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Kristjan Järvi fez história com a Osesp (14/6/2010)
Por Irineu Franco Perpetuo

Quem viu, viu: neste mês, na Sala São Paulo, Kristjan Järvi comandou um dos melhores concertos da história da Osesp.

Ver a sala lotada com o público batendo palmas, felizmente, não é novidade. Já os músicos sorrindo para o regente, não é coisa que se veja todo dia lá pelos lados da Luz. E a orquestra aplaudindo freneticamente o maestro depois de cada peça, então, é sinal de que algo de muito especial estava ocorrendo.

Ok, o casamento Osesp-Tortelier não vinha vivendo sua fase mais entusiasmada. O concerto com a pianista Ewa Kupiec, regido por Tortelier duas semanas antes da apresentação de Järvi, motivara nos integrantes da orquestra queixas públicas e manifestações de desaprovação.

De qualquer forma, não é possível atribuir apenas a esse desgaste o enlevo que a Osesp experimentou ao se apresentar com Järvi, um sobrenome que está intrinsecamente ligado à regência, como sabe a parte do público que acompanha a música erudita de perto – o pai, Neeme, 72, andou atuando recentemente à frente da Osesp, enquanto o irmão mais velho, Paavo, 47, esteve por aqui com a Philharmonia Orchestra e com a Orquestra do Festival de Verbier.

Nascido na Estônia, mas criado nos EUA, Kristjan, 37, regeu tudo de cor – algo que impressiona até menos do que a aliança entre carisma, vitalidade e profundo senso de estilo que ele esbanjou por aqui. Sob sua regência, a Osesp tocou Haydn, Bernstein e Stravinsky. Três compositores distintos e, o que se viu e ouviu foram justamente três mundos sonoros completamente diferentes.

Não me lembro de ter ouvido a Osesp tocar o estilo clássico com tamanho entendimento como quando dessa Sinfonia nº 86 dirigida por Järvi, com articulações, fraseados e efeitos de dinâmica que eu até tinha me esquecido que a orquestra era capaz de fazer. Depois veio a suíte de Candide, de Bernstein, e todo o colorido e vibração do compositor norte-americano tomaram conta da Sala São Paulo.

Já estava bom, mas o melhor ainda precisava vir. Porque uma série de circunstâncias faziam com que a Sagração da Primavera fosse um item meio traumático na história da Osesp, tendo representado, no ano passado, motivo de crise e tensão.

Dessa vez, não teve nada disso. Järvi parecia estar o tempo todo no controle dos complexos padrões rítmicos da Sagração – e, portanto, podia não se preocupar excessivamente com a contagem, e incutir na execução da partitura o caráter de bailado que ela tem. Com ele, a Osesp pareceu esquecer suas preocupações e limitações, e se atreveu a sonhar. Estar na Sala São Paulo e compartilhar desse sonho foi um momento muito especial, daqueles que a gente carrega para o resto da vida.





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

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