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Pesquisas recentes estão no livro "História e música no Brasil" (6/7/2010)
Por Camila Frésca

Organizado pelos professores José Geraldo Vinci de Moraes e Elias Thomé Saliba, do departamento de história da Universidade de São Paulo (da FFLCH), o livro "História e música no Brasil" traz estudos historiográficos recentes que analisam a música de formas distintas. Na esclarecedora Apresentação do volume, os organizadores realizam uma espécie de balanço sobre a forma como a música foi abordada, enquanto objeto de estudo, não apenas pela história social mas também pela sociologia, musicologia e etnomusicologia.

Sendo a música entendida como fenômeno artístico e cultural apenas no século XIX, as disciplinas que surgiram para estudá-la nasceram marcadas pelo positivismo e cientificismo. A primeira delas, musicologia, surgia com a pretensão de ser a “ciência da música”, explicando cientificamente o discurso interno da linguagem musical. Já a sociologia da música objetivava relacionar a produção musical com o indivíduo e a sociedade, levando em conta os modos como eles organizavam os sons em forma de música; como a produziam, divulgavam e criavam gostos. Mais tarde a etnomusicologia surgiria para se ocupar da música que transcendia os limites da “música culta” europeia, abrindo espaço tanto para a produção popular quanto para a de outras culturas.

A “história da música” seria a mais jovem dessas ciências musicais, realizando, por sua vez, uma abordagem no tempo, o que significava classificar épocas e estilos, além de exaltar os grandes artistas e suas obras. Só bem mais tarde, conforme lembram os autores, a historiografia, nas palavras de Carl Dalhaus, “passou a incluir autores e obras ‘mais triviais’ e permitiu o surgimento de uma ‘história social da música’”. Segundo Saliba e Moraes, os historiadores de ofício se mantiveram por muito tempo distante da música e alguns, quando a abordaram, curiosamente preferiram fazê-lo utilizando-se de pseudônimos – Eric Hobsbawm, por exemplo, lançou pela primeira vez seu conhecido livro "História social do jazz", na década de 1960, sob o pseudônimo de Francis Newton.

Brasil
No Brasil isso não foi diferente e poucos foram os historiadores que se arriscaram pelo tema. No século XX, a obra de Gilberto Freyre é a que mais se destaca nesse sentido: em livros como Casa grande e senzala, Sobrados e mocambos e Ordem e progresso ele revela uma variedade de sons, ritmos, músicas e canções que permearam nosso universo musical desde a colônia. No entanto, para os organizadores de História e música, “o fato concreto é que muito pouco se produziu na oficina da história além destas obras. O espaço e o papel concedidos à música nos livros, artigos em revistas especializadas, coleções e manuais de história continuaram insignificantes até o final do século XX”. Mas parece que a situação começou a mudar por aqui a partir de meados da década de 1990, quando passaram a surgir diversos trabalhos que ampliaram o horizonte do tema. O objetivo da publicação é, então, revelar um pouco da riqueza e dinâmica destas novas formas de se abordar a música pelo discurso historiográfico.

Os nove capítulos que compõem o livro foram escritos por diferentes autores cuja formação se deu no âmbito da história social, embora todos tenham formação ou abordagem interdisciplinar. Estão no livro desde o reconhecido pesquisador Paulo Castagna – que apresenta uma arejada visão sobre as características da música colonial em seu artigo “Música na América portuguesa” – até as jovens historiadoras Virgínia Bessa (com “Imagens da escuta: traduções sonoras de Pixinguinha”) e Camila Koshiba Gonçalves (no capítulo “Vitrola paulistana pelos olhos e ouvidos de um basbaque andarilho”). Completam o volume os artigos “Aspectos da música no Brasil na primeira metade do século XIX” (de Maurício Monteiro), “Batuque: mediadores culturais do final do século XIX” (Cacá Machado), “Entre a memória e a história da música popular” (José Geraldo Vinci de Moraes), “Samba exaltação – fantasia de um Brasil brasileiro” (João Ernani Furtado Filho) e “Na trilha das grandes orquestras. O ABC da cidade moderna. Aviões, bailes e cinema” (Francisco Rocha). Um CD com exemplos musicais serve como complemento e ilustração ao que se lê.

Erudito x popular
A leitura dos ótimos artigos de História e música no Brasil traz uma visão bastante atual, multifacetada e por vezes pouco tradicional da história da música brasileira (vale também conferir o site www.memoriadamusica.com.br que traz materiais relacionados a um grupo de estudos sobre o assunto coordenado pelo professor José Geraldo). Contudo, o livro reforça um dado curioso que provavelmente tem relação com as características presentes na origem de cada uma dessas “ciências da música”. Parece que há uma clara opção ou preferência pelo estudo da chamada música popular dentro da produção historiográfica (aquela desenvolvida nas faculdades e departamentos de história), enquanto que a musicologia (a pesquisa musical feita no âmbito dos departamentos de música) se ocupa quase que exclusivamente da música “erudita”. Apesar de não haver nenhum tipo de determinação ou impedimento formal para que se pratique o contrário, é só observar os objetos de estudo eleitos pelas pesquisas desenvolvidas nos programas de pós-graduação de cada uma dessas áreas para constatar tal fato. No livro em questão, os dois capítulos iniciais (que tratam da colônia e do início do século XIX) centram-se na música erudita – inclusive pela escassez de informações acerca da produção popular desses períodos. Os sete capítulos seguintes, entretanto, vão rumando paulatinamente para a música popular. Só para relembrar, no artigo do mês passado, abordei o livro "Pesquisa em música no Brasil", formado por textos de acadêmicos atuantes nos programas de música e que, por sua vez, tratava quase que exclusivamente de manifestações musicais “eruditas”.





Camila Frésca - é jornalista e doutoranda em musicologia pela ECA-USP. É autora do livro "Uma extraordinária revelação de arte: Flausino Vale e o violino brasileiro" (Annablume, 2010).

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