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Renovada de ares em Campos do Jordão (21/7/2009)
Por Leonardo Martinelli

O Festival Campos do Jordão está completando 40 anos, que serão celebrados no próximo domingo junto com o concerto de encerramento do evento na Sala São Paulo, com o lançamento do livro “Música nas Montanhas: 40 Anos do Festival de Inverno de Campos do Jordão”, editado por Camila Frésca (nossa colega aqui no Site e na Revista CONCERTO). Quarenta anos de um evento desta natureza é, no Brasil, uma verdadeira façanha, e não bastasse o simbolismo inerente à data, este foi um ano onde várias mudanças na organização do evento trouxeram novos ares à grande festa da música realizada nesta cidade cravada no alto da Serra da Mantiqueira.

É fato consumado que desde que o maestro Roberto Minczuk assumiu sua direção artística, em 2004, o festival ganhou uma nova dimensão, tendo sido novamente colocado na agenda de prioridades das políticas culturais do Estado e consolidado a sua vocação internacional. A partir deste ano o festival passou a ser produzido pela Santa Marcelina Cultura, uma OS (Organização Social) que desde meados do ano passado assumiu também a administração de outros programas de peso, como o Projeto Guri e o então Centro de Estudos Musicais Tom Jobim, antigo administrador do festival e hoje vertido na Escola de Música do Estado São Paulo (Emesp). Na prática, isto significa que o rumo geral do festival passou a ser compartilhado com Paulo Zuben (diretor executivo) e Silvio Ferraz (coordenador pedagógico), ambos compositores de intensa atuação e que propiciaram a inserção mais efetiva da música contemporânea no evento, tendo em vista que anteriormente ela estava presente de forma pouco estrutural.

Considerando que a edição deste ano foi totalmente voltada para o “Ano da França no Brasil”, a modernidade assumiu ares de 19ème arrondissement, o bairro onde ser localiza o célebre Conservatório de Paris, que compareceu em peso com diversos músicos e professores, entre os quais se destacam o regente Guillaume Bourgogne e o compositor Stefano Gervasoni, que ministraram em suas áreas cursos totalmente voltados à música moderna.

 

Musiques exotiques

Ao inserir a música moderna de forma mais estrutural no repertório dos concertos, a organização do festival estava colocando à prova uma proposta cuja recepção do público era, de certa forma, imprevisível, dada a sua escassez nos programas de orquestras e músicos brasileiros em eventos não especializados.

Mas o público festival recebeu muito bem estas novidades, como se pode constatar nos concertos realizados no último fim-de-semana, que totalmente voltados para a música contemporânea estavam não apenas lotados, mas mantiveram o público até o final da apresentação e – verdadeira epifania modernista – um deles tendo terminado com uma grande ovação do maestro e percussionista Eduardo Leandro e do pianista Paulo Guimarães Álvares após uma empolgante interpretação de “Oiseaux Exotiques”, de Olivier Messiaen, acompanhados por um conjunto composto por instrumentistas brasileiros e franceses. Ironicamente, coube às peças mais tradicionais, e supostamente mais digeríveis, soarem como estranhos no ninho dos “pássaros exóticos”.

 

Sob a regência de Eduardo Leandro, e com solos do pianista Paulo Guimarães Álvares acompanhados por músicos do festival interpretam “Oiseaux Exotiques”, de Olivier Messiaen (foto: divulgação / Heloísa Bort)

 

Freire, musicien français

Em tempo, vale ressaltar que o Festival de Campos não se tornou um evento de música moderna, cuja presença veio apenas equilibrar o repertório das apresentações, quase sempre excessivamente centradas na música dos séculos XVIII e XIX.

Prova disto é que, até o momento, outro ponto alto do festival foi o recital solo do pianista brasileiro Nelson Freire. Ou melhor, brasileiro não, pois neste recital que contou com diferentes compositores, foi justamente com os franceses (de nascimento, espírito ou por influência estética) que Freire demonstrou ao vivo o altíssimo grau de excelência de sua arte. Nesta noite, imperou a beleza de sua interpretação dos “Préludes” de Claude Debussy e dos “Nocturnes” de Frédéric Chopin, que o pianista soube adequar à ingrata condição acústica do Auditório Cláudio Santoro, que quase inviabilizou sua execução da “Sonata ao Luar”, de Beethoven e conferiu às obras de Villa-Lobos e Robert Schumann tons demasiados pastéis em momentos em que se esperava cores vivas e intensas. Mas nem isso foi um problema nesta noite em que, especialmente inspirado, Freire não apenas comoveu com sua música, mas, generoso, concedeu três bis aos súditos que lotaram o auditório.

 

O pianista Nelson Freire durante seu recital solo no 40º. Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão (foto: divulgação / Heloísa Bort)

 

Grand Prix

Outra novidade este ano foi a vinculação do Prêmio de Composição e Regência Camargo Guarnieri ao festival, antes um concurso (e não um prêmio) produzido pela Orquestra Sinfônica da USP voltado apenas para a composição. Para um total de prêmios de R$ 30 mil, concorreram apenas os oito bolsistas de composição e os quatro de regência admitidos para cursar o festival. Aos regentes coube conduzir as obras escritas pelos compositores, que por sua vez realizaram suas partituras sob a orientação de Gervasoni.

Dada estas pré-condições, no que tange ao concurso de composição teve-se no final deste processo um conjunto uniforme de peças, onde apesar das evidentes peculiaridades de cada compositor, existia de forma clara o uso de um código comum, onde imperou a complexidade da escritura e o uso de efeitos e de “técnicas estendidas” (quando se utiliza recursos pouco comuns dos instrumentos), que muitas vezes beirou o fetichismo. Reunidos em uma mesma ocasião, o resultado foi um concerto com poucos contrastes, e por isto, com pouca identidade. Resta saber se esta homogeneização foi decorrente da orientação de Gervasoni ou da pré-seleção dos bolsistas. Em todo caso, o resultado final só reforçou esta uniformidade ao dividir o prêmio único (não estavam previstos segundo e terceiro lugar) para três compositores – Sérgio Rodrigo Lacerda, Rodolfo Valente e Rodrigo Lima – além de uma menção honrosa para Valéria Bonafé.

Consequentemente, a natureza das obras compostas decidiu a própria natureza do prêmio de regência, cuja tarefa necessariamente restringiu-se à precisão da condução rítmico-temporal das peças, que não forneceram aos regentes oportunidades reais de trabalho de gesto e sonoridades. Nestes termos, prevaleceu a experiência do jovem Marcos Arakaki, que desde 2007 atua na assistência da Orquestra Sinfônica Brasileira, junto a Roberto Minczuk (que não participou da banca julgadora), além de ser titular da Orquestra Sinfônica da Paraíba.

 

Ensuite...

No próximo fim-de-semana, Minczuk volta ao palco para reger o tradicional concerto de encerramento do festival, que contará com obras de Camille Saint-Saëns e Maurice Ravel, além de solos do excelente pianista francês Michel Dalberto. Finda esta etapa, será a produção do festival do ano que vem que definirá, de fato, os novos rumos deste importante evento da cultura brasileira, e tendo em vista não só o momento singular que o festival atravessa, mas também toda a agitação em torno da eleição de um novo regente titular para a Osesp, 2010 promete ser um ano com muitas outras surpresas nas paragens clássicas paulista.





Leonardo Martinelli - é compositor e jornalista. Foi editor-assistente da Revista CONCERTO entre 2009 e 2013, e atualmente é diretor de formação da Fundação Theatro Municipal de São Paulo.

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