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Quero me posicionar! (7/4/2011)
Por Jorge Antunes

Tenho recebido inúmeras manifestações de músicos brasileiros, com opiniões, protestos, defesas, ataques e reflexões sobre a polêmica criada na OSB, a Orquestra Sinfônica Brasileira. A administração da orquestra e o seu regente atual decidiram realizar provas individuais para avaliar cada um dos músicos da orquestra. Pretende-se medir a atual capacidade técnico-musical de cada integrante. Muitos músicos, trabalhadores que se dedicam àquela orquestra há décadas, reclamam e se negam a serem submetidos à prova. A principal alegação é a de que a pretendida avaliação já foi feita quando do ingresso de cada um na orquestra, e que a aferição do rendimento de cada um já poderia ter sido feita durante o trabalho de décadas do grupo. Muitos denunciam o fato de que apenas um membro da orquestra não foi convocado para fazer a prova: o regente.

A direção da orquestra, por sua vez, não esclarece quais medidas serão tomadas pela administração, no caso de músicos receberem avaliação negativa. Ou seja, a demissão é um fantasma que habita os temores de muitos dos antigos integrantes da formação.

A OSB enfrenta problema de carência de músicos. Para completar as vagas, é dado início a um processo seletivo que pretende arregimentar músicos, pouco importando qual o domicílio dos candidatos. Para tanto, são oferecidos empregos não exclusivamente a brasileiros. Audições de candidatos serão promovidas, durante o mês de maio, em Londres, Nova Iorque e Rio de Janeiro.

Tenho sido provocado, convidado, instigado a me manifestar. Pior ainda, sabendo de minha permanente vontade de opinar e botar a boca no trombone, recentemente um amigo me pediu para liderar um movimento em favor dos músicos. Mas continuo titubeante, hesitante, porque tenho considerado a questão sob o ponto de vista do interesse público, do apoio à cultura brasileira em geral e à música brasileira em particular.

Não vi nenhum dos lados da contenda apresentar argumentos que contemplem o interesse nacional. Por essa razão resolvo, aqui, apresentar perguntas aos dois lados, para que, munido de respostas, eu possa definir minha posição. Quando a pendenga se resolver e tudo voltar à paz, a OSB vai tomar um rumo, realizar seus concertos normalmente, fazer discos e turnês. Preciso saber como será o “day after”.

1- Como será realizado o processo de escolha de repertório? Haverá uma comissão de músicos integrantes da orquestra que opinará na escolha das obras? Ou o regente decidirá sozinho?

2- Será estabelecido um percentual mínimo de música brasileira para as temporadas? Qual percentual?

3- Quantas encomendas, por ano, serão feitas a compositores brasileiros?

4- Em cada turnê ao exterior, em cada CD ou DVD gravado, serão incluídas obras de compositores brasileiros vivos? Ou serão incluídas apenas obras de Villa-Lobos?

5- Quais obras musicais serão incluídas nas provas de seleção de músicos em Londres e em Nova Iorque? Serão incluídas obras de autores brasileiros, ou apenas obras do repertório clássico e romântico europeu? Será exigida leitura à primeira vista de trechos complexos de obras de Tacuchian, Ficarelli, Bauer, Lacerda, Lindembergue e Nobre?

6- Os candidatos trombonistas de Nova Iorque deverão, na prova de seleção, demonstrar saber tocar o trecho da página 20, edição Sistrum, da obra Santos Football Music de Gilberto Mendes? Os violinistas ingleses, candidatos, deverão demonstrar saber ler à primeira vista os ritmos complexos de minha Congadasein?

7- Algum dos lados da contenda já está programando convite ao Maestro Henrique Morelembaum, para reger um concerto neste ano de 2011 em que ele completa 80 anos de idade?

8- Está programada encomenda de obra nova do compositor Aylton Escobar para estreia em 2013 quando ele completará 70 anos de idade?

9- Qual é a proposta da Comissão de músicos da orquestra para o próximo ano, quando o Brasil deveria comemorar o centenário de nascimento de Eleazar de Carvalho?

10- Neste ano de 2011, a direção da orquestra pretende homenagear o centenário de Vieira Brandão?

Tenho muitas outras perguntas a serem feitas aos dois lados antagônicos da pendenga. Mas essas bastam por enquanto. Quando eu tiver conhecimento das respostas às perguntas acima, possivelmente poderei me posicionar.

[Respostas e comentários podem ser enviados para info@concerto.com.br]





Jorge Antunes - é maestro, compositor, pesquisador do CNPq, pesquisador sênior da UnB

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