Banner 468x60
Banner 180x60
Boa tarde.
Quarta-Feira, 28 de Junho de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Com orquestra alemã em campo, não tem placar em branco (15/5/2012)
Por Irineu Franco Perpetuo

Aquilo que a Espanha é hoje para os times de futebol, a Alemanha é para as orquestras: um centro mundial de excelência. Por mais globalizada que a música clássica tenha se tornado, o país de Bach, Beethoven, Brahms e Wagner ainda tem muito a nos ensinar nessa área, como demonstram os melhores concertos internacionais que tivemos nesse início de temporada.

Primeiro, em 7 de maio, foi a reveladora Missa em Si, de Bach, que Helmuth Rilling levou ao Teatro Municipal, com sua Bachkademie Stuttgart, Gächinger Kantorei e um refinado time de solistas formado por Andreas Weller (tenor), Roxana Constantinescu (mezzo-soprano), Tobias Berndt (barítono) e Julia Sophie Wagner (soprano).

Eles não usam instrumentos de época, mas tampouco ficaram parados no Bach ultra-romântico dos anos 1950. Tanto da parte da orquestra quanto do coro, o que se viu foi uma leitura equilibradíssima e leve, articulada e transparente, com uso bastante parcimonioso do vibrato e profundo senso de estilo.


Deutsches Symphonie Orchester de Berlim e Lionel Messi [fotos: divulgação]

Uma semana depois, em outra segunda-feira, dia 14, no mesmo Teatro Municipal, foi a vez da Deutsches Symphonie Orchester de Berlim abrir, em grande estilo, a temporada do Mozarteum Brasileiro, sob a batuta de um Vladimir Ashkenazy de inegável carisma que parecia, contudo, passar a maior parte do tempo com a cara enfiada na partitura-GPS, pouco contemplando os instrumentistas supostamente sob seu comando.

O fato é que uma orquestra dessas dá a impressão de conseguir tocar com, contra ou apesar de qualquer regente que esteja no pódio. De elevadíssimo nível técnico, cada naipe é equilibrado não apenas dentro de si, como ainda se funde harmoniosamente com os outros. E a gente fica na dúvida se admira mais a finesse suprema das madeiras, o caráter imponente dos metais, o veludo inefável das cordas... Não, não há nada de remotamente parecido com isso aqui em nossas latitudes tropicais, seja como afinação, seja como sonoridade, seja como cuidado com o fraseado.

O programa começou com a Sinfonia nº 6, de Beethoven, a célebre “Pastoral”, que conquistou pelas inúmeras nuanças de dinâmica, pela sutileza dos pianíssimos e, sobretudo, pela transparência: só uma orquestra muito segura de si poderia se permitir um desnudamento tamanho diante do público.

Depois do intervalo, veio Chostakóvitch e, com ele, os extremos: o segundo movimento da Sinfonia nº 10, um scherzo selvagem, foi um dos maiores momentos de virtuosismo coletivo que já tive o prazer de presenciar ao vivo.

Essa é uma das partituras do compositor russo que mais evidenciam a influência de Mahler, não apenas no gigantismo da orquestração ou nas auto-citações de caráter autobiográfico, mas, sobretudo, nas abruptas mudanças anímicas.

Assim como em Mahler, o estado de espírito pode mudar abruptamente, de um compasso para o outro. E o que fascina em uma orquestra como a DSO é que a essa sucessão de climas da obra corresponde uma imediata sucessão de cores na orquestra; seus músicos parecem dispor de uma gama aparentemente ilimitada de dinâmicas e timbres, dos quais vão lançando mão à medida que a partitura assim o requer.

Estava para concluir dizendo que a DSO parece não ter limites, mas, verdade seja dita, tais limites existem, sim, e se fizeram evidentes no bis, com uma Aquarela do Brasil de cintura dura e completamente fora do estilo. Nem esse “momento André Rieu”, contudo, chegou a tirar do brilho desse que se anuncia como forte concorrente a melhor concerto de 2012.





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

Mais Textos

Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
Noites memoráveis com Isabelle Faust e Alexander Melnikov Por Camila Frésca (18/5/2017)
Com Faust e Volmer, a Osesp chega à excelência Por Irineu Franco Perpetuo (16/5/2017)
Foi um esplendor, mas... Por Jorge Coli (16/5/2017)
Perdas e danos (Santa Marcelina incorpora Theatro São Pedro) Por Nelson Rubens Kunze (9/5/2017)
Pesquisa do Projeto Guri mostra resultados importantes Por Camila Frésca (3/5/2017)
Diana Damrau, uma artista de mais de 50 tons Por Irineu Franco Perpetuo (2/5/2017)
E Cristian Budu, finalmente, tocou com a Osesp! Por Irineu Franco Perpetuo (21/4/2017)
Olivier Toni Por João Marcos Coelho (20/4/2017)
“Uirapuru”, de Villa-Lobos: algumas considerações no centenário da obra Por Camila Frésca (12/4/2017)
Nasce uma estrela Por Jorge Coli (11/4/2017)
A festa do Concurso Maria Callas: competência e amor à música Por Jorge Coli (4/4/2017)
Theatro Municipal do Rio de Janeiro apresenta “Jenufa”, de Janácek Por Nelson Rubens Kunze (4/4/2017)
“Risco” é vibrante imagem artística da cidade de São Paulo Por Jorge Coli (29/3/2017)
Quanto custa uma orquestra sinfônica? Por Nelson Rubens Kunze (28/3/2017)
De palmeiras e pinheirinhos nórdicos Por João Marcos Coelho (24/3/2017)
Opes abre temporada clássica no Theatro Municipal do Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (23/3/2017)
Sombra de sombra – a estreia da ópera “O espelho” Por João Luiz Sampaio (22/3/2017)
Helder Parente, talento infinito Por Rosana Lanzelotte (21/3/2017)
Trio Villani-Côrtes faz uma ótima estreia com “Três tons brasileiros” Por Camila Frésca (14/3/2017)
O valor da música (e a responsabilidade do Estado) Por Nelson Rubens Kunze (5/3/2017)
Um Brasil diferente ainda é possível Por João Marcos Coelho (22/2/2017)
Em clima de festa, Theatro Municipal de São Paulo abre ano com bom concerto Por Nelson Rubens Kunze (22/2/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Junho 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
28 29 30 31 1 2 3
4 5 6 7 8 9 10
11 12 13 14 15 16 17
18 19 20 21 22 23 24
25 26 27 28 29 30 1
 

 
São Paulo:

30/6/2017 - Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo

Rio de Janeiro:
29/6/2017 - Ensemble San Carlino (Itália)

Outras Cidades:
28/6/2017 - Natal, RN - Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046