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OSB: existem mesmo mocinhos e bandidos? (18/4/2011)
Por João Marcos Coelho

Um dos piores legados da chamada indústria cultural é sem dúvida a aplicação rasteira dos conceitos, a banalidade com que se usam as palavras e se qualificam as pessoas e fatos. Há poucos, minúsculos lugares para o refinamento, a sutileza. Porque a verdade, é bom lembrar, nunca está objetivamente escancarada diante de nós. Em geral, está nos escaninhos, nas dobras dos acontecimentos. Assim, desconfie sempre de quem separa com convicção mocinhos de bandidos. Tente descobrir a quem serve tamanho destemor. Procure ler nas entrelinhas, ver a quem interessa jogar mais lenha em fogueiras já altas ou então posar de soldado das UPPs.

Na vida musical, isso é particularmente desastroso. O caso da Orquestra Sinfônica Brasileira é exemplar, neste sentido. Houve um músico – e me abstenho de revelar sua identidade por motivos óbvios – que não quis conceder entrevista sobre o caso, porque, literalmente e entre aspas, ‘ainda não sei qual é o lado que vai vencer’. Caramba, haja cinismo.

A gente lê o bombardeio, os vários fogos amigos, os “neobombeiros” que desinteressadamente – quá-quá-quá – querem ‘salvar’ a prestigiosa orquestra carioca; e, claro, as dezenas de afirmações, entrevistas, manifestos, artigos, etc.,etc., contra e a favor. E continua sem uma visão clara dos acontecimentos.

Capítulo à parte é representado pelos que, excitadíssimos diante da possível vacância de bons postos de trabalho na OSB, com destaque para o ocupante do pódio, tratam de marcar pontos posando de grandes “pensadores sinfônicos” e da vida musical brasileira.  É risível. Mas eles não percebem que só provocam risos na patuléia, tamanha a desfaçatez com que se atiram aos possíveis cargos como um bando de corvos assanhados pelo butim próximo.

Todos sabem – mas não falam – que quem mais perde com isso é a vida musical brasileira. Todos sabem – e também não falam – que não há mocinhos nem bandidos nesta história. Ou melhor, são todos meio-mocinhos, meio-bandidos. O maestro, porque visivelmente decidiu reformular o grupo na hora errada (devia ter feito isso quando assumiu anos atrás, como Neschling fez na Osesp, e não agora); a direção da fundação, porque perdeu desde o começo o controle da comunicação – tarefa, aliás, impossível atualmente, por causa da web – e foi de uma inabilidade atroz no modo como vem desde então conduzindo a questão; e os músicos, muitos deles ‘senadores’ com vários empregos que não querem abrir mão de nenhum deles e ao mesmo tempo pretendem abiscoitar os apetitosos novos salários anunciados para a nova fase. 

Efeito retardado
Ainda não é possível calcular os estragos na cena internacional do imbróglio da OSB, depois que o campo de batalha foi levado para o blog do crítico e jornalista inglês Norman Lebrecht. Mas já sabemos, por exemplo, que o caso OSB será citado sempre que houve alguma crise em alguma orquestra do planeta. Agora mesmo, com o acirramento da crise na orquestra do Teatro Colón, em Buenos Aires, a OSB é de novo citada.

O maestro Roberto Minczuk provavelmente também ainda não tem consciência dos arranhões já pregados em sua imagem internacional. Se – e quando – desligar-se da OSB, certamente perceberá. Como afirmou um empresário clássico brasileiro – em ‘off’, naturalmente –, “ninguém quer contratar maestros encrenqueiros, todo mundo quer distância deles”. Minczuk não é exatamente um encrenqueiro. Talvez estabanado seja um adjetivo mais adequado para qualificar o modo como conduziu a reformulação da orquestra. Os ecos internacionais chegam simplificados. Fica apenas a impressão de que ele provocou um terremoto na orquestra, sem necessidade.

O mais deletério efeito, no entanto, é levar à opinião pública em geral a ideia de que a vida musical é mesmo um saco de gatos, que os músicos são crianças mimadas que precisam ser levadas no cabresto curto. Livres e soltos, só promovem vexames. Olhem só as três últimas notícias sinfônicas que ultrapassaram os muros do mundinho de concertos no Brasil: 1) a saída de Neschling da Osesp, num tiroteiro tipo matar-ou-morrer que, incrivelmente, retirou do responsável pelo projeto Osesp o direito de ser ao menos maestro de honra da orquestra (cargo que, equivocadamente, caiu no colo de Tortelier e um dia terá de lhe ser outorgado, sem dúvida); 2) as apalhaçadas poucas semanas de Alex Klein à frente da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal: um músico de gênio não precisava promover isso e arranhar sua reputação internacional irretocável; e 3) o imbróglio OSB.

Quem olha de fora tem todo o direito de achar que música de concerto no Brasil equivale a bagunça, desordem, desplanejamento, amadorismo. Nós, que somos do meio, sabemos que não é exatamente assim. Que a verdade está nas entrelinhas, nas dobras dos acontecimentos, etc., etc. Mas até quando passaremos para a opinião pública ampla esta sensação de infantilismo e egos gigantescos em conflito? Quem perde é a música de concerto. Quem perde é o público, que fica sem entender nada e não sabe nem a quem aplaudir… e a quem vaiar.





João Marcos Coelho - é jornalista e crítico musical, colaborador do jornal O Estado de S. Paulo e apresentador do programa "O que há de novo", da Rádio Cultura FM; é coordenador da área de música contemporânea da CPFL Cultura.

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