Banner 468x60
Banner 180x60
Boa tarde.
Sexta-Feira, 20 de Outubro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Municipal do Rio em “soft opening” (17/5/2010)
Por Irineu Franco Perpetuo

Enquanto o Teatro Municipal de São Paulo não dá sinal de vida, o do Rio de Janeiro inventou o curioso conceito de “soft opening”. 20% de desconto nos ingressos, salões fechados, sinais visíveis de reformas por todos os lados: na prática, a casa ainda está em obras, embora já receba concertos e espetáculos de balé. A abertura de verdade está prometida para 29 de maio, com a ópera Il Trovatore, de Verdi.

Foi nesse clima de “soft opening” que a Orquestra Sinfônica Brasileira - OSB fez, no dia 8 de maio, um sábado à tarde, a abertura de sua temporada 2010. Como estão sendo festejados os 70 anos da orquestra, a programação está cheia de reminiscências. Foi o caso deste concerto, "Carnaval dos Pianistas", com seis instrumentos no palco, voltados de costas para o público, para tocar o Hexameron, de Liszt, evocando evento de 1979.

Para os que somos de São Paulo, tal recordação tem caráter tragicômico, já que, naquela época, o programa foi trazido para cá, com modificações na lista de solistas: ao lado de Nelson Freire, Arthur Moreira Lima, Jacques Klein, Antônio Guedes Barbosa e João Carlos Martins, figurava o nome do então governador de São Paulo, Paulo Maluf. O evento virou LP...

Mas desta vez, felizmente, ninguém teve a ideia de bajular algum político de plantão. João Carlos Martins atacou de regente, pianista e mestre de cerimônias, falando longamente ao microfone e apresentado seus colegas de palco: Arthur Moreira Lima, Fernando Lopes, Gilberto Tinetti, Jean Louis Steuerman e José Feghali.

O programa começou com um achado e um desastre. O achado foi a bela transcrição para orquestra de Leopold Stokowski para Jesus, alegria dos Homens, de Bach. E o desastre foi o Concerto para quatro pianos BWV 1065, do mesmo compositor, que não parecia ensaiado, e no qual estiveram completamente desencontrados a orquestra e os pianos de Lima, Lopes, Tinetti e Feghali.

O constrangimento se desfez rapidamente com o Carnaval dos animais, de Saint-Saëns, graças a uma execução cheia de brilho e senso de estilo de Feghali e Steuerman. E, depois do intervalo, cada um dos tecladistas tocou um item solo de Chopin.

Arrumar seis pianos é tarefa difícil em qualquer cidade brasileira, e aqueles que estavam no palco do Municipal carioca revelaram ser especialmente desiguais. Tinetti parece ter sido “brindado” com o pior deles e, contudo, realizou uma execução elegante e poética da Valsa op. 69 nº 1. Lima, em contraste, levou seu próprio piano, um bom instrumento que, contudo, não salvou uma interpretação cheia de notas erradas da Valsa brilhante – op. 18.

O item que todos tinham ido ao Municipal para ver, contudo, era o Hexameron, curiosa composição colaborativa para seis pianos e orquestra na qual Liszt teve a parte do leão, mas para com a qual contribuíram também Chopin, Czerny, Thalberg, Pixis e Hertz.

Ali, Moreira Lima apagou a má impressão deixada pela valsa de Chopin, com uma execução cheia de brio, caráter, personalidade e volume sonoro. Embora tenham tido apenas uma ocasião de ensaiar no palco do Municipal com uma OSB que, nessa obra, acabou regida por Marcos Arakaki, pode-se dizer que todos os pianistas se saíram bem na peça. Constituiu especial surpresa ver Tinetti – normalmente associado às sutilezas do classicismo germânico e da música de câmara – à vontade com o pianismo extrovertido e bombástico dessas variações sobre um tema da ópera I Puritani, de Bellini.

De qualquer forma, foi bom ver o lindo Municipal do Rio de Janeiro de volta à ativa, e como centro dinâmico da vida musical da Cidade Maravilhosa. Será que algum dia poderemos dizer o mesmo de seu coirmão paulista?





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

Mais Textos

Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
Neojiba: o exemplo da Bahia para o Brasil Por Irineu Franco Perpetuo (24/7/2017)
Você conhece José Vieira Brandão? Por João Marcos Coelho (12/7/2017)
Campos do Jordão, Salzburg e a economia da cultura Por Nelson Rubens Kunze (12/7/2017)
Rameau em “dreadlocks” Por Jorge Coli (11/7/2017)
Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin: sobre expectativas, decepções e boas surpresas Por Camila Frésca (5/7/2017)
Encomenda da Osesp mostra Mehmari maduro Por Irineu Franco Perpetuo (3/7/2017)
Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Outubro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 31 1 2 3 4
 

 
São Paulo:

27/10/2017 - Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo

Rio de Janeiro:
23/10/2017 - XXII Bienal de Música Brasileira Contemporânea

Outras Cidades:
22/10/2017 - Curitiba, PR - III Festival de Ópera do Paraná
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046