permitido contratar pela Secretaria Municipal de Cultura (SMC)”.

Comentário: Desde 2013 a Revista CONCERTO tem chamado a atenção para o problema [leia aqui]. O modelo atual, bipolar, além de dificultar o controle, embaralha competências e responsabilidades inviabilizando uma governança transparente. O modelo, que foi um dos facilitadores para os desvios milionários ocorridos na gestão anterior, é uma das razões pelo baixo número de concorrentes na disputa pelo edital, já que poucas entidades estão dispostas a se aventurar em um ambiente organizacional tão confuso e inseguro.

Tribunal de Contas do Município pede esclarecimentos sobre resultado do edital

Outra notícia do jornal “O Estado de S. Paulo” [leia aqui] informa que o Tribunal de Contas do Município pediu esclarecimentos sobre o resultado do edital de chamamento da nova organização da sociedade civil que fará a gestão do Theatro Municipal. Como divulgamos ontem, o edital apontou o Instituto Casa da Ópera (ICO, responsável pelo projeto Ópera Curta) como vencedor, com 9,05 pontos; a outra entidade concorrente, o Instituto Odeon (organização social gestora do MAR, Museu de Arte do Rio), ficou com 6,1 pontos.

O resultado gerou polêmicas, uma vez que o Instituto Casa da Ópera foi criado pelo atual diretor artístico do Theatro Municipal, Cleber Papa. Afastando suspeitas de favorecimento, Cleber Papa sustenta que não tem mais nenhum vínculo com a entidade.