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Oba, resgataram o Neukomm! (4/8/2009)
Por Irineu Franco Perpetuo

Se as efemérides musicais têm algum mérito é justamente o de forçar (ou estimular, ou pelo menos provocar) os intérpretes a incluírem no repertório partituras que, de outro modo, ficariam indefinidamente a pegar mofo e ácaro nas prateleiras. No ano passado, o bicentenário da fuga transatlântica da corte dos Bragança rumo ao Rio de Janeiro ensejou uma série de concertos e gravações dedicadas ao rico repertório que se fazia ouvir nas praias cariocas daquele tempo.

Recentemente chegou às lojas, aqui no Brasil, um bem-vindo rescaldo dos festejos de 2008. Trata-se de uma gravação ao vivo da Missa Solemnis pro die Acclamationis Johannis VI, de Sigismund Neukomm (1778-1858), por Jean-Claude Malgoire. Aluno de Haydn que veio parar no Brasil no embalo da Missão Artística Francesa, em 1816, Neukomm deixou um catálogo de cerca de 1300 obras que vêm sendo sistematicamente ignoradas pela posteridade.

Em sua Áustria natal, parece não haver muito interesse nesse compositor que o Dicionário Grove define como “figura de transição entre o Classicismo e o Romantismo”. Como o disco de que falo foi feito por um regente francês, poderíamos pensar que o interesse de Malgoire em Neukomm vem do fato de o músico ter se radicado, a partir de 1809, em Paris, e, em que pesem as inúmeras viagens, ter feito da capital francesa sua residência principal até o fim da vida, em 1858. Só que o Neukomm que tem interessado Malgoire é justamente o compositor dos cinco anos de Brasil –1816-1821. Previamente, o regente do grupo de instrumentos de época La Grande Écurie et La Chambre du Roy havia registrado o Libera me do compositor austríaco (que ele chegou a reger na Sala São Paulo, em 2007), e, agora, chega à imponente missa, escrita em 1817 para celebrar a ascensão ao trono de D. João VI.

Editada pela Funarte em 2002, a partitura é um testemunho dos mais eloquentes do alto nível dos cantores e instrumentistas que chegaram ao Brasil com a Real Capela lusa. Apuradíssima, a escrita instrumental de Neukomm inclui solos elaborados, com uma bela passagem para o violoncelo no Quoniam, e outra para o violino no Domine Deus. Mostrando ter se adaptado ao gosto operístico reinante na corte portuguesa, o compositor não hesita ainda em transformar os solos vocais em verdadeiras árias – sem, contudo, deixar de lado o contraponto, como mostra  a fuga do Cum Sancto Spirito.

Malgoire defende a obra não apenas com erudição e entendimento, mas imbuído de convicção e entusiasmo. Unindo a sofisticação harmônico-orquestral da técnica de composição centro-europeia ao fascinante melodismo mediterrâneo que Neukomm parece ter aprendido a cultivar nos trópicos, o resultado é um vibrante documento do nosso passado musical. Que venham mais resgates!

[Clique aqui para mais detalhes sobre o CD da Missa Solemnis de Neukomm por Malgoire.]

[Clique aqui para outros CDs com obras de Neukomm.]





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

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