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“Don Pasquale”: um caminho para o São Pedro? (9/9/2010)
Por Irineu Franco Perpetuo

Cantores dando bis em cena aberta, orquestra orgulhosa e satisfeita, público feliz a não mais poder: temos que reconhecer o óbvio triunfo obtido pela montagem de Don Pasquale, de Donizetti, no final do mês passado, no Teatro São Pedro.

Um triunfo ainda mais significativo se levarmos em conta que o São Pedro, nos últimos anos, tem sido o palco de alguns dos mais tristes "micos" operísticos paulistanos. Exceções, é claro, houve (a mais honrosa das quais, não custa lembrar, foi O Homem que confundiu sua mulher com um chapéu, no já distante 2006); contudo, a regra no belíssimo teatro da Barra Funda tem sido montagens a oscilar entre o ridículo involuntário, o constrangimento desnecessário e a mais pura vergonha alheia.


Douglas Hahn, Saulo Javan e Rosana Lamosa em cena da ópera Don Pasquale [Foto: divulgação/Adriano Escanhuela]

No Don Pasquale, felizmente, não teve nada disso. A inteligência de Enzo Dara, que soube apostar na minuciosa direção de cantores para construir as situações cômicas requeridas pelo libreto, permitiu a todos esquecer a pobreza franciscana e a feiura atávica da cenografia.

A jovem orquestra, que havia começado o ano desempenhando sofrivelmente em um repertório visivelmente acima de suas forças, começa a encontrar sua sonoridade, sob a regência fluente e conhecedora do estilo de Vito Clemente.

E os cantores se mostraram perfeitamente à vontade em suas partes – seria injusto fazer qualquer destaque individual no equilibrado, carismático e brilhante quarteto formado por Saulo Javan (Don Pasquale), Douglas Hahn (Malatesta), Fernando Portari (Ernesto) e Rosana Lamosa (Norina).

Se as derrotas, pelo que dizem, ensinam, não me parece que seria ocioso tentar extrair carga pedagógica também dos triunfos. E refletir se Don Pasquale não sinaliza um caminho para a ainda errática programação do São Pedro. Porque não faz o mínimo sentido o teatro tentar competir com o Municipal de São Paulo, ou mesmo preencher a gigantesca lacuna deixada pela vergonhosa ausência da casa em nossa programação operística.


Fernando Portari, na ópera Don Pasquale [Foto: divulgação/Adriano Escanhuela]

O São Pedro é menor, tem uma orquestra jovem, coro semiamador e orçamento reduzido. Não devem caber por lá, portanto, delírios de tentar levar à cena óperas que peçam efetivo instrumental gigantesco, nem que requeiram aparato cênico luxuriante.

Isso exclui muita coisa do repertório, mas também deixa abertas portas interessantíssimas. Há todo o século XVIII a ser explorado (Mozart inclusive!), além de inúmeros e deliciosos títulos do bel canto e sofisticadas óperas de câmara do século XX.

Essa ampla faixa do repertório, além de agradar o público, pode oferecer excelentes oportunidades de trabalho aos cantores locais, cuja vocalidade leve rende muito mais nesse tipo de espetáculo do que nos títulos veristas e wagnerianos em que por vezes são equivocadamente escalados.

Se adotada essa linha, um sucesso como Don Pasquale tem tudo para se tornar não a mais clamorosa das exceções, mas a mais gloriosa das regras. Vale a pena torcer.





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

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