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Pelléas e Mélisande em Belo Horizonte (23/6/2008)
Por Nelson Rubens Kunze

Depois do excelente Barba Azul com Céline Imbert e Stephen Bronk (produzido em 2006) – ao qual os paulistanos puderam assistir no Theatro Municipal no mês passado – o Palácio das Artes de Belo Horizonte acaba de apresentar outra produção de destaque de uma ópera do século 20: Pelléas e Mélisande, de Claude Debussy. Baseada no texto da peça de teatro de Maeterlinck, a ópera conta a história do amor impossível entre Pelléas e Mélisande, por ela ser casada com o irmão dele, Golaud.

A composição é um marco na história por sua estética simbolista e uma maneira nova de abordar o canto lírico, muito mais uma declamação da própria musicalidade do texto do que as antigas árias arrebatadoras. Como escreve o pesquisador Sergio Casoy no programa do espetáculo ,"com seus 'acordes incompletos, flutuantes', a anarquia harmônica de Debussy mostra novos caminhos para os musicistas modernos, ao mesmo tempo em que cria um novíssimo estilo vocal [...]. É por isso que Pelléas, ao estrear em 1902, com suas profundas mudanças de estilo e de linguagem, inaugura o teatro lírico do século XX."

Simples e despretensiosa, foi muito feliz a encenação dirigida por Marcio Aurelio. Placas translúcidas delimitando espaços, com uma iluminação eficiente, deram apoio a uma atmosfera onírica muito apropriada ao espetáculo. Usando figurantes como representação de algumas cenas do enredo – como lago, árvores e fontes, entre outras – Aurélio introduziu uma nova e rica dimensão interpretativa. Especialmente a cena da revoada dos pombos no terceiro ato teve um belíssimo efeito visual, intensificando a sensação de instabilidade e medo dos amantes. Também foi bem aproveitado o recurso da cadeira de rodas e das mesas cirúrgicas, especialmente na cena em que Golaud conta a Pelléas que Mélisande está grávida, e que ele deve se afastar dela.

Foi muito bom, também, o rendimento da Orquestra Sinfônica do Estado de Minas Gerais. Com gestos largos e ótima percepção de andamentos, Abel Rocha fez a música fluir organicamente, mantendo a tensão da partitura. Também o elenco (Fernando Portari, Rosana Lamosa, Jean-Philippe Lafont, Regina Elena Mesquita e Carlos Eduardo Marcos nos papéis principais) contribuiu para o bom resultado do espetáculo. O destaque ficou para o ótimo barítono francês Jean-Philippe Lafont, que fez com muita competência o difícil papel de Golaud.

Seria bom se o Theatro Municipal de São Paulo e o Palácio das Artes retomassem a parceria do Barba Azul e a produção mineira de Pelléas e Mélisande pudesse ser vista também pelo público paulistano, onde o título jamais foi encenado.

(Nelson Rubens Kunze viajou a Belo Horizonte e assistiu a Pelléas e Mélisande a convite do Palácio das Artes.)





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

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