Banner 468x60
Banner 180x60
Boa tarde.
Sexta-Feira, 25 de Julho de 2014.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   

 
 
 
Opes mostra boa produção semiencenada de “O amor das três laranjas”, de Prokofiev (28/11/2011)
Por Nelson Rubens Kunze

A história é um tanto absurda: com a ajuda de Truffaldino, o Rei de Trèfles promove um festival de animações para fazer o Príncipe rir e assim curá-lo de sua depressão hipocondríaca. Nada dá certo, até que a bruxa Fata Morgana – que na verdade só está ali conspirando contra o Rei para que o Príncipe não ria – toma um tombo hilário, despertando finalmente o riso do príncipe (um ha-ha-ha-ha em ritmo de quinta sinfonia de Beethoven). Zangada, Morgana lança a maldição e o Príncipe se torna presa da paixão por três laranjas. A partir daí o surrealismo só cresce: junto com Truffaldino, o Príncipe parte em busca das três laranjas enfrentando diversos desafios – entre eles o de vencer a cozinheira (cantada por um baixo), que defende sua cozinha com uma enorme e temida colher de cobre. No fim, tudo se resolve, o Príncipe se junta à linda Princesa e os malvados – Morgana, sua criada Sméraldine e o primeiro ministro – acabam, num passe de mágica, desaparecendo do reino.

O próprio compositor Serguei Prokofiev (1891-1953) preparou o libretto de sua ópera O amor das três laranjas a partir de uma adaptação feita para o teatro pelo italiano Carlo Gozzi (em meados do século XVIII), por sua vez baseado em uma peça inspirada na commedia del’arte e escrita por Giambattista Basile no século anterior. A música, que contém uma famosa marcha no segundo ato, é envolvente e acompanha as situações de diversão e crítica com o mesmo espírito do enredo. A ópera estreou em 1921, em Chicago nos Estados Unidos, sob direção do próprio compositor.

Foi muito boa a realização artística de O amor das três laranjas apresentada ontem (27 de novembro), no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, pela Orquestra Petrobras Sinfônica (Opes), com direção musical e regência do maestro Isaac Karabtchevsky. A direção cênica de Alberto Renault, a coreografia de Marcia Milhazes e os figurinos e adereços de Isabela Capeto contribuíram para o convincente resultado, em que os cantores se movimentavam no proscênio com o Coro Sinfônico do Rio de Janeiro (direção de Julio Moretzsohn) na parte de trás da orquestra. O equilibrado elenco de 16 vozes solistas – escolhido em audições que proporcionaram importante oportunidade para jovens talentos – foi composto integralmente por brasileiros. Foi um prazer ver o ouvir o príncipe Marcos Paulo com seu travesseiro, o animado Sergio Weintraub como Truffaldino, o histrionismo de Pepes do Vale como cozinheira e as maldades de Fata Morgana (Gabriela Rossi) e sua criada Sméraldine (Luciana Costa e Silva). Mas seria injusto não citar os outros cantores, que em conjunto formaram um elenco bom e homogêneo: Luisa Francesconi (Princesa Clarisse), Carlos Eduardo Marcos (Rei), Homero Velho (primeiro ministro), Vinicius Atique (Pantelon), Leonardo Páscoa (mágico Tchelio), Carolina Faria, Carla Odorizzi e Lina Mendes (as três laranjas), Daniel Soren (Farfarello), Ivan Jorgensen Malta e Manuel Alvarez Abreu.

Essa é a terceira ópera que a Petrobras Sinfônica realiza dentro desse conceito – títulos raros em versões semiencenadas (nos anos anteriores fizeram O anão de Zemlinsky e O caso Makropulos de Janácek). É um diferencial que já marca o trabalho dessa orquestra. Em 2012 o projeto ainda ganha um destaque adicional, já que fará a estreia mundial da ópera Piedade, de João Guilherme Ripper, comissionada pela própria Opes.

Boas ideias que merecem divulgação e incentivo!

[Nelson Rubens Kunze viajou ao Rio de Janeiro e assistiu à O amor das três laranjas a convite da Opes.]





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

Mais Textos

Cosmopolitismo ou jequice? Por João Luiz Sampaio (24/7/2014)
Mais um jovem talento em busca de seu sonho Por Camila Frésca (21/7/2014)
Obrigado, Lorin Maazel Por Irineu Franco Perpetuo (14/7/2014)
Villa-Lobos, Glauco Velásquez e Alberto Nepomuceno na pauta da música brasileira Por Camila Frésca (3/7/2014)
“Candide”, de Leonard Bernstein, pela Osesp Por Lauro Machado Coelho (1/7/2014)
Dois momentos: Theatro São Pedro e Municipal de São Paulo Por Jorge Coli (30/6/2014)
Mirem-se no exemplo de Alan Gilbert e a Filarmônica de NY Por João Marcos Coelho (20/6/2014)
Novos sons para o trombone brasileiro Por Camila Frésca (17/6/2014)
Passado, presente e futuro na ópera brasileira Por João Luiz Sampaio (13/6/2014)
O Cavaleiro Gluck no Theatro São Pedro Por Jorge Coli (3/6/2014)
Malheiro no São Pedro: agora vai? Por Irineu Franco Perpetuo (2/6/2014)
Grande produção de “Carmen” estreia no Theatro Municipal Por Nelson Rubens Kunze (31/5/2014)
Em sua 18ª edição, FAO segue protagonista da cena lírica nacional Por Nelson Rubens Kunze (29/5/2014)
Vamos ajudar um jovem talento brasileiro? Por Camila Frésca (28/5/2014)
“Ifigênia em Táuris” homenageia 300 anos de Gluck Por Nelson Rubens Kunze (27/5/2014)
Críticos, sopranos, teatros... afinal, de quem é a culpa? Por João Luiz Sampaio (21/5/2014)
Da “democratização” e “facilitação” da cultura Por João Marcos Coelho (19/5/2014)
Vencedores & vencidos na vida musical Por João Marcos Coelho (14/5/2014)
Daniel Hope: craque do violino e do tablet Por Irineu Franco Perpetuo (7/5/2014)
MultiOrquestra: discutindo o futuro das orquestras e de nossa vida musical Por Camila Frésca (5/5/2014)
Finge daí, que eu finjo daqui (e dane-se o público, uai!) Por João Marcos Coelho (25/4/2014)
Redescobrindo Marcelo Tupinambá Por Camila Frésca (24/4/2014)
Filarmônica de Goiás tem destacada temporada e prepara OS Por Nelson Rubens Kunze (23/4/2014)
Rachmaninov de Nelson Freire triunfa em São Petersburgo Por Irineu Franco Perpetuo (23/4/2014)
Outro “Falstaff” Por Jorge Coli (22/4/2014)
Dois “Falstaff” em São Paulo Por Jorge Coli (14/4/2014)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Julho 2014 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
30 31 1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30 31 1 2
 

 
São Paulo:

25/7/2014 - Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo

Rio de Janeiro:
30/7/2014 - Ópera As bodas de Fígaro, de Mozart

Outras Cidades:
31/7/2014 - Goiânia, GO - Orquestra Filarmônica de Goiás
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2014 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046