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Almeida Prado e a “Turangalîla” brasileira (17/8/2009)
Por Leonardo Martinelli

Ao longo do último fim-de-semana a Sala São Paulo (SSP) foi temporariamente convertida em sala de cinema ao abrigar o que seria o ponto alto da III Jornada Brasileira de Cinema Silencioso. Por quatro dias seguidos a Osesp, sob a regência de Cláudio Cruz, executou a partitura de “Études sur Paris”, música do compositor José Antonio de Almeida Prado escrita especialmente como trilha sonora do filme homônimo de André Sauvage, rodado em 1928, que foi projetado em simultâneo com a música ao vivo.

Para a edição de agosto da Revista CONCERTO tive o privilégio de entrevistar o compositor e conversar mais detalhadamente sobre a obra. E, privilégio ainda maior, antes da estreia ter acesso à partitura da obra e ter uma idéia aproximada de sua sonoridade, auxiliado pela escuta do arquivo MIDI da peça (isto é, gerado por computador a partir de timbres sintéticos).

Uma das grandes referências da música contemporânea brasileira, Almeida Prado foi de uma franqueza e de um detalhismo excepcionais neste bate-papo que tomou toda uma tarde em seu apartamento no bairro paulistano da Pompeia. Além do desafio de escrever uma música tão longa para um filme não narrativo, Almeida Prado frisou a questão da liberdade criativa que ele se permitiu ao compor seus “Études sur Paris”: “Assumi assim uma libertação pós-moderna, me permitindo soar tal como se fosse os compositores que homenageio, sem ter que prestar contas para alguém.” De certa forma o compositor, estava respondendo preventivamente às possíveis críticas oriundas do pelotão vanguardista, tendo em vista que boa parte dos processos composicionais utilizados em sua elaboração remete-se às bases da escrita sinfônica clássico-romântica, somando-se ainda o uso abundante de harmonias tonais, além da notável presença da música popular urbana, em parte explicada pela relação com o próprio tema do filme.

Num certo sentido, sua partitura vai na contramão de tudo aquilo que se poderia esperar de um “compositor contemporâneo”, ainda mais ele, o criador das fundamentais e sempre modernas “Cartas Celestes”. Mas, durante a entrevista, Almeida Prado lembrou que o mesmo ocorrera com a “Sinfonia Turangalîla”, finalizada pelo compositor francês Olivier Messiaen em 1948 (e que foi executada pela própria Osesp na temporada de 2005). Obra-chave no repertório sinfônico do século XX, nesta música Messiaen – um dos gurus das vanguardas do pós II Guerra Mundial – vai ao encontro de uma escritura francamente lírica que fez torcer o nariz da moçada que estava em plena lua-de-mel com o serialismo integral. No folclore em torno da recepção desta peça diz-se que Pierre Boulez chegou mesmo a chamá-la de “música de cabaré”. Curiosamente, Boulez jamais adicionou a “Turangalîla” em sua extensa discografia dedicada a seu ex-professor...

No final das contas prevaleceu a liberdade artística: a obra de Messiaen se impôs no repertório sinfônico internacional, e agora a recém parida partitura Almeida Prado inicia com o pé direito a sua trajetória. Na récita de sexta-feira, com a SSP com ótima lotação, a plateia recebeu com aconchego a música, que definitivamente superou o desafio de manter a atenção da audiência ao longo dos 76 minutos de “áudiovisão” ininterruptos.

Porém, é notório que a execução da música em simultâneo com o filme não é algo que se consiga sem um intenso e caro trabalho de produção nos bastidores, e Almeida Prado conjectura se sem o filme a obra goze da mesma sustentação. Por isto, ele planeja seguir a sugestão de seu genro, o maestro Carlos Moreno, e elaborar uma suíte com trechos extraídos da trilha sonora (algo muito comum em obras desta natureza). Seria talvez mais um passo na carreira desta obra que já figura entre as grandes peças sinfônicas brasileiras da modernidade?





Leonardo Martinelli - é compositor e jornalista. Foi editor-assistente da Revista CONCERTO entre 2009 e 2013, e atualmente é diretor de formação da Fundação Theatro Municipal de São Paulo.

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