Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Quinta-Feira, 27 de Abril de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes


 
 
 
Teatro São Pedro no divã (14/3/2012)
Por Nelson Rubens Kunze

Vi com bons olhos a reorganização das Organizações Sociais (OSs) em torno do Teatro São Pedro levada a cabo pela Secretaria de Estado da Cultura em fins do ano passado. Sempre tive a impressão de que dentro da OS Apaa (Associação Paulista dos Amigos da Arte) – entidade a qual o teatro estava submetida – o Teatro São Pedro não recebia a atenção diferenciada que merecia. Não raro reclamávamos por uma programação mais coerente, que fosse mais adequada às instalações físicas e técnicas do prédio. Assim, foi com esperança que tomei conhecimento da nova gestora do Teatro São Pedro, a OS Instituto Pensarte.

Com a intenção de “definir um perfil de programação e realizar adequações nas propostas feitas pela direção” (conforme nota da Secretaria), uma das primeiras ações do Instituto Pensarte foi a criação de uma conselho artístico. Não há notícia pública sobre a composição desse conselho, mas conversando aqui e ali descobri que ele é formado, entre outros, pelas seguintes pessoas: Heraldo Marin, presidente (que, aliás, também era o presidente na antiga Apaa), Bea Esteves, Cleber Papa, José Robert Walker, Julio Medaglia e Otto Baumgart. Acredito que representantes do Instituto Pensarte e da Secretaria também devam fazer parte.


Teatro São Pedro [foto: Thomas Susemihl / Revista CONCERTO]

Agora percebe-se que o consenso em torno de uma programação para o teatro é bem mais difícil do que se imaginava. Desentendimentos e quiçá alguma inabilidade no trato pessoal acabaram levando à decisão do maestro Roberto Duarte de se demitir da direção artística da casa. Duarte se queixa de não ser ouvido no conselho e de ver a sua programação ser repetidamente contestada e finalmente alterada. Como ele se manifestou, “na prática, o que se configurou foi algo inusitado: a remoção de quaisquer poderes de decisão, quanto ao repertório, daqueles que são os reais profissionais da área, isto é, o diretor artístico e o regente titular da Orthesp”. Para além da discussão em torno da “governança” (qual é o papel do conselho? quem finalmente decide o quê?), o conflito levanta a questão central do Teatro São Pedro, que é a de sua identidade e vocação.

Não creio que o Teatro São Pedro deva atuar como concorrente ou mesmo contraponto ao Teatro Municipal de São Paulo – não faz sentido, o São Pedro não tem estrutura nem dimensão para isso. Mas há um leque de alternativas possíveis para o posicionamento de um teatro “de câmara” com as características do São Pedro. A mais abrangente e direta é a de que o Teatro São Pedro sirva de abrigo para títulos “menores” (em termos de tamanho e não de importância, apresso-me em dizer). Claro que isso não resolve a questão, ao contrário: teremos muitos debates, a começar para tentar estabelecer quais seriam os títulos “maiores” a serem excluídos. Sem entrar no mérito de tendências, estilos ou épocas, um consenso em torno dessa questão já seria um importante passo na procura de uma identidade para o Teatro São Pedro.

Reforçando a opção por títulos “menores”, temos a realidade nua e crua dos recursos do Estado de São Paulo destinados à programação do Teatro São Pedro. Não sou grande especialista em custos de produções de ópera, mas confesso que fiquei embasbacado quando soube que o Teatro São Pedro pretendia fazer 6 (seis!) títulos – entre eles Il Trovatore e Lo Schiavo – com uma suposta verba de R$ 1,5 milhão (que, para piorar a situação, desconfio que não seja exclusiva para a programação). É isso que leva a resultados lamentáveis como o do Guarani que vimos no ano passado.

Se por um lado está na hora de conselho e direção se unirem em torno de uma programação adequada e apropriada para as dimensões e recursos do Teatro São Pedro, por outro a Secretaria da Cultura deveria assumir que estamos tratando do teatro de ópera do estado mais rico da federação. Nesse sentido, soou mal a declaração oficial da Secretaria de que “é importante esclarecer que não houve corte no orçamento do teatro, que é rigorosamente o mesmo dos anos de 2010 e 2011”. Não vou aqui começar a calcular a depreciação monetária que vivemos no nosso dia a dia para dizer que, três anos depois, R$ 1,5 milhão já não é R$ 1,5 milhão. Mas quero dizer, sim, que R$ 1,5 milhão é um valor absolutamente insuficiente para uma temporada anual de óperas...





Nelson Rubens Kunze - é diretor-editor da Revista CONCERTO

Mais Textos

E Cristian Budu, finalmente, tocou com a Osesp! Por Irineu Franco Perpetuo (21/4/2017)
Olivier Toni Por João Marcos Coelho (20/4/2017)
“Uirapuru”, de Villa-Lobos: algumas considerações no centenário da obra Por Camila Frésca (12/4/2017)
Nasce uma estrela Por Jorge Coli (11/4/2017)
A festa do Concurso Maria Callas: competência e amor à música Por Jorge Coli (4/4/2017)
Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta “Jenufa”, de Janácek Por Nelson Rubens Kunze (4/4/2017)
“Risco” é vibrante imagem artística da cidade de São Paulo Por Jorge Coli (29/3/2017)
Quanto custa uma orquestra sinfônica? Por Nelson Rubens Kunze (28/3/2017)
De palmeiras e pinheirinhos nórdicos Por João Marcos Coelho (24/3/2017)
Opes abre temporada clássica no Theatro Municipal do Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (23/3/2017)
Sombra de sombra – a estreia da ópera “O espelho” Por João Luiz Sampaio (22/3/2017)
Helder Parente, talento infinito Por Rosana Lanzelotte (21/3/2017)
Trio Villani-Côrtes faz uma ótima estreia com “Três tons brasileiros” Por Camila Frésca (14/3/2017)
O valor da música (e a responsabilidade do Estado) Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2017)
Um Brasil diferente ainda é possível Por João Marcos Coelho (22/2/2017)
Em clima de festa, Theatro Municipal de São Paulo abre ano com bom concerto Por Nelson Rubens Kunze (22/2/2017)
Sígrido Levental e o Conservatório do Brooklin (lembranças pessoais) Por Nelson Rubens Kunze (3/2/2017)
Sarau e livro recuperam a obra do violinista catarinense Adolpho Mello Por Camila Frésca (23/1/2017)
Nação civilizada (ou seria incivilizada?) Por Nelson Rubens Kunze (18/1/2017)
Diário de viagem Por Jorge Coli (16/1/2017)
Para conhecer Claudio Santoro Por Irineu Franco Perpetuo (23/12/2016)
Feliz Ano Novo? Por Nelson Rubens Kunze (23/12/2016)
Fim da Oficina de Curitiba: populismo da pior espécie Por João Marcos Coelho (20/12/2016)
Um retrato do Painel Funarte de Ensino Coletivo Por Camila Frésca (19/12/2016)
Aleyson Scopel faz ótima apresentação no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (16/12/2016)
Em Porto Alegre, uma “Carmina Burana” para lembrar Por Everton Cardoso (15/12/2016)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Abril 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
26 27 28 29 30 31 1
2 3 4 5 6 7 8
9 10 11 12 13 14 15
16 17 18 19 20 21 22
23 24 25 26 27 28 29
30 1 2 3 4 5 6
 

 
São Paulo:

28/4/2017 - Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo

Rio de Janeiro:
28/4/2017 - Orquestra Petrobras Sinfônica

Outras Cidades:
29/4/2017 - Belo Horizonte, MG - Ópera Norma, de Bellini
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046