Banner 468x60
Banner 180x60
Boa tarde.
Terça-Feira, 22 de Agosto de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Teatro São Pedro no divã (14/3/2012)
Por Nelson Rubens Kunze

Vi com bons olhos a reorganização das Organizações Sociais (OSs) em torno do Teatro São Pedro levada a cabo pela Secretaria de Estado da Cultura em fins do ano passado. Sempre tive a impressão de que dentro da OS Apaa (Associação Paulista dos Amigos da Arte) – entidade a qual o teatro estava submetida – o Teatro São Pedro não recebia a atenção diferenciada que merecia. Não raro reclamávamos por uma programação mais coerente, que fosse mais adequada às instalações físicas e técnicas do prédio. Assim, foi com esperança que tomei conhecimento da nova gestora do Teatro São Pedro, a OS Instituto Pensarte.

Com a intenção de “definir um perfil de programação e realizar adequações nas propostas feitas pela direção” (conforme nota da Secretaria), uma das primeiras ações do Instituto Pensarte foi a criação de uma conselho artístico. Não há notícia pública sobre a composição desse conselho, mas conversando aqui e ali descobri que ele é formado, entre outros, pelas seguintes pessoas: Heraldo Marin, presidente (que, aliás, também era o presidente na antiga Apaa), Bea Esteves, Cleber Papa, José Robert Walker, Julio Medaglia e Otto Baumgart. Acredito que representantes do Instituto Pensarte e da Secretaria também devam fazer parte.


Teatro São Pedro [foto: Thomas Susemihl / Revista CONCERTO]

Agora percebe-se que o consenso em torno de uma programação para o teatro é bem mais difícil do que se imaginava. Desentendimentos e quiçá alguma inabilidade no trato pessoal acabaram levando à decisão do maestro Roberto Duarte de se demitir da direção artística da casa. Duarte se queixa de não ser ouvido no conselho e de ver a sua programação ser repetidamente contestada e finalmente alterada. Como ele se manifestou, “na prática, o que se configurou foi algo inusitado: a remoção de quaisquer poderes de decisão, quanto ao repertório, daqueles que são os reais profissionais da área, isto é, o diretor artístico e o regente titular da Orthesp”. Para além da discussão em torno da “governança” (qual é o papel do conselho? quem finalmente decide o quê?), o conflito levanta a questão central do Teatro São Pedro, que é a de sua identidade e vocação.

Não creio que o Teatro São Pedro deva atuar como concorrente ou mesmo contraponto ao Teatro Municipal de São Paulo – não faz sentido, o São Pedro não tem estrutura nem dimensão para isso. Mas há um leque de alternativas possíveis para o posicionamento de um teatro “de câmara” com as características do São Pedro. A mais abrangente e direta é a de que o Teatro São Pedro sirva de abrigo para títulos “menores” (em termos de tamanho e não de importância, apresso-me em dizer). Claro que isso não resolve a questão, ao contrário: teremos muitos debates, a começar para tentar estabelecer quais seriam os títulos “maiores” a serem excluídos. Sem entrar no mérito de tendências, estilos ou épocas, um consenso em torno dessa questão já seria um importante passo na procura de uma identidade para o Teatro São Pedro.

Reforçando a opção por títulos “menores”, temos a realidade nua e crua dos recursos do Estado de São Paulo destinados à programação do Teatro São Pedro. Não sou grande especialista em custos de produções de ópera, mas confesso que fiquei embasbacado quando soube que o Teatro São Pedro pretendia fazer 6 (seis!) títulos – entre eles Il Trovatore e Lo Schiavo – com uma suposta verba de R$ 1,5 milhão (que, para piorar a situação, desconfio que não seja exclusiva para a programação). É isso que leva a resultados lamentáveis como o do Guarani que vimos no ano passado.

Se por um lado está na hora de conselho e direção se unirem em torno de uma programação adequada e apropriada para as dimensões e recursos do Teatro São Pedro, por outro a Secretaria da Cultura deveria assumir que estamos tratando do teatro de ópera do estado mais rico da federação. Nesse sentido, soou mal a declaração oficial da Secretaria de que “é importante esclarecer que não houve corte no orçamento do teatro, que é rigorosamente o mesmo dos anos de 2010 e 2011”. Não vou aqui começar a calcular a depreciação monetária que vivemos no nosso dia a dia para dizer que, três anos depois, R$ 1,5 milhão já não é R$ 1,5 milhão. Mas quero dizer, sim, que R$ 1,5 milhão é um valor absolutamente insuficiente para uma temporada anual de óperas...





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

Mais Textos

O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
Neojiba: o exemplo da Bahia para o Brasil Por Irineu Franco Perpetuo (24/7/2017)
Você conhece José Vieira Brandão? Por João Marcos Coelho (12/7/2017)
Campos do Jordão, Salzburg e a economia da cultura Por Nelson Rubens Kunze (12/7/2017)
Rameau em “dreadlocks” Por Jorge Coli (11/7/2017)
Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin: sobre expectativas, decepções e boas surpresas Por Camila Frésca (5/7/2017)
Encomenda da Osesp mostra Mehmari maduro Por Irineu Franco Perpetuo (3/7/2017)
Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
Noites memoráveis com Isabelle Faust e Alexander Melnikov Por Camila Frésca (18/5/2017)
Com Faust e Volmer, a Osesp chega à excelência Por Irineu Franco Perpetuo (16/5/2017)
Foi um esplendor, mas... Por Jorge Coli (16/5/2017)
Perdas e danos (Santa Marcelina incorpora Theatro São Pedro) Por Nelson Rubens Kunze (9/5/2017)
Pesquisa do Projeto Guri mostra resultados importantes Por Camila Frésca (3/5/2017)
Diana Damrau, uma artista de mais de 50 tons Por Irineu Franco Perpetuo (2/5/2017)
E Cristian Budu, finalmente, tocou com a Osesp! Por Irineu Franco Perpetuo (21/4/2017)
Olivier Toni Por João Marcos Coelho (20/4/2017)
“Uirapuru”, de Villa-Lobos: algumas considerações no centenário da obra Por Camila Frésca (12/4/2017)
Nasce uma estrela Por Jorge Coli (11/4/2017)
A festa do Concurso Maria Callas: competência e amor à música Por Jorge Coli (4/4/2017)
Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta “Jenufa”, de Janácek Por Nelson Rubens Kunze (4/4/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Agosto 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
30 31 1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30 31 1 2
 

 
São Paulo:

26/8/2017 - Duo Olga Kopylova - piano e Yuriy Rakevich - violino

Rio de Janeiro:
30/8/2017 - João Tavares Filho - piano

Outras Cidades:
31/8/2017 - Manaus, AM - Amazonas Filarmônica
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046