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Marin Alsop assume regência titular da Osesp em concerto vibrante (9/3/2012)
Por Nelson Rubens Kunze

Uma grande noite na Sala São Paulo marcou a abertura da temporada 2012 da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, Osesp, ontem, dia 8 de março. Sala lotada, personalidades da vida política e cultural – todos ansiosos para presenciar o primeiro concerto da nova regente titular da Osesp, a maestrina norte-americana Marin Alsop. Quem deixa a titularidade é o maestro francês Yan Pascal Tortelier – que assumira a Osesp interinamente em 2009 após a demissão do então maestro John Neschling –, e que seguirá agora como regente convidado de honra.

Marin Alsop, regente titular da Osesp [Foto: divulgação / Alessandra Fratus]

O concerto iniciou-se com a estreia da encomenda que a Osesp fez à compositora Clarice Assad, Terra Brasilis – Fantasia sobre o Hino Nacional. Clarice conta, no texto impresso na revista Osesp, que a Fantasia é toda baseada em fatos relevantes da história do Brasil, quase como um programa. Multifacetada, rica em cores e com bonitos trechos líricos, a música atravessa diversas atmosferas, sempre evocando motivos de nosso hino. Bem amarrada em sua forma livre, Terra Brasilis merece ser tocada mais vezes. (Clarice Assad é filha de Sérgio Assad, um dos irmãos Assad do famoso duo de violões. Compositora, pianista e cantora, Clarice trafega com naturalidade entre o jazz e os clássicos, desenvolvendo destacada carreira no exterior, já tendo sido indicada para o prêmio Grammy por melhor composição clássica contemporânea.)

A apresentação seguiu com o Concerto nº 22 K 482 de Mozart, escrito em fins de 1785, época em que o compositor trabalhava na ópera Bodas de Fígaro. Correta nos fraseados e nas típicas inflexões clássicas, Marin Alsop extraiu linda sonoridade do conjunto. A interpretação, contudo, sofreu um pouco pelo tamanho da orquestra (cinco estantes de primeiro violino!). Talvez com uma orquestra mais enxuta o equilíbrio entre cordas e sopros teria sido mais natural e a leveza e graça mozartiana poderiam ter sido realçadas. Foi, no entanto, equilibrado o diálogo com o solista, o virtuose francês David Fray, que ostenta importante biografia com diversas premiações internacionais. Fray demonstrou um toque pianístico sonoro mas ligeiramente duro e uma leve afetação ao tocar.

Mas era na grande Sinfonia nº 5 de Shostakovitch que repousavam as maiores expectativas, e elas não foram em vão. Alsop e Osesp ofereceram uma interpretação de alto nível, muito emocionante e em sintonia com a dramaticidade da obra. A sinfonia foi estreada em 1937, após um período de reclusão do compositor, então com 31 anos, por conta das críticas do Partido Comunista à sua obra anterior, a ópera Lady Macbeth of Mtsensk. De caráter monumental, a Quinta, contudo, expressa de forma muito direta angústia, tensão e dissonância.

O desempenho orquestral foi excelente, com cordas densas (em som aveludado de rara homogeneidade) e ótimos solos da orquestra (acho que vale mencionar aqui os nomes de alguns solistas: o spalla Emmanuele Baldini, a flautista Jessica Dalsant, o clarinetista Ovanir Buosi, o oboísta Arcádio Minczuk, a harpista Liuba Klevtsova e o fagotista Alexandre Silverio – não dá para citar todos!). Alsop soube unir e costurar os amplos arcos expressivos com absoluto controle da orquestra. Altamente energizada, foi uma bela interpretação, vibrante e emocionante.

Para quem não conseguiu ingresso para a abertura da temporada da Osesp na Sala São Paulo, uma ótima notícia: o concerto de amanhã, sábado dia 10 de março às 16h30, será transmitido ao vivo pela internet no endereço http://www.concertodigital.osesp.art.br/. Não perca, a Osesp está tinindo!

p.s. Durante os concertos dessa semana, a Osesp lança o seu primeiro CD sob direção de Marin Alsop, o primeiro também pelo selo Naxos. O registro contém leituras primorosas de obras de outro compositor russo, Sergei Prokofiev: a Sinfonia nº 5 a a suíte sinfônica O ano de 1941 (clique aqui para saber mais).





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

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