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Música para criança: parece brincadeira (11/4/2012)
Por Marcos Fecchio

Se o discurso é de modernização, o texto é do tempo do Onça: “renovar as plateias”, “formar novos ouvintes”, “criar ferramentas para trazer o jovem para a sala de concerto”. Isso é praticamente um consenso e aparece nos textos das orquestras e nas conversas com maestros e diretores das grandes (e até pequenas) instituições. Mas o que de fato está sendo feito para que as crianças e jovens criem na infância o hábito e o gosto pela música de concerto e pela ópera?

Aproveitando a Revista CONCERTO, se olharmos os textos que encerram as edições da revista, na seção “Minha Música”, em quase a unanimidade dos depoimentos os convidados falam da música clássica na infância, na escola, em casa e nos teatros, que eram frequentados por toda a família. E esse hábito de ouvir música é quase sempre a força motriz que os faz, hoje, frequentadores dos teatros e assinantes das séries de concerto, com a música presente visceralmente e prazerosamente em suas vidas.


Cena de Pedro e o Lobo, no Teatro Tuca [Foto: divulgação/João Caldas]

E se pensarmos naqueles que não tiveram essa sorte – e até rezam pra não ganhar um ingresso e ter que ir ao concerto –, mesmo esses acreditam que a música clássica é uma coisa boa e querem que os filhos criem esse bom “hábito”. E a própria palavra mostra: é preciso tornar a música uma experiência “habitual”, recorrente; mas como, se as nossas orquestras não têm programações para as crianças?

O que vemos, sim, em boa parte das instituições, são programas que levam crianças de escolas públicas a Concertos Didáticos (os patrocinadores adoram!). Durante a infância, salvo aqueles que têm a vida totalmente mudada por um concerto didático – infelizmente são poucos –, a grande maioria irá ouvir a orquestra em uma ou quem sabe, com sorte, duas dessas iniciativas. Sem falar que não se deve confundir ensaio aberto, concerto didático e espetáculo para as crianças. Assistir ao maestro ensaiar uma sinfonia de Bruckner não deve ser chamado de aproximação da criança com a música “clássica” – pode até gerar trauma; e um concerto didático, com o maestro sorridentemente tagarelando e os músicos aborrecidos apresentado os sons de seus instrumentos não necessariamente é um programa incrível para uma criança. Pode ser uma ótima aula, importantíssima e muito bem feita por muitas orquestras país afora, mas onde fica o prazer de ver e querer voltar?

Assisti recentemente com minha filha de cinco anos à montagem de Pedro e o Lobo no Teatro Tuca, com o maestro Carlos Moreno e sua orquestra arregimentada (gentilmente chamada de Orquestra Almeida Prado), em uma temporada com 22 apresentações, coisa rara!! A produção é da Ricca Produções, do ator de teatro e cinema Marco Ricca, especializada em produções teatrais. No dia que estive por lá o teatro em Perdizes estava lotado, com pessoas “brigando” na bilheteria pelos últimos ingressos. No interior da sala, um ambiente mágico para as crianças, que gritavam quando viam o enorme Lobo e reconheciam a chegada de Pedro pelo tema nas cordas, com os músicos em cima do palco dividindo o espaço com os bonecos. Não vou aqui pegar no pé com o final politicamente correto com o Lobo libertado pelo Pedro para não ser morto pelos caçadores (ninguém se preocupa com a Pata?), mas de fato é um espetáculo de música clássica pensado para esse público.

A outra série feita para as crianças, a Aprendiz de Maestro, que completa heroicamente 10 anos, renasce ano após ano pela iniciativa e persistência da ONG Tucca, que usa a Lei Rouanet e os espetáculos para arrecadar fundos para suas ações assistenciais com crianças carentes com câncer. Com apresentações na Sala São Paulo, cada um dos oito espetáculos anuais tem lamentavelmente uma única apresentação e, em razão da temporada breve e da causa nobre, com valores não tão acessíveis ao grande público. Mesmo assim a Sala São Paulo costuma estar cheia em todas as apresentações – mais cheia que parte dos concertos extra-Osesp, das orquestras “adultas”, que por lá se apresentam.

Há também o Villa-Lobos das Crianças, do Iacov Hillel, que terminou longa temporada no Shopping Eldorado, as lindas montagens da Cia. Imago com o Jamil Maluf e certamente alguém reclamará “você esqueceu aquela”, mas o fato é que são todas iniciativas isoladas e esporádicas, que não figuram como parte da política cultural de Estado ou Município.

Se pensarmos que só em São Paulo temos as temporadas da Osesp, Sinfônica Municipal, Sinfônica da USP, Orquestra de Câmara da USP, Orquestra do Teatro São Pedro, Jazz Sinfônica, Banda Sinfônica do Estado, Orquestra Experimental de Repertório, Sinfônica Heliópolis, Bachiana Filarmônica, Orquestra Jovem do Estado, Banda Sinfônica do Estado, Banda Jovem do Estado, Sinfônica de Santo André, Filarmônica de São Caetano do Sul, Filarmônica Vera Cruz, Orquestra Arte Barroca e de mais alguma que esqueço agora, é inegável a constatação que o foco é mesmo a música para os adultos. E enquanto o público envelhece, todos seguem falando pelos corredores que precisamos renovar as plateias. Parece brincadeira.





Marcos Fecchio - é editor de web da Revista CONCERTO, coordenador de comunicação e projetos especiais da CLÁSSICOS Editorial e editor do Theatro Municipal de São Paulo.

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