Banner 468x60
Banner 180x60
Boa noite.
Sexta-Feira, 22 de Junho de 2018.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 

 
 
 
Viva a revolução! Viva a revolução? (11/4/2011)
Por Nelson Rubens Kunze

Mudanças estruturais são traumáticas, não tem jeito. Curioso é notar que agora, nessa crise da OSB, se identifique o espírito revolucionário da transformação nos músicos rebelados: abaixo a tirania do maestro, abaixo a desumanidade, abaixo o desrespeito!

Sem entrar no mérito do suposto autoritarismo do maestro – ninguém está defendendo métodos ditatoriais no relacionamento com os instrumentistas! –, não vejo os músicos contestando a antiquada estrutura de funcionamento de nossas sinfônicas. Ao contrário, os músicos agem pela manutenção do status quo, querendo deixar tudo do jeito que está – ou melhor, do jeito que estava. E a realidade que se tem por todo o Brasil, com raras exceções, são orquestras lutando no limiar da sobrevivência, músicos com diversas atividades paralelas, nenhuma segurança trabalhista e todas outras mazelas conhecidas...

A Fundação OSB (Fosb) e o maestro Roberto Minczuk quiseram mais. Eles já tinham reunido um conselho de personalidades de peso, criado uma administração organizada, logrado sensibilizar patrocinadores e resgatado uma orquestra desmantelada. Agora, a Fosb e o maestro Minczuk imaginaram ir além. Querem dar o salto definitivo, propondo a criação de uma orquestra moderna, que tivesse músicos com dedicação integral, bem remunerados, com vínculos trabalhistas dignos; querem uma orquestra moderna que possa oferecer com qualidade o patrimônio da música universal, que possa dialogar com a criação contemporânea, que possa fazer turnês e gravar CDs; enfim, querem uma orquestra que possa se medir pelas grandes e centenárias orquestras mundiais. E isso tudo na expectativa de finalmente, após 70 anos, conquistar uma sede, a Cidade da Música (agora rebatizada Cidade das Artes).

Mas a Fundação OSB e o maestro Minczuk erraram. Não atentaram, ao longo desses anos, na deterioração do relacionamento com os músicos, afinal, o principal patrimônio da orquestra. Uma mudança estrutural da importância que a Fosb pretende evidentemente não deveria ter sido planejada sem a participação dos músicos. E, mais tardar quando se configurou o litígio – que ficou patente na resistência dos músicos em participar da malfadada avaliação de desempenho –, a Fosb deveria ter reavaliado as suas ações.

Apesar de tudo isso, não se pode imputar a morte da OSB às iniciativas da Fosb ou ao maestro Roberto Minczuk. Há um registro de cinco anos de trabalhos realizados, que atesta o intuito de renovação e modernização e que demonstra o compromisso da direção da orquestra com a construção de uma nova realidade para a orquestra. Senão, o que dizer das últimas temporadas da OSB, que recolocaram a orquestra no mapa da música sinfônica nacional? (sem desmerecer o empenho e a abnegação de grandes maestros que, no entanto, não conseguiram agregar as forças para resultados duradores...). A morte da OSB não vem pelo projeto de dar-lhe o status que ela merece. A morte da OSB virá, sim, por uma resistência retrógrada a transformações e por posturas reacionárias que minam o talento e a excelência.

Infelizmente, o mais recente capítulo dessa crise, o protesto da OSB Jovem no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, não foi construtivo, nem revolucionário, nem demonstrativo de alguma altivez cívica de nossa juventude. A manifestação, da maneira que foi levada a cabo, não deu expressão às discordâncias com as demissões ou às atitudes incompetentes da direção da orquestra. O ato de deixar o maestro subir ao palco para, no momento do início, se deparar com a orquestra em debandada, configurou uma das mais cruéis, rasteiras e desonestas humilhações a que se pudesse expor a pessoa do maestro Roberto Minczuk. Curioso que o documento distribuído pelos jovens músicos clama por respeito e dignidade...

Oxalá o episódio possa ser relevado e não envenene o difícil acordo esboçado na última sexta-feira. As discordâncias já foram escancaradas. Esperemos que a Fosb e os músicos – curtidos na luta – encontrem a necessária humildade para firmar um consenso.





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

Mais Textos

Auf Wiedersehen, Sir Rattle Por Leonardo Martinelli (22/6/2018)
Com Richard Strauss, ópera segue bem em 2018 no Municipal de São Paulo Por Nelson Rubens Kunze (19/6/2018)
Julia Lezhneva: Triunfo barroco na Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (12/6/2018)
Movimento Violão, 15 anos de atividades eternizadas num lançamento de fôlego Por Camila Frésca (4/6/2018)
Dois elencos, duas Traviatas Por Jorge Coli (28/5/2018)
Uma grande surpresa e um grande concerto para piano Por João Marcos Coelho (25/5/2018)
Suisse Romande: Master class na Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (15/5/2018)
Um matrimônio espirituoso, vivo e musical Por Jorge Coli (8/5/2018)
“Fausto” é novo marco artístico do Festival Amazonas de Ópera Por Nelson Rubens Kunze (7/5/2018)
Clássico em terreno popular: o encantador recital de Cristian Budu na série “Tupinambach” Por Camila Frésca (3/5/2018)
Um "Faust" digno dos grandes teatros internacionais Por Jorge Coli (2/5/2018)
Cristian, Jamil e OER empolgam o Municipal lotado Por Irineu Franco Perpetuo (30/4/2018)
Verdi futurista aterrissa no Theatro Municipal do Rio Por Nelson Rubens Kunze (30/4/2018)
Ótima "Traviata" estreia em Belo Horizonte Por Nelson Rubens Kunze (27/4/2018)
A Camerata Romeu e a reinvenção da música Por João Marcos Coelho (26/4/2018)
Primeira escuta: Ronaldo Miranda estreia obra com a Osesp Por Nelson Rubens Kunze (25/4/2018)
Oito olhos azuis e muita música Por Jorge Coli (19/4/2018)
‘Missa’ de Bernstein é destaque no Theatro Municipal de São Paulo Por Nelson Rubens Kunze (10/4/2018)
“O Corego” e os primórdios da representação operística Por Camila Frésca (6/4/2018)
Natalie Dessay: uma expressão que transcende as palavras Por Irineu Franco Perpetuo (5/4/2018)
Os Músicos de Capella fazem primorosa ‘Paixão’ de Bach Por Nelson Rubens Kunze (29/3/2018)
A música não mente Por João Marcos Coelho (27/3/2018)
Enfim, uma sede para a Ospa! Por Nelson Rubens Kunze (26/3/2018)
A Osesp, Villa-Lobos e o “voo de galinha” Por João Marcos Coelho (23/3/2018)
Jan Lisiecki: para uma temporada de austeridade, um pianista nada austero Por Irineu Franco Perpetuo (14/3/2018)
“Lo Schiavo” em Campinas: encantamento e melancolia Por Jorge Coli (12/3/2018)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Junho 2018 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
27 28 29 30 31 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
 

 
São Paulo:

26/6/2018 - Geneva Camerata e Pieter Wispelwey - violoncelo

Rio de Janeiro:
22/6/2018 - Ópera A flauta mágica, de Mozart

Outras Cidades:
23/6/2018 - Sorocaba, SP - Operilda na Orquestra Amazônica
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2018 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046