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Beethoven e seus duplos (13/12/2010)
Por Leonardo Martinelli

Dezembro é o mês de aniversário de Ludwig van Beethoven, e este ano o mercado musical brasileiro celebra a data com dois lançamentos que, coincidentemente, enfatizam a questão do “duplo” a partir da obra do mais célebre filho de Bonn.

A Nona e seu duplo

O primeiro dos lançamentos é o livro A Nona sinfonia e seu duplo, do pesquisador Daniel Bento, que será lançado nesta próxima quinta-feira, dia 16, dia do nascimento de Beethoven (consulte o serviço ao final do texto). Um dos mais promissores estudiosos de sua geração, Bento já havia se dedicado anteriormente à questão beethoveniana com seu Beethoven, o princípio da modernidade (Annablume, 2002), no qual traçou conexões entre a obra de Beethoven com a poética do dodecafônico Arnold Schoenberg, a partir de uma detalhada análise comparativa entre a Sonata Hammerklavier  e a Suíte para Piano opus 25.

Em sua nova publicação, Bento retoma a célebre Sonata Hammerklavier (com a qual o autor inclusive chegou a se apresentar anos atrás), desta vez estabelecendo uma conexão de seus processos composicionais com os realizados por Beethoven em sua Sinfonia nº 9. Neste contexto, a ideia de duplo estabelecida por Bento justifica-se não apenas pela relevância no contexto artístico literário que circundou Beethoven, mas, sobretudo, pelas evidências musicais (esmiuçadas ao longo de suas análises) de que tratar-se de obras com um inegável elo estético e técnico. “Duplos são metáforas um do outro e da própria identidade” sumariza o autor na introdução do texto, e neste sentido a escuta da famosa Nona sob a luz da pré-existência da Hammerklavier torna-se um ato de resignificação desta que é uma das mais afamadas obras do repertório sinfônico. E vice-versa: ouvir a Hammerklavier enquanto a “Nona sinfonia do piano”, tal como já afirmara o pianista Anton Rubinstein, é também um poderoso ato de escuta criativa que será potencializado pela leitura deste livro.

A Eroica e seu duplicado

A força da obra de Beethoven é algo tão intenso que já na sua época ela foi sentida por seus contemporâneos. Séculos antes da era da eletrônica facilitar a difusão de bens culturais, Beethoven se tornara um dos artistas mais debatidos e estudados de seu tempo, influenciando de forma imediata todas as gerações de compositores que o sucederam. Parte destes estudos e debates foi realizada por meio de arranjos e adaptações de suas obras sinfônicas para os mais diversos instrumentos e formações. No âmbito doméstico, proliferaram versões para piano solo ou a quatro mãos de suas nove sinfonias, dentre as quais as virtuosísticas transcrições realizadas por Franz Liszt figuram como as mais interessantes.

Entretanto, chega ao mercado nacional uma gravação de sua Sinfonia nº 3, “Eroica a partir de uma transcrição do compositor alemão Ferdinand Ries (1784-1838) em uma gravação do trio de cordas Solistas de Paulínia com o pianista francês Emmanuel Strosser, que recém terminaram uma turnê de divulgação do álbum. Autor de nada menos que 8 sinfonias, 26 quarteto de cordas, um concerto para violino e 9 para piano (que inclusive iniciaram a carreira do infante Liszt), Ries foi bastante divulgado em vida, mas sua posteridade foi eclipsada pelo astro-rei de Beethoven. Sua transcrição para trio de cordas e piano da Eroica de Beethoven faz parte de um hábito da época, onde o estudo de uma partitura ocorria de forma profunda e visceral, ao mesmo tempo em que possibilitava que uma sinfonia titânica com a Eroica ressoasse nas salas-de-estar séculos antes dos aparelhos de som.

A partir do “duplicado” elaborado por Ries, a escuta da Eroica ganha uma nova dimensão, na medida em que a economia dos recursos instrumentais traz à luz uma série de questões de escritura musical que facilmente são diluídas ao longo de uma escuta sinfônica.

Seja pelo seu duplo, seja pelo seu duplicado, os brasileiros têm neste mês bons motivos para comemorar o aniversário de Ludwig van.


A Nona sinfonia e seu duplo, de Daniel Bento
Edunesp, 226 págs., R$ 37
Noite de autógrafos na Livraria da Vila do Shopping Cidade Jardim, dia 16/12, a partir das 18:30.

Beethoven, Sinfonia Eroica em arranjo de Ferdinand Ries
Solistas de Paulínia e Emmaniel Strosser (piano)
Selo Clássicos, 48’24”, R$ 25





Leonardo Martinelli - é compositor e jornalista. Foi editor-assistente da Revista CONCERTO entre 2009 e 2013, e atualmente é diretor de formação da Fundação Theatro Municipal de São Paulo.

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