Banner 468x60
Banner 180x60
Bom dia.
Sábado, 21 de Outubro de 2017.
 
E-mail:  Senha:

 

 
Nome

E-mail


 
Saiba como anunciar na Revista e no Site CONCERTO.
   


 

Vitrine Musical 2016 - Clique aqui e veja detalhes dos anunciantes

 
 
 
Projeto Arranjadores: quando popular + erudito = música de primeira (25/7/2012)
Por Irineu Franco Perpetuo

Repertório escolhido com rara felicidade, execuções de alto nível, material gráfico de bom gosto, qualidade sonora apurada: não é todo dia que uma orquestra brasileira lança um CD tão empolgante quanto o álbum triplo "Arranjadores", da Orquestra Experimental de Repertório.

Tenho idade suficiente para me lembrar da criação do projeto, há exatos 20 anos, por Benjamin Taubkin, Maria Julia Pinheiro e Myriam Taubkin, no saudoso Teatro Cultura Artística, na rua Nestor Pestana. Naquela época, a OER, do maestro Jamil Maluf, não tinha mais que dois anos de existência. Contudo, já era um celeiro de craques. Ler a lista de músicos presentes naqueles concertos é ver que dali estavam destinados a sair nomes-chaves da vida musical em nosso país. Confira: Arcádio Minczuk (oboé) e Roberto Minczuk (trompa), Eduardo Gianesella e Ricardo Bologna (percussão), Fabio Cury (fagote), Ana Valéria Poles e Pedro Gadelha (contrabaixo), Renato Bandel (viola), Davi Graton e Eliane Tokeshi (violino)... Poderia seguir elencando indefinidamente.

A seleção musical deste lançamento em CD, a partir das gravações realizadas no Cultura Artística, também foi feita com extrema sensibilidade e bom gosto, equilibrando as tendências daquela época, mas sem se esquecer dos grandes nomes do passado. Assim, Guerra-Peixe faz sua última atuação como regente e derradeira gravação, em um registro dos Afro-Sambas, enquanto a maestria de Radamés Gnattali é homenageada com uma interpretação eletrizante de seu Concerto para quarteto de cordas e orquestra, tendo como solista o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo (naquele tempo integrado por Cláudio Cruz e Maria Vischnia aos violinos, com Marcelo Jaffé na viola e Robert Suetholz ao violoncelo).

Fazem-se presentes alguns arranjadores dos quais muito se fala, mas cuja música pouco se executa, como Léo Peracchi e Lyrio Panicali, bem como nomes que vão participar do concerto de lançamento do disco, no Municipal de São Paulo, em 11 de agosto, como Duda do Recife e Egberto Gismonti.

Mas o destaque para mim foi o inquieto, surpreendente e saudoso Rogério Duprat, demonstrando que o diálogo entre o popular e o erudito pode ir muito além do “crossover” insuportavelmente “kitsch” e edulcorado de André Rieu e seus genéricos de menor renome.

Duprat comparece com elaboradas orquestrações de peças para piano de Satie e um arranjo para lá de inventivo de Frakt = DX – [MAC (RD)²]M, do sobrinho Ruriá Duprat. Envolvendo sintetizadores e computador, a obra incorpora a técnica não como fetiche, mas como parte de um discurso musical ousado, fazendo o popular e o erudito conversarem no mais interessante dos registros – o da música de invenção.

Ouvindo "Arranjadores", não dá para não sentir uma pontinha de melancolia com as até agora desastradas iniciativas da Osesp na direção do “crossover” brasileiro. Tudo bem que encomendar obras envolve mesmo um certo risco, e talvez seja simplesmente questão de azar o fato de as recentes encomendas da Osesp a autores vindos da música popular terem oscilado entre a obviedade e a vergonha alheia. De qualquer modo, não seria má ideia se os chefões da Sala São Paulo ouvissem com atenção as obras de "Arranjadores" e daí, quem sabe, pensassem em programar grandes compositores brasileiros hoje negligenciados pela orquestra, como Guerra-Peixe, Gnattali e Rogério Duprat. Nossa música só teria a ganhar com isso.


Em breve o CD "Arranjadores" estará disponível na
Loja CLÁSSICOS.

Clássicos Editorial Ltda. © 2012 - Todos os direitos reservados.
A reprodução integral deste conteúdo requer autorização.





Irineu Franco Perpetuo - é jornalista, colaborador do jornal Folha de S. Paulo e correspondente no Brasil da revista Ópera Actual (Barcelona).

Mais Textos

Primeiras impressões sobre a temporada da Osesp Por João Marcos Coelho (29/9/2017)
“Tosca” tem montagem competente no Rio de Janeiro Por Nelson Rubens Kunze (28/9/2017)
Refinamento e inventividade em “Brazilian Landscapes” Por Camila Frésca (28/9/2017)
Um “Nabucco” problemático no Theatro Municipal de São Paulo Por João Luiz Sampaio (26/9/2017)
Na estreia com a Osesp, Leonardo Hilsdorf encanta a Sala São Paulo Por Irineu Franco Perpetuo (22/9/2017)
Festival de Ópera do Theatro da Paz faz bom “Don Giovanni” Por Nelson Rubens Kunze (19/9/2017)
Penderecki e Szymanowski: uma noite musical maior Por Jorge Coli (18/9/2017)
Novo fôlego para a ópera no RS Por Everton Cardoso (8/9/2017)
Wagner de boa qualidade, mas sem lirismo e vigor dramático Por Jorge Coli (4/9/2017)
Finalmente Dudamel “suja” mãos e batuta com a “política” Por João Marcos Coelho (24/8/2017)
Dobradinha “Pulcinella & Arlecchino” tem boa realização no Theatro São Pedro Por Nelson Rubens Kunze (23/8/2017)
O bel canto colorido e expressivo de Javier Camarena Por Irineu Franco Perpetuo (10/8/2017)
Osesp faz belo concerto com programa raro Por Jorge Coli (9/8/2017)
Terceira edição do Festival Vermelhos consolida projeto cultural em Ilhabela Por Camila Frésca (8/8/2017)
Em busca da música Por João Marcos Coelho (28/7/2017)
Neojiba: o exemplo da Bahia para o Brasil Por Irineu Franco Perpetuo (24/7/2017)
Você conhece José Vieira Brandão? Por João Marcos Coelho (12/7/2017)
Campos do Jordão, Salzburg e a economia da cultura Por Nelson Rubens Kunze (12/7/2017)
Rameau em “dreadlocks” Por Jorge Coli (11/7/2017)
Isabelle Faust, Vadim Repin e Julian Rachlin: sobre expectativas, decepções e boas surpresas Por Camila Frésca (5/7/2017)
Encomenda da Osesp mostra Mehmari maduro Por Irineu Franco Perpetuo (3/7/2017)
Fórum apresenta importantes orientações para “endowments” culturais no Brasil Por Nelson Rubens Kunze (10/6/2017)
Filme “Filhos de Bach” marca por sua sensibilidade e delicadeza Por Nelson Rubens Kunze (9/6/2017)
Transformação social e o futuro da música clássica Por Anahi Ravagnani e Leonardo Martinelli (30/5/2017)
Os extras contemporâneos de Isabelle Faust na Sala São Paulo Por João Marcos Coelho (25/5/2017)
Festival Amazonas de Ópera encena ‘Tannhäuser’ e comemora 20ª edição Por Nelson Rubens Kunze (23/5/2017)
 
Ver todos os textos anteriores
 
<< voltar

 


< Mês Anterior Outubro 2017 Próximo Mês >
D S T Q Q S S
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 31 1 2 3 4
 

 
São Paulo:

29/10/2017 - Renato Figueiredo - piano

Rio de Janeiro:
22/10/2017 - Nadja Daltro - soprano, Marcelo Coutinho - barítono, Flávio Augusto - piano, João Daltro - violino, Ricardo Santoro e Davi Oliveira - violoncelos e Igor Levi - flauta

Outras Cidades:
22/10/2017 - Curitiba, PR - III Festival de Ópera do Paraná
 




Clássicos Editorial Ltda. © 2017 - Todos os direitos reservados.

Rua João Álvares Soares, 1404
CEP 04609-003 – São Paulo, SP
Tel. (11) 3539-0045 – Fax (11) 3539-0046