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Boas novas para a música de nossos dias (19/10/2011)
Por Nelson Rubens Kunze

Em meio a recentes decepções envolvendo a criação musical contemporânea – suspensão do tradicionalíssimo Festival Música Nova, dúvidas em relação à continuidade do trabalho da excelente Camerata Aberta – eis que surgem boas novas na seara da música de nossos dias. É que acaba de acontecer no Rio de Janeiro a 19ª edição da Bienal de Música Brasileira Contemporânea, realização da Funarte, órgão do Ministério da Cultura.

Criada em 1975 por Edino Krieger e Myrian Dauelsberg na Sala Cecilia Meireles, a Bienal de Música Brasileira Contemporânea foi encampada pela Funarte em 1979, quando Edino dirigia o então Instituto Nacional de Música dessa Fundação. Desde então, com altos e baixos, o evento tem se mantido como importante vitrine da criação brasileira, ajudando a afirmar nomes que se tornaram referenciais – como Almeida Prado, Lindembergue Cardoso e Marlos Nobre – e apresentando estreias mundiais de autores consagrados como Camargo Guarnieri, Cláudio Santoro, Francisco Mignone e Guerra-Peixe.


Edino Krieger [foto: divulgação / Adriana Lorete]

A Bienal deste ano teve algumas importantes novidades dignas de nota: pela primeira vez em sua história, todas as 74 obras estreadas foram remuneradas, seja por meio de concurso público – dentre 384 inscritas 59 foram selecionadas –, seja por meio de encomendas a 15 consagrados compositores (o critério foi o de que o compositor tivesse participado de ao menos 14 Bienais). As obras concursadas receberam prêmios em dinheiro entre 8 mil e 30 mil reais, dependendo da formação instrumental; as encomendas foram remuneradas com 12 mil cada.

O concurso e as encomendas custaram 1,2 milhão, pagos no ano passado. Já o investimento para a realização do evento neste ano foi de mais 1,5 milhão. Resultado da soma total: 2,7 milhões! Não creio que alguma iniciativa ligada a música contemporânea tenha alguma vez sido contemplada com recursos nessa ordem de grandeza. Oxalá a próxima Bienal de 2013 seja efetivamente realizada nos mesmos moldes e com os mesmos recursos, conforme promete a Funarte. Taí uma forma concreta de apoio e fomento a um dos elos mais sensíveis da atividade musical clássica. Não vamos nos esquecer de que estamos falando dos seguidores de Carlos Gomes, Nepomuceno, Oswald, Guarnieri, Villa-Lobos...

E se você associa música contemporânea àquele discurso atonal incompreensível, esqueça. Pelo menos não foi isso que se ouviu na noite de abertura, no último dia 10 de outubro, no Teatro João Caetano, centro do Rio. Ali, uma motivada Orquestra Petrobras Sinfônica, sob regência de André Cardoso, fez soar música de nossos dias nas obras de sete autores de diferentes regiões do país. O programa se iniciou com uma peça do jovem baiano Danilo Valadão, A tempestade – uma tragédia no mar, que, como escreve, “explora a correlação entre música erudita e popular”. Seguiu-se a obra Geometrias flutuantes do também baiano Wellington Gomes, professor de Valadão na Universidade Federal da Bahia. Alexandre Schubert, membro do grupo de compositores Prelúdio 21, apresentou sua criação Variantes, com solos da ótima pianista Midori Maeshiro. A primeira parte encerrou-se com Aleph, do porto-alegrense Vagner Cunha, que teve a pianista Maria Teresa Madeira como solista. Maxakali, obra do também gaúcho Borges-Cunha (pai de Vagner Cunha), abriu a segunda parte do programa, que seguiu com uma criação do paulista João Victor Bota, Cordas parassimpáticas, para orquestra de cordas. O concerto se encerrou com uma obra de Rogério Krieger, a Tocata sinfônica.

Segundo Flávio Silva, coordenador e um dos responsáveis pela realização do evento, uma das características da Bienal é a pluralidade das tendências artísticas que abriga. Assim, diferentemente de outros festivais, “as Bienais sempre foram ecléticas, recusando estéticas e ideologias, afirmando-se como evento de exposição das mais variadas correntes”. Isso ficou claro no segundo concerto, dia 11, quando, após a abertura orquestral de certa forma convencional do dia anterior, apresentou-se um espetáculo dedicado exclusivamente à música eletroacústica. Aqui já não se trabalha com pautas e notas, o que dizer de tonalidades. O que se ouviu na pequena Sala Funarte Sidney Miller foram sons de caixas acústicas, a maior parte deles gerados eletronicamente. A composição ganha outras dimensões, alarga-se o espectro sonoro e harmônico, novas formas de expressão são experimentadas. Nesse campo especulativo, abre-se espaço para novas percepções, muitas vezes consoantes com a realidade que nos cerca. E, assim como a realidade que nos cerca, também aqui nos deparamos muitas vezes com sons não tão “agradáveis”... Esse segundo concerto teve obras dos compositores L.C. Csekö (Salvador, 1945), Paulo Guicheney (Goiânia, 1975), Marcos Alessi Bittencourt (EUA, 1974), Rael B. Gimenes (São Paulo, 1976), Cristina Dignart (Cuiabá, 1982), Alessandro Goularte Ferreira (Pelotas, 1976) e Washington Denuzzo (São Paulo, 1982).

Outros nove concertos foram apresentados na Bienal de Música Brasileira Contemporânea, com obras das mais diversas inspirações, tendências e formações. Da orquestra sinfônica à música eletroacústica, passando pela música de câmara e música percussiva, a Bienal é, sem dúvida, um dos principais esteios e impulsionadores da criação musical de nossos dias.

Contudo, com todos os méritos da iniciativa – e eles são evidentes –, ainda há um grande desafio, que é a integração desta produção à temporada de concertos e a sua difusão pelo país, de tal modo que ela possa ser ouvida por um público mais abrangente. Há de se inventar mecanismos que consigam drenar a nova música gerada pela Bienal. Seria altamente desejável que os frutos da Bienal de Música Brasileira Contemporânea enriquecessem os repertórios das orquestras e grupos de câmara de todo o país.

Nelson Rubens Kunze viajou ao Rio de Janeiro a convite da Bienal de Música Brasileira Contemporânea.





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

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