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Sobre violoncelo e mortos (19/6/2009)
Por Leonardo Martinelli

Muitas são as emoções e fatores que movem um músico a batalhar e a prosseguir com sua carreira. Todo músico tem alguma lembrança de como ingressou na vida artística. Mas existe algo mais misterioso: quando se sabe que é hora de desistir? Ora, se os louros são sempre reservados aos vencedores, como então admitir a dura verdade do fracasso, da falta de talento após anos de dedicação e investimentos para simplesmente começar a vida do zero?

Este é um dos tabus pelos quais o filme “A partida” (Okuribito), dirigido por Yôjirô Takita, irá se enveredar ao longo de suas duas horas duração. Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, somente agora a película japonesa ganha as telas brasileiras, ainda sem previsão para lançamento em DVD.

O filme tem como protagonista o violoncelista Daigo Kobayashi (interpretado por Masahiro Motoki), que após a dissolução da orquestra onde atua vê-se sem perspectivas no concorridíssimo mercado clássico de Tóquio. O revés profissional torna-se o gatilho para uma reviravolta interna que culmina não só com a decisão de não ser um violoncelista profissional, mas também com a dramática venda de seu excelente instrumento (pergunte a qualquer músico o tipo de dor que isto causa nestas circunstâncias).

Ao voltar para sua cidade natal, Kobayashi acaba se empregando acidentalmente (sic) numa agência funerária e, persuadido pelo alto salário, passa a se dedicar a uma atividade que é, a sua forma, um tipo de arte: a preparação de cadáveres.

Com uma narrativa ao mesmo tempo descontraída e sensível, o filme narra as desventuras de Kobayashi em busca de um ideal de vida maior, onde a realização musical é uma conquista necessariamente íntima, pessoal e intransferível.

Mas toda e qualquer sinopse será enganadora se insistir na ideia de que o filme é um desencorajador ao aspirante a músico profissional. Pelo contrário, de uma forma bem peculiar, o filme é inspirador por conta da delicadeza com que aborda assuntos tão complexos.

Justamente por tudo isso era grande a responsabilidade sobre a trilha sonora, a cargo de Joe Hisaishi que, no entanto, não realizou um trabalho à altura da grandeza do filme, limitando-se a um estilo musical francamente pop, mais afeito aos shows musicais da NHK (uma espécie de Rede Globo japonesa), inconsistente com o repertório do protagonista.

Mas isto não foi suficiente para diminuir o interesse sobre este que é, “infelizmente” (como diria o patrão de Kobayashi), um ótimo filme.





Leonardo Martinelli - é compositor e jornalista. Foi editor-assistente da Revista CONCERTO entre 2009 e 2013, e atualmente é diretor de formação da Fundação Theatro Municipal de São Paulo.

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