Banner 180x60
Bom dia.
Domingo, 19 de Novembro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
“A menina das nuvens”: ópera infantil de Villa-Lobos (28/9/2009)
Por Irineu Franco Perpetuo

O catálogo de Villa-Lobos é tão gigantesco que mesmo hoje, passado meio século depois de seu falecimento, ainda há muito que descobrir e avaliar. A efeméride dos 50 anos da morte do maior musicista que o Brasil produziu em 500 anos de História oferece uma excelente oportunidade para reflexão sobre ele, e, por aqui, quem parece ter aproveitado melhor a chance foi o Palácio das Artes, em Belo Horizonte.

Com o vácuo operístico que, a pretexto de reformas em suas instalações, o Teatro Municipal de São Paulo e seu co-irmão do Rio de Janeiro produziram nas programações das duas maiores cidades brasileiras, tem cabido ao Palácio a solitária tarefa de encenar títulos operísticos de relevância em 2009. No final de setembro, a casa resolveu encenar A menina das nuvens, de Villa-Lobos.

A ópera é uma das facetas mais negligenciadas de nosso compositor maior. O catálogo do Museu Villa-Lobos lista dez criações para o teatro musical. Contudo, como não há notícia de performance nem traço de partituras da maioria delas, sabe-se com certeza apenas de Izath (1912/14), Yerma (sobre texto homônimo de Garcia Lorca, e com estreia póstuma nos EUA, em 1971), do musical da Broadway Magdalena (1947) e desta A menina das nuvens, estreada no Rio de Janeiro, em 1960, e feita em Nova York, em 1989, em inglês, por iniciativa do pianista Alfred Heller.

Trata-se de uma ópera em três atos, com temática infantil, sobre texto de Lucia Benedetti, contando a história de uma menina que é criada nas nuvens, mas deseja voltar à terra para conhecer sua mãe e, depois de uma série de reviravoltas, acaba se casando com um príncipe.

Ficou todo mundo apreensivo quando soube que, em um ensaio, o barítono Lício Bruno, escalado para fazer o papel do Tempo, havia despencado de sete metros de altura. O cantor teve que sofrer intervenção cirúrgica, mas, felizmente, estava fora de perigo quando o presente texto foi redigido.

Em consequência do acidente, a estreia da ópera foi adiada, de 20 para 22 de setembro. O espetáculo foi dedicado a Bruno, em cujo lugar foi escalado o barítono mineiro José Carlos Leal.

Leal entrou na ópera em cima da hora, e seu personagem foi resolvido de maneira engenhosa. Ele ficava sentado em uma cadeira, no proscênio, vestido de preto, e com a partitura diante de si, enquanto, no palco, quem atuava era um ator.

Dado o clima de fantasia assumidamente não-realista da encenação dirigida por William Pereira, a solução funcionou muito bem. Pereira construiu um mundo infantil a um só tempo simples e estilizado, e soube imprimir dinâmica ao prolixo libreto.

Cena de “A menina das nuvens”, de Heitor Villa-Lobos [Foto: divulgação Palácio das Artes / Paulo Lacerda]

Gabriella Pace revelou-se o grande destaque da noite, com temperamento de protagonista, secundada pelos barítonos Inácio de Nonno e Homero Velho, e pelo surpreendente tenor Flávio Leite. Há que se frisar, contudo, que todo o elenco teve suas vozes generosamente amplificadas pela aparelhagem sonora do Palácio das Artes.

No fosso orquestral, Roberto Duarte, o grande artífice da recuperação desta e de outras partituras de Villa-Lobos, teve trabalho para domar uma Sinfônica de Minas Gerais de escassa qualidade sonora, com solos que se desfaziam a cada compasso.

Duarte compôs ainda um prelúdio de quatro minutos para a obra, a partir da música de Villa-Lobos, e inseriu textos da peça de Benedetti, na tentativa de esclarecer sua trama. Nos dois primeiros atos, a partitura se revelou derivativa, de duração excessiva, com momentos de franca banalidade. O criador que o Brasil aprendeu a reverenciar só se revela no terceiro ato da ópera, em que a orquestração luxuriante e neo-romântica do Villa-Lobos dos anos 1950 se encontra com o melodismo seresteiro dos anos 1930 e com algumas ousadias rítmicas e harmônicas da década de 1920.

Tudo somado, A menina das nuvens talvez não seja o melhor Villa-Lobos, mas vale a pena ser conhecida. Parabéns, Roberto Duarte! Obrigado, Palácio das Artes!





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

Mais Textos

Budu e Hilsdorf: nasce um duo Por Irineu Franco Perpetuo (14/11/2017)
Três óperas Por Jorge Coli (7/11/2017)
Convocação de OSs para Emesp, Guri e Conservatório de Tatuí reforça torniquete financeiro do governo Por Nelson Rubens Kunze (3/11/2017)
Para onde nos levará a onda de censura no país? Por João Marcos Coelho (31/10/2017)
Os quartetos de cordas e a reavaliação da obra de Villa-Lobos Por Camila Frésca (30/10/2017)
O Brahms profundo e espontâneo de Nelson Freire Por Irineu Franco Perpetuo (25/10/2017)
Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
Neojiba: o exemplo da Bahia para o Brasil Por Irineu Franco Perpetuo (24/7/2017)
Você conhece José Vieira Brandão? Por João Marcos Coelho (12/7/2017)
Campos do Jordão, Salzburg e a economia da cultura Por Nelson Rubens Kunze (12/7/2017)
Rameau em “dreadlocks” Por Jorge Coli (11/7/2017)
Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin: sobre expectativas, decepções e boas surpresas Por Camila Frésca (5/7/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Novembro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
29 30 31 1 2 3 4
5 6 7 8 9 10 11
12 13 14 15 16 17 18
19 20 21 22 23 24 25
26 27 28 29 30 1 2
 

 
São Paulo:

29/11/2017 - Ópera La Belle Hélène, de Jacques Offenbach

Rio de Janeiro:
23/11/2017 - IX Concurso Jovens Músicos

Outras Cidades:
22/11/2017 - Vitória, ES - Orquestra Sinfônica do Estado do Espírito Santo
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046