Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Segunda-Feira, 25 de Maio de 2015.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   

 
 
 
Com orquestra alemã em campo, não tem placar em branco (15/5/2012)
Por Irineu Franco Perpetuo

Aquilo que a Espanha é hoje para os times de futebol, a Alemanha é para as orquestras: um centro mundial de excelência. Por mais globalizada que a música clássica tenha se tornado, o país de Bach, Beethoven, Brahms e Wagner ainda tem muito a nos ensinar nessa área, como demonstram os melhores concertos internacionais que tivemos nesse início de temporada.

Primeiro, em 7 de maio, foi a reveladora Missa em Si, de Bach, que Helmuth Rilling levou ao Teatro Municipal, com sua Bachkademie Stuttgart, Gächinger Kantorei e um refinado time de solistas formado por Andreas Weller (tenor), Roxana Constantinescu (mezzo-soprano), Tobias Berndt (barítono) e Julia Sophie Wagner (soprano).

Eles não usam instrumentos de época, mas tampouco ficaram parados no Bach ultra-romântico dos anos 1950. Tanto da parte da orquestra quanto do coro, o que se viu foi uma leitura equilibradíssima e leve, articulada e transparente, com uso bastante parcimonioso do vibrato e profundo senso de estilo.


Deutsches Symphonie Orchester de Berlim e Lionel Messi [fotos: divulgação]

Uma semana depois, em outra segunda-feira, dia 14, no mesmo Teatro Municipal, foi a vez da Deutsches Symphonie Orchester de Berlim abrir, em grande estilo, a temporada do Mozarteum Brasileiro, sob a batuta de um Vladimir Ashkenazy de inegável carisma que parecia, contudo, passar a maior parte do tempo com a cara enfiada na partitura-GPS, pouco contemplando os instrumentistas supostamente sob seu comando.

O fato é que uma orquestra dessas dá a impressão de conseguir tocar com, contra ou apesar de qualquer regente que esteja no pódio. De elevadíssimo nível técnico, cada naipe é equilibrado não apenas dentro de si, como ainda se funde harmoniosamente com os outros. E a gente fica na dúvida se admira mais a finesse suprema das madeiras, o caráter imponente dos metais, o veludo inefável das cordas... Não, não há nada de remotamente parecido com isso aqui em nossas latitudes tropicais, seja como afinação, seja como sonoridade, seja como cuidado com o fraseado.

O programa começou com a Sinfonia nº 6, de Beethoven, a célebre “Pastoral”, que conquistou pelas inúmeras nuanças de dinâmica, pela sutileza dos pianíssimos e, sobretudo, pela transparência: só uma orquestra muito segura de si poderia se permitir um desnudamento tamanho diante do público.

Depois do intervalo, veio Chostakóvitch e, com ele, os extremos: o segundo movimento da Sinfonia nº 10, um scherzo selvagem, foi um dos maiores momentos de virtuosismo coletivo que já tive o prazer de presenciar ao vivo.

Essa é uma das partituras do compositor russo que mais evidenciam a influência de Mahler, não apenas no gigantismo da orquestração ou nas auto-citações de caráter autobiográfico, mas, sobretudo, nas abruptas mudanças anímicas.

Assim como em Mahler, o estado de espírito pode mudar abruptamente, de um compasso para o outro. E o que fascina em uma orquestra como a DSO é que a essa sucessão de climas da obra corresponde uma imediata sucessão de cores na orquestra; seus músicos parecem dispor de uma gama aparentemente ilimitada de dinâmicas e timbres, dos quais vão lançando mão à medida que a partitura assim o requer.

Estava para concluir dizendo que a DSO parece não ter limites, mas, verdade seja dita, tais limites existem, sim, e se fizeram evidentes no bis, com uma Aquarela do Brasil de cintura dura e completamente fora do estilo. Nem esse “momento André Rieu”, contudo, chegou a tirar do brilho desse que se anuncia como forte concorrente a melhor concerto de 2012.





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

Mais Textos

Dois amores Por Jorge Coli (18/5/2015)
Música e cinema Por Jorge Coli (15/5/2015)
O triste fim da Camerata Aberta Por João Marcos Coelho (12/5/2015)
Yoram David, Nikita Boriso-Glebsky e designers Por Jorge Coli (12/5/2015)
“Poranduba” tem boa produção do Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (4/5/2015)
Osmo Vänskä: o homem certo no lugar certo Por Irineu Franco Perpetuo (4/5/2015)
“Um homem só” e “Ainadamar” no Municipal de São Paulo Por Jorge Coli (3/5/2015)
“Fidelio”, no Rio, entre o vazio e o exagero Por João Luiz Sampaio (30/4/2015)
Conferência MultiOrquestra 2015 – Dia 3 Por João Luiz Sampaio (30/4/2015)
Conferência MultiOrquestra 2015 – Dia 2 Por João Luiz Sampaio (29/4/2015)
Conferência MultiOrquestra 2015 – Dia 1 Por João Luiz Sampaio (28/4/2015)
Óperas do Theatro Municipal revelam diversidade do gênero Por Nelson Rubens Kunze (27/4/2015)
Dia do Índio, música e dominação Por Camila Frésca (20/4/2015)
Bach no século XXI Por João Marcos Coelho (16/4/2015)
Angela Hewitt: Bach para o terceiro milênio Por Irineu Franco Perpetuo (8/4/2015)
Ótimo concerto abre temporada comemorativa do Quarteto de Cordas da Cidade Por Nelson Rubens Kunze (7/4/2015)
Municipal, São Pedro, Osesp e mais Por Jorge Coli (24/3/2015)
O adeus de um grande maestro Por Camila Frésca (23/3/2015)
“O amor dos três reis” abre temporada do Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/3/2015)
Luís Otávio Santos: o frescor de Mozart e Beethoven em Juiz de Fora Por Irineu Franco Perpetuo (13/3/2015)
Dupla formada por Daniel Guedes e Mario Ulloa se consagra com “Amor em paz” Por Camila Frésca (13/3/2015)
Quando a música é essencial Por João Marcos Coelho (11/3/2015)
OSB abre temporada com excelente integral das “Bachianas brasileiras” Por Nelson Rubens Kunze (10/3/2015)
Grande concerto inaugura Sala Minas Gerais Por Nelson Rubens Kunze (2/3/2015)
Uma excelente introdução ao mundo de Bach Por João Luiz Sampaio (27/2/2015)
Selo Digital Osesp lança oitavo volume e confirma vocação para a música brasileira Por Camila Frésca (23/2/2015)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Maio 2015 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
27 28 29 30 31 1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
31 1 2 3 4 5 6
 

 
São Paulo:

30/5/2015 - Série Aprendiz de Maestro

Rio de Janeiro:
26/5/2015 - X RioHarpFestival

Outras Cidades:
28/5/2015 - Santos, SP - Orquestra Sinfônica Municipal de Santos
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2015 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046