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Aperitivo saboroso (29/3/2011)
Por Nelson Rubens Kunze

Uma abertura de Wagner, as Quatro últimas canções de Strauss e a Messa di Gloria de Puccini: foi esse o aperitivo que o maestro Abel Rocha e a Orquestra Sinfônica Municipal serviram no último domingo na Sala São Paulo, na primeira atuação do novo regente titular e diretor artístico do Teatro Municipal de São Paulo. O repertório sublinhou as breves palavras do maestro ao início do concerto: recuperar a vocação lírica do Teatro Municipal com uma programação que privilegie as vozes e seu ótimo Coral Lírico. Abel Rocha também anunciou a primeira ópera do ano, Pagliacci de Leoncavallo, que será encenada ao ar livre no Pátio do Colégio durante a próxima Virada Cultural (dias 16 e 17 de abril).

É natural que uma primeira apresentação com um grupo desmobilizado e um maestro estreante apresente irregularidades – especialmente considerando a exigência do repertório. Mas é inegável que faz tempo que a orquestra não apresentava um concerto tão empolgante, com um desempenho que foi em um crescendo do começo ao fim. Se a abertura da ópera Os mestres cantores de Nürnberg de Richard Wagner (1813-1883) soou um pouco muito espalhafatosa (há quem diga que ela deve mesmo soar assim!), as canções já mostraram a sinfônica realçando detalhes da rica textura harmônica da partitura do compositor alemão Richard Strauss (1864-1949). E foi excelente a participação da soprano Eiko Senda. De voz poderosa e musicalidade natural, Senda interagiu perfeitamente com a orquestra. Foi especialmente tocante a terceira canção, Indo dormir, com a orquestra acompanhando com sensibilidade e logrando projetar toda a carga dramática da obra.

Mas foi a Messa de Gloria de Giacomo Puccini (1858-1924) o ponto alto da tarde. A obra foi uma ótima escolha também para demonstrar as potencialidades do Teatro Municipal. Além de boa atuação do Coral Lírico – que tem direção de Mário Zaccaro – a apresentação da Sala São Paulo contou com ótimas atuações dos solistas Miguel Geraldi, Leonardo Neiva e Sávio Sperandio. Também aqui o maestro Abel Rocha, com seus gestos largos, deu prova de perfeita compreensão da partitura e senso natural para desenvolver com maestria o discurso musical.

Sem dúvida, o concerto foi um início auspicioso de, assim se espera, uma nova fase do combalido Teatro Municipal de São Paulo. Maestro, solistas, orquestra e coro deram provas de que a parte artística funciona. Resta ver se o elefante branco não vai atravancar as coisas...





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

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