Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Domingo, 29 de Março de 2015.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   

 
 
 
Opes mostra boa produção semiencenada de “O amor das três laranjas”, de Prokofiev (28/11/2011)
Por Nelson Rubens Kunze

A história é um tanto absurda: com a ajuda de Truffaldino, o Rei de Trèfles promove um festival de animações para fazer o Príncipe rir e assim curá-lo de sua depressão hipocondríaca. Nada dá certo, até que a bruxa Fata Morgana – que na verdade só está ali conspirando contra o Rei para que o Príncipe não ria – toma um tombo hilário, despertando finalmente o riso do príncipe (um ha-ha-ha-ha em ritmo de quinta sinfonia de Beethoven). Zangada, Morgana lança a maldição e o Príncipe se torna presa da paixão por três laranjas. A partir daí o surrealismo só cresce: junto com Truffaldino, o Príncipe parte em busca das três laranjas enfrentando diversos desafios – entre eles o de vencer a cozinheira (cantada por um baixo), que defende sua cozinha com uma enorme e temida colher de cobre. No fim, tudo se resolve, o Príncipe se junta à linda Princesa e os malvados – Morgana, sua criada Sméraldine e o primeiro ministro – acabam, num passe de mágica, desaparecendo do reino.

O próprio compositor Serguei Prokofiev (1891-1953) preparou o libretto de sua ópera O amor das três laranjas a partir de uma adaptação feita para o teatro pelo italiano Carlo Gozzi (em meados do século XVIII), por sua vez baseado em uma peça inspirada na commedia del’arte e escrita por Giambattista Basile no século anterior. A música, que contém uma famosa marcha no segundo ato, é envolvente e acompanha as situações de diversão e crítica com o mesmo espírito do enredo. A ópera estreou em 1921, em Chicago nos Estados Unidos, sob direção do próprio compositor.

Foi muito boa a realização artística de O amor das três laranjas apresentada ontem (27 de novembro), no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, pela Orquestra Petrobras Sinfônica (Opes), com direção musical e regência do maestro Isaac Karabtchevsky. A direção cênica de Alberto Renault, a coreografia de Marcia Milhazes e os figurinos e adereços de Isabela Capeto contribuíram para o convincente resultado, em que os cantores se movimentavam no proscênio com o Coro Sinfônico do Rio de Janeiro (direção de Julio Moretzsohn) na parte de trás da orquestra. O equilibrado elenco de 16 vozes solistas – escolhido em audições que proporcionaram importante oportunidade para jovens talentos – foi composto integralmente por brasileiros. Foi um prazer ver o ouvir o príncipe Marcos Paulo com seu travesseiro, o animado Sergio Weintraub como Truffaldino, o histrionismo de Pepes do Vale como cozinheira e as maldades de Fata Morgana (Gabriela Rossi) e sua criada Sméraldine (Luciana Costa e Silva). Mas seria injusto não citar os outros cantores, que em conjunto formaram um elenco bom e homogêneo: Luisa Francesconi (Princesa Clarisse), Carlos Eduardo Marcos (Rei), Homero Velho (primeiro ministro), Vinicius Atique (Pantelon), Leonardo Páscoa (mágico Tchelio), Carolina Faria, Carla Odorizzi e Lina Mendes (as três laranjas), Daniel Soren (Farfarello), Ivan Jorgensen Malta e Manuel Alvarez Abreu.

Essa é a terceira ópera que a Petrobras Sinfônica realiza dentro desse conceito – títulos raros em versões semiencenadas (nos anos anteriores fizeram O anão de Zemlinsky e O caso Makropulos de Janácek). É um diferencial que já marca o trabalho dessa orquestra. Em 2012 o projeto ainda ganha um destaque adicional, já que fará a estreia mundial da ópera Piedade, de João Guilherme Ripper, comissionada pela própria Opes.

Boas ideias que merecem divulgação e incentivo!

[Nelson Rubens Kunze viajou ao Rio de Janeiro e assistiu à O amor das três laranjas a convite da Opes.]





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

Mais Textos

Municipal, São Pedro, Osesp e mais Por Jorge Coli (24/3/2015)
O adeus de um grande maestro Por Camila Frésca (23/3/2015)
“O amor dos três reis” abre temporada do Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/3/2015)
Luís Otávio Santos: o frescor de Mozart e Beethoven em Juiz de Fora Por Irineu Franco Perpetuo (13/3/2015)
Dupla formada por Daniel Guedes e Mario Ulloa se consagra com “Amor em paz” Por Camila Frésca (13/3/2015)
Quando a música é essencial Por João Marcos Coelho (11/3/2015)
OSB abre temporada com excelente integral das “Bachianas brasileiras” Por Nelson Rubens Kunze (10/3/2015)
Grande concerto inaugura Sala Minas Gerais Por Nelson Rubens Kunze (2/3/2015)
Uma excelente introdução ao mundo de Bach Por João Luiz Sampaio (27/2/2015)
Selo Digital Osesp lança oitavo volume e confirma vocação para a música brasileira Por Camila Frésca (23/2/2015)
Ótimo começo de ano musical em São Paulo Por Jorge Coli (12/2/2015)
Os números da música clássica em 2014; ou “The winner is... Beethoven!” Por João Marcos Coelho (12/2/2015)
O sedutor “Delírio” de Baldini e Karin Por Irineu Franco Perpetuo (9/2/2015)
Henrique Alves de Mesquita: saindo da poeira do esquecimento Por Camila Frésca (28/1/2015)
Murakami, um livro, um pianista Por João Luiz Sampaio (6/1/2015)
Em 2014, ótimos lançamentos no mercado brasileiro Por Camila Frésca (30/12/2014)
Fim de ano Por Jorge Coli (22/12/2014)
Segredos (terríveis e/ou divertidos) Por João Marcos Coelho (17/12/2014)
Domínio russo no Concurso BNDES de Piano Por Irineu Franco Perpetuo (8/12/2014)
“Tosca”, de Puccini, fecha grande ano do Municipal Por Nelson Rubens Kunze (3/12/2014)
A sala de volta Por João Luiz Sampaio (1/12/2014)
Boa produção de “As bodas de Fígaro” encerra temporada do Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (28/11/2014)
Um jogo de luzes e sombras Por João Luiz Sampaio (26/11/2014)
Claudia Toni fala sobre o Festival Sesc de Música de Câmara Por Camila Frésca (25/11/2014)
Dois renovadores da música brasileira – uma entrevista com Lutero Rodrigues Por Maurício Ayer (24/11/2014)
O fabuloso “Diário de Chiara” Por João Marcos Coelho (21/11/2014)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Março 2015 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 31 1 2 3 4
 

 
São Paulo:

29/3/2015 - Ópera O amor dos três reis, de Montemezzi

Rio de Janeiro:
29/3/2015 - Orquestra Sinfônica Brasileira

Outras Cidades:
29/3/2015 - Ouro Branco, MG - 2º Festival de Violoncelos
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2015 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046